Um médico e influenciador digital foi condenado pela Justiça Federal em Minas Gerais a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos após divulgar informações falsas sobre a mamografia nas redes sociais. Lucas Silva Ferreira Matos publicou vídeos no YouTube e no Instagram afirmando que a radiação emitida pelo exame aumentaria o risco de câncer de mama. Segundo a Justiça, as declarações, sem respaldo científico, poderiam desestimular mulheres a realizar o rastreamento da doença e comprometer ações de prevenção do Sistema Único de Saúde (SUS).
A sentença foi assinada na terça-feira (3/11) pelo juiz federal Felipe Eugênio de Almeida Aguiar e divulgada nessa quinta-feira (5/11). Além da indenização, o médico está proibido de republicar os vídeos ou divulgar afirmações falsas semelhantes. O descumprimento da determinação poderá resultar em multa diária.
A ação foi movida pela Advocacia-Geral da União (AGU), que apontou o alcance das publicações como um fator de preocupação. Matos reúne mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram e 22 mil inscritos no YouTube. Nos vídeos questionados, ele afirmava que a exposição à radiação durante uma mamografia seria equivalente à de 200 exames de raio-X e que o procedimento poderia contribuir para o desenvolvimento do câncer de mama.
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Ao analisar o caso, o juiz considerou que o influenciador usou a autoridade associada à profissão médica para dar credibilidade a informações sem comprovação científica. A sentença ressaltou que a liberdade de expressão não protege a divulgação de conteúdos falsos com potencial para prejudicar a saúde pública e interferir em políticas de prevenção.
A decisão também levou em conta o possível impacto das declarações sobre o comportamento das mulheres. Segundo o entendimento judicial, as publicações poderiam provocar medo e levar parte do público a adiar ou abandonar exames importantes para a identificação precoce de tumores.
Parecer do Inca
Durante o processo, Matos sustentou que suas declarações tinham como fundamento estudos internacionais e discussões acadêmicas sobre os efeitos da radiação. A argumentação, no entanto, foi contestada por um parecer técnico-científico do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
O documento apontou que o médico manipulou conceitos epidemiológicos para construir um discurso considerado sensacionalista e incorreto. A avaliação técnica foi utilizada na análise judicial para demonstrar que as afirmações divulgadas não tinham sustentação científica adequada.
A Justiça reconheceu ainda a existência de dano moral coletivo. O entendimento foi de que a disseminação desse tipo de conteúdo pode comprometer a confiança da população nas orientações das autoridades sanitárias e prejudicar estratégias públicas de rastreamento do câncer de mama.
Decisão anterior já determinava retirada dos vídeos
Esta não é a primeira decisão judicial contra as publicações do influenciador. Em outubro de 2025, a Justiça Federal já havia determinado que ele retirasse os vídeos do Instagram e do YouTube no prazo de 24 horas.
Na ocasião, uma das gravações questionadas acumulava mais de 74 mil visualizações. Como um dos conteúdos continuou disponível no YouTube mesmo após a determinação, a Justiça estabeleceu um novo prazo para a remoção. Posteriormente, o médico comprovou que as publicações haviam sido retiradas.
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Agora, além de estabelecer a indenização de R$ 100 mil, a sentença proíbe o médico de voltar a divulgar os vídeos ou afirmações falsas semelhantes.
