A defesa de Carla Luíza da Silva, de 23 anos, presa em flagrante suspeita de envolvimento na morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27, afirma que a investigada se declara inocente e pede o aprofundamento das apurações. O crime ocorreu em Jaboticatubas, na Grande BH.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (22/10), a advogada Tatiany Barbosa questiona pontos da investigação, entre eles as características do veículo supostamente utilizado no crime, o número de pessoas envolvidas e a informação de que uma mulher estaria dentro do carro quando Beatriz foi buscada em um bar.
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Carla é a atual namorada de Samuel Castro Melo, de 18 anos, ex-namorado de Beatriz. Os dois foram presos em flagrante suspeitos de matar a jovem e ocultar o corpo. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga o caso como feminicídio premeditado.
Na manifestação, a defesa afirma reconhecer a gravidade dos fatos investigados e a necessidade de esclarecer as circunstâncias do crime. Ressalta, no entanto, que as conclusões devem se basear em elementos concretos, com respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e ao direito à ampla defesa. A advogada também afirma que Carla nunca teve desentendimentos com Beatriz. Leia a nota na íntegra no fim da reportagem.
Investigação aponta premeditação
As informações já colhidas pela PCMG apontam o planejamento e a frieza dos executores. A vítima foi vista pela última vez em um bar, em Jaboticatubas, no dia 9 de outubro, e teve o corpo encontrado nessa quarta-feira (21/10), em uma área de mata no município.
O ex-namorado de Beatriz, Samuel, e a atual namorada dele, Carla, foram presos em flagrante, suspeitos de terem matado e ocultado o corpo dela. A principal prova da preparação prévia foi a constatação de que a cova onde o corpo foi enterrado já havia sido escavada antes mesmo de a vítima ser atraída e colocada dentro do veículo dos suspeitos.
A delegada titular de Jaboticatubas, Anala Leles, explicou como a jovem foi atraiçoada ao sair do bar onde estava com amigos na noite do desaparecimento. "A Beatriz se encontrava em um bar na cidade com alguns amigos quando recebe uma ligação. As testemunhas indicam que ela afirma ter recebido uma ligação de número desconhecido fazendo alguns questionamentos e ela decide retornar à estrada de terra onde se encontrava o veículo. Nesse momento, a Beatriz faz uma advertência aos amigos: de que se não retornasse em 5 a 10 minutos, era para ir atrás dela. E ela, de fato, infelizmente, não retorna", afirmou ela.
O corpo foi localizado em um loteamento em construção conhecido como "loteamento de portugueses", em Jaboticatubas, após o depoimento de uma adolescente de 15 anos que ocupava o veículo com o casal de suspeitos. A jovem indicou a região de mata e os investigadores identificaram uma área com terra rebatida e presença de moscas. Ao escavarem o local, os policiais encontraram o cadáver da vítima enterrado em uma cova de superficial a média profundidade, com os pés e as mãos amarrados.
Para a Polícia Civil, a existência da cova pronta antes da abordagem no bar afasta qualquer hipótese de ação imprevista ou discussão de momento. O delegado Alexandre Fonseca, da Divisão de Referência a Pessoa Desaparecida, destacou que o planejamento do crime ficou evidente pela sequência dos fatos constatados no inquérito. "O crime foi premeditado porque a cova foi feita antes da execução. A gente encontrou o corpo enterrado em uma cova de superficial a média profundidade, com pés e mãos amarrados. No entorno, encontramos as sandálias da vítima e a capa do celular dela", disse.
O delegado reforçou ainda o repúdio da instituição diante da crueldade empregada pelos autores na articulação do homicídio e da ocultação do cadáver. "A gente está falando de um feminicídio motivado por um possível ciúmes ou inconformidade entre a atual namorada e uma ex-namorada. Então a gente tem aqui um núcleo, um casal de assassinos, um homem e uma mulher que matam e ocultam o corpo com requintes de crueldade", completou Fonseca.
Perícia investiga substâncias químicas
A PCMG aguarda a conclusão dos exames necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML) e da perícia criminal para determinar com precisão a causa da morte e verificar se houve a prática de outros delitos associados, como tortura ou o uso de substâncias químicas no corpo da vítima antes da ocultação.
A delegada Anala Leles enfatizou que a apuração sobre o uso de elementos como soda cáustica ou sobre a suspeita de gravidez mencionada por familiares depende estritamente dos laudos técnicos. "A gente precisa aprofundar a investigação neste sentido e precisamos aguardar o resultado dos laudos periciais, principalmente os laudos da perícia criminal, do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal, para verificar quanto ao aspecto de ter elementos de soda cáustica no corpo", explicou.
O ex-namorado de Beatriz e sua atual companheira foram presos em flagrante pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.
Leia a nota da defesa na íntegra
A defesa de Carla reconhece a gravidade dos fatos investigados e a necessidade de que sejam devidamente esclarecidos. Contudo, ressalta a existência de pontos que merecem maior aprofundamento no curso das investigações, especialmente quanto ao veículo supostamente utilizado, ao número de pessoas envolvidas e à informação de que haveria uma mulher no interior do veículo no momento em que Beatriz foi buscada no bar.
Carla declara sua inocência e afirma que nunca teve qualquer desentendimento com a vítima, Beatriz Vitória.
Em relação à sua vida pessoal, Carla mantém um relacionamento com Samuel há aproximadamente dois anos. Durante esse período, o casal permaneceu separado por cerca de 30 dias, ocasião em que ambos se relacionaram com outras pessoas, tendo posteriormente decidido reatar o namoro.
Carla também afirma que, durante o relacionamento, nunca presenciou comportamentos agressivos por parte de Samuel e declara não acreditar que ele fosse capaz de praticar os fatos investigados.
A defesa ressalta que qualquer conclusão deve estar fundamentada em elementos concretos, respeitando-se o devido processo legal, a presunção de inocência e o direito à ampla defesa.
Por fim, aguardamos o avanço das investigações, para que as circunstâncias do crime sejam esclarecidas e os verdadeiros responsáveis pela morte de Beatriz Vitória sejam identificados, com base nas provas e no respeito à Justiça.
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Tatiany Barbosa
