Durante a Segunda Guerra Mundial, o exército dos Estados Unidos enfrentava problemas constantes para manter munições secas. Em 1942, a Permacel, divisão da Johnson & Johnson especializada em adesivos médicos, desenvolveu uma fita de tecido resistente à água dotada de adesivo sensível à pressão. A inspiração veio do esparadrapo usado em hospitais de campanha.

A invenção ganhou impulso decisivo com Vesta Stoudt, operária com dois filhos na Marinha. Incomodada com a fragilidade das caixas vedadas com cera, ela idealizou uma fita adesiva fácil de puxar e escreveu diretamente ao presidente Franklin D. Roosevelt em 1943. O War Production Board aprovou a ideia, encarregou a Revolite Corporation do desenvolvimento e a Johnson & Johnson creditou oficialmente a trabalhadora pela criação.

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Do front militar às tubulações

A cor original da fita era verde-oliva, escolhida para combinar com o tom das caixas de munição no terreno. Sua eficiência vinha de três camadas: uma superfície em polietileno impermeável, uma malha têxtil intermediária facilitando o rasgo manual e uma base de adesivo de borracha capaz de fixar em quase qualquer lugar.

Combatentes logo ampliaram os usos do material, aplicando o produto em reparos de fuzis, jipes e aviões avariados. O nome "duct tape" surgiu nos anos 1950, quando o item passou a ser vendido para vedar dutos de ventilação. A origem do termo "duck tape" permanece em debate histórico, ligada a marcas anteriores da Johnson & Johnson como "Jonflex" e "Utilitape", comercializada desde 1933.

O improviso no espaço com a Apollo 13

Em abril de 1970, o produto protagonizou um momento decisivo a centenas de milhares de quilômetros da Terra. Uma explosão no módulo de serviço da missão Apollo 13 privou a tripulação de oxigênio e eletricidade, forçando os três astronautas a buscar abrigo no módulo lunar, projetado para apenas duas pessoas.

O dióxido de carbono expirado acumulou rapidamente, colocando os tripulantes em perigo. Os cartuchos de filtragem de ar dos dois módulos eram incompatíveis entre si. Engenheiros da NASA elaboraram no solo uma solução improvisada: unir os componentes disponíveis a bordo com fita adesiva, criando um adaptador que viabilizou os filtros reservas e garantiu ar respirável até a descida da nave.

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A Permacel foi adquirida pelo grupo japonês Nitto Denko e encerrou suas atividades como empresa independente em 2009. O adesivo segue presente em oficinas residenciais, kits de ferramentas e pacotes de emergência de agências espaciais.


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