Tomás, de 64 anos, vive há mais de 12 anos em Solanell, um povoado milenar dos Pirenéus catalães desabitado desde a década de 1970. A aldeia pertence ao município de Montferrer y Castellbó, na comarca de Alto Urgel, província de Lérida, próxima à fronteira com Andorra.
Nos primeiros cinco anos, ele permaneceu totalmente sozinho na localidade, conforme declarou em reportagem ao canal de Diego Revuelta no YouTube. Atualmente, o vilarejo conserva cerca de 40 casas, mas apenas cinco contam com ocupação. O local reúne hoje cinco pessoas, sendo três de forma fixa.
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Diferença entre solidão e isolamento
Embora relatos classifiquem o lugar como isolado devido ao acesso difícil, Tomás contraria essa percepção: "A solidão eu não a interpreto como se fosse algo ruim". Para ele, a escolha pessoal de ficar só serve para clarear pensamentos e preservar o contato com amigos e parentes.
O morador destaca que o verdadeiro isolamento acontece nas cidades grandes, onde cidadãos sem vínculos ficam sem ajuda mesmo cercados por vizinhos. Em relato ao canal "Monxileros", no YouTube, explicou que recebe telefonemas constantes da filha, desce até La Seo de Urgel ou Andorra para ver pessoas e sempre conversa com visitantes que sobem a montanha.
Mudança forçada após acidente
Antes da vida reclusa, Tomás ocupava um posto de responsabilidade em uma companhia de entregas. Durante uma rota de trabalho em Fraga, atropelou um cachorro e sofreu um soco no pescoço desferido pelo tutor do cão. O golpe provocou um coágulo na artéria da retina e tirou a visão do olho esquerdo.
Demitido do emprego após a lesão, ele conheceu por meio do irmão a cooperativa "Reviure Solanell", criada para repovoar a aldeia. Diante das ruínas observadas na primeira visita, pensou durante três meses até decidir se mudar e reconstruir com pedras a própria casa.
O custo de vida atual é coberto por um auxílio de 480 euros. Como o vilarejo não possui comércio ou bares, as despesas permanecem baixas:
compra mantimentos no centro urbano uma vez por semana;
abastece o congelador com alimentos essenciais;
produz conservas com a própria horta e cogumelos colhidos na temporada.
História e desafios de repovoamento
Dados da Enciclopédia Catalã revelam registros do vilarejo em uma escritura de venda no ano 941, enquanto a igreja de San Julián figura em textos de 971. A aldeia pertenceu aos viscondes de Castellbó e chegou a reunir 200 moradores no século XIX, até o esvaziamento total na década de 1970 decorrente da industrialização.
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O plano de repovoamento começou há 22 anos com a chegada do arquiteto Saúl Garreta, comprador de grande fatia do terreno para formar uma gestão cooperativa de produção e água. Até o momento, apenas cinco prédios foram reerguidos. Em entrevista a Diego Revuelta, Garreta afirmou ter conseguido "a metade da metade da metade" do objetivo inicial, contexto similar ao de outras 300 vilas abandonadas na Catalunha e cerca de 4.000 em toda a Espanha.
