Vorcaro negou senha do celular à PF; defesa alegou direito à privacidade e vida pessoal
Situação ocorreu durante depoimento em 30 de dezembro do ano passado. Ministro Dias Toffoli derrubou sigilo nesta quinta-feira (29/1)
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O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se negou a passar a senha do celular — apreendido na operação Compliance Zero — durante depoimento à Polícia Federal. Na oitiva, ocorrida em 30 de dezembro, o advogado Roberto Podval argumentou que isso poderia comprometer a privacidade e a vida pessoal de seu cliente. O trecho consta em vídeo, que teve sigilo derrubado nesta quinta-feira (29/1), pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.
“O sigilo das comunicações dele (Daniel Vorcaro) e a nossa preocupação – menos tem a ver com qualquer relação comercial do banco empresarial, mas com relações pessoais e privadas”, disse o advogado.
“A grande preocupação que se tem, obviamente, não é o banco. O banco está aí, aberto. Todo mundo sabe que a preocupação enorme que se tem é com relações absolutamente pessoais, que não tem nenhuma relação atinente ao banco. Para nós, era muito mais fácil abrir tudo e entregar tudo. Mas nós podemos envolver pessoas em relações absolutamente pessoais e particulares, que não têm nenhuma relação com o que nós estamos tratando”, acrescentou Podval.
Toffoli retirou sigilo dos depoimentos de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa no inquérito que investiga as supostas fraudes no Master. As oitivas foram realizadas em 30 de dezembro do ano passado pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, também foi ouvido.
A Operação Compliance Zero da PF indica que o Banco de Brasília (BRB) realizou operações consideradas irregulares com o Master numa tentativa de dar fôlego à instituição, enquanto o Banco Central analisava a proposta de aquisição. O BRB chegou a formalizar a oferta em março deste ano, mas o negócio acabou vetado pelo BC.
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Rombo bilionário
Até o momento não há um número oficial para o rombo, com estimativas que vão de R$ 2,4 bilhões a R$ 4 bilhões. Os investigados, incluindo Daniel Vorcaro, começaram a ser ouvidos pela PF. Nesta semana, a corporação desmarcou três depoimentos, que estavam agendados para ontem, de investigados no inquérito sobre as supostas irregularidades na proposta de compra do banco pelo BRB.
As defesas alegaram que não tiveram total acesso aos autos do processo, além da falta de tempo hábil para analisar o material. Entre as oitivas, estava prevista a do ex-sócio da instituição financeira, Augusto Ferreira Lima, uma das mais aguardadas pelos investigadores.
Segundo as apurações que embasam a operação, o Master teria tentado vender R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito falsas ao banco público e tentou justificar a operação junto a autoridade monetária com documentos falsificados. Os investigadores apontam que integrantes da cúpula dos dois bancos produziram cerca de 20 títulos fictícios para dar aparência de legalidade à transferência de valores realizada entre janeiro e maio de 2025.
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As investigações são conduzidas pela PF e por órgãos de controle como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A quebra do Master atingiu mais de 1,6 milhão de clientes e pode levar a um rombo de mais de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — associação privada formada por instituições bancárias para garantir o pagamento do reembolso por alguns investimentos.