REPATRIAÇÃO

Vírus em cruzeiro: veja complexa manobra para retirar os passageiros

Com o hantavírus a bordo, o desembarque exige medidas nunca antes vistas para proteger as fronteiras de uma ameaça silenciosa e altamente perigosa

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Começou neste domingo (10/5) a repatriação internacional dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, a embarcação ligada ao surto de hantavírus que mobilizou autoridades sanitárias de vários países. A operação iniciada em Tenerife, nas Ilhas Canárias, envolve avaliações médicas, quarentena e o envio de aeronaves internacionais para retirar os passageiros do navio.

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De acordo com o Ministério da Saúde da Espanha, os passageiros começaram a desembarcar do navio em uma operação de repatriação cuidadosamente planejada e coordenada com diferentes países. O MV Hondius atracou na manhã deste domingo no porto de Granadilla, em Tenerife, transportando 147 pessoas. Passageiros foram levados em pequenas embarcações até a ilha, onde embarcaram em ônibus com destino ao aeroporto para retorno aos países de origem.

  • Passageiros britânicos evacuados do navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa e atingido por um surto de hantavírus, são conduzidos a ônibus militares no porto industrial de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, Espanha, em 10 de maio de 2026
    Passageiros britânicos evacuados do navio de cruzeiro MV Hondius, de bandeira holandesa e atingido por um surto de hantavírus, são conduzidos a ônibus militares no porto industrial de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, Espanha, em 10 de maio de 2026 JORGE GUERRERO / AFP
  • Ambulâncias transportando passageiros franceses do MV Hondius, onde foi detectado um surto de hantavírus, chegam ao hospital Bichat em Paris em 10 de maio de 2026
    Ambulâncias transportando passageiros franceses do MV Hondius, onde foi detectado um surto de hantavírus, chegam ao hospital Bichat em Paris em 10 de maio de 2026 Xavier GALIANA / AFP

Antes do desembarque, equipes médicas embarcaram no navio para realizar avaliações epidemiológicas e testes em passageiros e tripulantes. Segundo a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, todos os passageiros permaneciam assintomáticos durante a triagem inicial.

Os 14 passageiros espanhóis foram os primeiros a deixar a embarcação. Eles usavam máscaras FFP2 durante o traslado e serão encaminhados ao Hospital Gómez Ulla, em Madri, onde permanecerão em quartos individuais, sem visitas, e passarão por novos testes PCR durante a quarentena.

Segundo a CNN Internacional, diversos países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda, estão enviando aeronaves para repatriar seus cidadãos. Autoridades norte-americanas informaram que os 17 passageiros dos EUA, todos sem sintomas, serão encaminhados para a Unidade Nacional de Quarentena do Centro Médico da Universidade de Nebraska, onde passarão por avaliação antes de seguirem para monitoramento domiciliar por até 42 dias. 

Desde que o cruzeiro partiu da Argentina no mês passado, três mortes foram associadas ao hantavírus, que é uma doença rara geralmente transmitida pela exposição à urina ou fezes de roedores infectados. Outros passageiros chegaram a ser evacuados antes para receber tratamento médico.

Medidas de proteção

Como medida de precaução, as autoridades espanholas determinaram que o navio permanecesse ancorado a uma distância considerada segura do cais. O desembarque ocorre por nacionalidade e em grupos reduzidos, em uma tentativa de evitar contato com a população local. Ainda segundo o Ministério da Saúde espanhol, apenas profissionais essenciais, equipados com equipamentos de proteção individual, participam da operação.

No sábado (9/5), o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) viajou para as Ilhas Canárias para coordenar a evacuação dos passageiros do cruzeiro

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Ainda segundo o jornal internacional, após a retirada dos passageiros, o MV Hondius deverá seguir viagem para Rotterdam, na Holanda, onde a tripulação desembarcará e o navio passará por um processo de desinfecção. Vale lembrar que o surto foi comunicado oficialmente à OMS em 2 de maio e, segundo o órgão internacional, o risco para a população em geral continua sendo considerado baixo.

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