RESTOS MORTAIS

Construção de usina nuclear revela tumba anglo-saxônica do século 7

Descoberta arqueológica durante obra nuclear revela sepultura de alto status com enterro humano e animal

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Arqueólogos do projeto Oxford Cotswold Archaeology descobriram uma tumba anglo-saxônica de membros da elite durante as obras de construção da usina nuclear de Sizewell C, no condado de Suffolk, na Inglaterra. O achado data do século 7 d.C. e é considerado um dos mais relevantes do período na região. 

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As autoridades descreveram o local como um “túmulo de alto status”, contendo os restos de dois homens enterrados ao lado de um cavalo totalmente arreado, além de armas e objetos pessoais. Entre os artefatos funerários encontrados estão armamentos, escudos, um vaso de bronze e uma taça (ou chifre) com borda de prata, itens associados à elite da sociedade anglo-saxônica.

“Essas descobertas sugerem que os indivíduos eram membros da elite e refletem tradições funerárias complexas”, informou a equipe responsável pela escavação em comunicado. Ao todo, os arqueólogos também identificaram 11 montes funerários, com sepultamentos tanto por inumação (enterro) quanto por cremação.

Segundo Chris Fern, gerente do projeto de pós-escavação da Cotswold Archaeology, os restos humanos não se preservaram como esqueletos convencionais devido às características do solo local. “O que estamos encontrando são ‘corpos de areia’ em vez de ossos verdadeiros. A natureza ácida do solo arenoso de Suffolk corrói o material ósseo, resultando em preservação muito precária”, explicou em entrevista à Fox News.

Apesar da importância do achado, Fern ressaltou que esse tipo de cemitério não é incomum dentro do pequeno número de sepultamentos anglo-saxões descobertos anualmente na Inglaterra. “Cada cemitério desse período reflete a população de uma pequena comunidade local”, afirmou. Ele lembrou que o condado de Suffolk abriga outros sítios relevantes, como Sutton Hoo, Snape e Rendlesham, além de achados em Ipswich.

Os pesquisadores optaram por classificar a sepultura como “principesca”, e não como pertencente necessariamente a um príncipe. O termo, segundo Fern, indica alto status social, sem atribuir um título específico aos indivíduos enterrados. Para o arqueólogo, um dos aspectos mais surpreendentes da descoberta é a constatação de que a região abrigava uma comunidade mais rica do que se imaginava.

O enterro de um cavalo, por exemplo, é considerado um ritual raro no período e especialmente simbólico. “Demonstra a relação social especial entre humanos e cavalos”, observou. O cemitério remonta a um momento crucial da história inglesa, quando reinos regionais começavam a se formar e consolidar poder, ao mesmo tempo em que ocorria a transição gradual do paganismo para o cristianismo.

Nesse contexto, os ritos funerários funcionavam como demonstrações públicas de prestígio. “As famílias exibiam sua riqueza nos enterros, refletindo a competição por posição social e liderança. O enterro era uma forma poderosa de teatro social e político. Os sepultamentos elaborados eram uma forma de ostentação — quase um drama”, explicou.

Esse não é o primeiro achado na região. Em 2024, escavadores encontraram no mesmo local um tesouro com 321 moedas de prata, datadas entre 1036 e 1044, em perfeito estado de conservação. As moedas estavam acondicionadas em uma embalagem de chumbo e tecido, comparada pelos pesquisadores a um Cornish Pastry, uma espécie de pastel assado, devido ao formato.

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