O que é a Força Delta, tropa de elite dos EUA que capturou Maduro
Essa unidade de operações especiais é treinada para missões secretas de captura e eliminação de alvos, resgate de reféns e ações antiterroristas
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A operação que culminou com a captura neste sábado (3/1) do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foi comandada por membros da Delta Force (Força Delta, em português), tropa de elite do Exército dos EUA. A informação foi confirmada por autoridades à rede de TV CBS News.
Essa unidade de operações especiais é treinada para missões secretas de captura e eliminação de alvos, resgate de reféns e ações antiterroristas, tendo participado das duas décadas de guerras dos EUA no Oriente Médio.
Oficialmente chamado de 1º Destacamento Operacional de Forças Especiais, a Força Delta também é conhecida como CAG (sigla em inglês para Grupo de Aplicações de Combate) e Força Tarefa Verde. Foi criada nos anos 1970 para ser uma unidade antiterrorista em tempo integral.
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O grupo foi responsável pela operação, em 2019, que matou o então líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi na província de Idlib, na Síria. Segundo o presidente Donald Trump, o extremista estava sendo monitorado havia semanas e, ao se ver acuado por militares em uma perseguição, teria acionado um colete de explosivos, matando a si mesmo e três crianças.
A morte de Baghdadi ocorreu semanas depois de Trump anunciar a retirada das tropas americanas da Síria, o que gerou críticas de que a mudança levaria ao refortalecimento do Estado Islâmico.
A possibilidade de atuação da Força Delta na Venezuela já havia sido levantada em novembro pelo jornal The Washington Post, após reuniões na Casa Branca centradas na deliberação de uma ação militar.
As informações sobre os recursos empregados no ataque deste sábado ainda são escassas, mas imagens gravadas por moradores da capital Caracas e de outros pontos atingidos dão pistas de que a ação combinou o emprego de fogo aéreo de longa distância e forças especiais apoiadas por ataques de helicópteros a curta distância.
Trump afirmou que as forças demoraram 47 segundos para capturar o ditador Maduro e sua mulher em um complexo na capital Caracas. Um contingente de 150 aeronaves foi mobilizado a partir de 20 pontos, incluindo o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, e o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, um dos pontos centrais da operação, segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto americano, general Dan Caine.
Imagens gravadas em Porto Rico, base de operações, mostraram também a mobilização de caças F-35 e do drone RQ-170, ambos furtivos ao radar.
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A reação venezuelana foi mínima, elevando as suspeitas de que possa ter havido algum acordo entre os militares do país e o governo Trump para entregar Maduro. Ainda assim, houve ataques coordenados a pelo menos cinco pontos em três estados do país caribenho.
De acordo com o New York Times, o ataque dos EUA deixou um número não especificado de venezuelanos mortos e feridos, mencionando o comunicado de autoridades venezuelanas. O número de vítimas ainda está sendo avaliado.
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O paradeiro exato de Maduro e de sua esposa segue desconhecido. Trump publicou uma foto de Maduro dentro de um avião e confirmou que ambos serão levados para Nova York, onde, segundo a secretária de Justiça Pam Bondi, já foram indiciados criminalmente. Tanto a vice do ditador, Delcy Rodríguez, quanto o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, condenou os ataques e exigiu prova de vida de Maduro e Cilia.