Com um dos mais importantes acervos sacros do país – e também um dos mais dilapidados pelos furtos –, Minas Gerais terá de volta um bem espiritual e histórico desaparecido há mais de 60 anos. Durante missa solene em 18 de novembro, às 18h, vai retornar ao altar da Capela Nossa Senhora do Rosário, em Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a imagem da padroeira do templo, Nossa Senhora do Rosário, peça do século 18.
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Esculpida em madeira, com 80 centímetros de altura, a imagem barroca foi resgatada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e será recebida “com festa na paróquia”, adianta o padre Celmo Coelho de Souza, titular da Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, à qual a capela se encontra vinculada.
Conforme o padre Celmo, o trabalho do Ministério Público foi realizado com a participação de um fiel. O morador de Caeté guardava em seus arquivos a cópia de uma foto antiga, obtida na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Minas (UFMG). Graças à foto antiga, o fiel, que nem era nascido quando a imagem desapareceu, pôde identificar a pequena escultura em uma postagem de rede social.
Imediatamente ele entrou em contato com o Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte, que acionou o MPMG. As autoridades solicitaram um laudo comparativo entre a antiga fotografia do acervo do morador e a imagem publicada na rede social. Esse laudo foi preparado pelo Memorial Arquidiocesano e, após a confirmação de que se tratava, de fato, da peça desaparecida, foram tomadas as providências para recuperá-la.
Também na solenidade de 18 de novembro será anunciada uma parceria entre o MPMG e a Mitra Arquidiocesana de BH para restauro da capela, primeiro templo de Caeté, ex-Vila Nova da Rainha. A partir da Plataforma Semente, do Ministério Público, recursos oriundos de medidas compensatórias ambientais viabilizam projetos de relevância social. “Graças à Plataforma, a Matriz de Caeté, Nossa Senhora do Bom Sucesso, foi reformada no ano passado”, informou o pároco.
Importante referência religiosa, histórica e cultural de Caeté, a Capela Nossa Senhora do Rosário foi reaberta no ano passado após intervenções emergenciais promovidas pela Arquidiocese de BH. O mais antigo templo da cidade, construído em 1704, é símbolo da religiosidade da população negra, tendo sido erguido por Frei Simão de Santa Teresa, com a participação da Irmandade dos Homens Pretos. Dentre os trabalhos, há necessidade de intervenções no cemitério municipal para solucionar problemas relacionados a infiltrações que ameaçam a edificação.
Minas tem 1.920 bens desaparecidos, tendo sido resgatados 640 e restituídos 136. No total de 2,7 mil cadastrados pela instituição, a maior parte (1.071) contempla documentos, seguindo-se os objetos sacros (834).
HISTÓRIA
Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1950 e vinculada à Arquidiocese de BH, a Capela Nossa Senhora do Rosário data dos primeiros anos do século 18, sendo em sua origem subsidiária da primitiva matriz de São Caetano, construída na época da elevação do Arraial de Caeté a vila, em 1714. Chegou a servir de matriz e sede das demais irmandades, quando a nova matriz estava em construção, entre 1757 e 1765. Conforme estudos do Iphan, é possível que, nesse momento, tenha recebido os dois retábulos laterais de estilo Barroco, procedentes da primitiva matriz, que não tem adequação perfeita ao seu espaço interno.
O templo foi reconstruído em alvenaria de pedra por volta de 1787, com nova fachada incluindo frontão ondulado com pequenas sineiras laterais e portada decorada com tarja na qual pode ser visto o rosário, símbolo da irmandade proprietária.
Na decoração interna, dois períodos estilísticos distintos podem ser identificados de imediato. Os três retábulos são do Barroco inicial, enquanto os laterais do arco-cruzeiro, mais antigos, têm decoração profusa, incluindo folhas de parreira, cachos de uvas e pássaros fênix. As sanefas superiores são, entretanto, de estilo rococó, assim como o púlpito, acrescentados na segunda metade do século 18, após a reconstrução. O altar-mor, da mesma composição dos altares da nave, porém, permaneceu inconcluso, podendo ser observado que as colunas internas joaninas, assim como o sacrário, foram trazidas de outro local.
Do período rococó, são as pinturas dos forros da capela-mor e da nave. O primeiro tem no centro a representação da Assunção da Virgem entre Anjos, cercada de movimentada moldura de rocalhas. Quatro pilastras fazem a ligação com o muro-parapeito das laterais, atrás do qual se postam representações dos Doutores da Igreja, os santos Agostinho, Jerônimo, Ambrósio e Gregório.
CONSCIÊNCIA NEGRA
Em homenagem à Semana da Consciência Negra, cujo ponto alto é 20 de novembro, haverá programação especial na a Capela Nossa Senhora do Rosário para receber a imagem da sua padroeira.
PROGRAMAÇÃO
17 de Novembro – 1º Dia de Tríduo
18h30 - Oração do Terço
19h - Santa Missa - Hasteamento da Bandeira de Nossa Senhora do Rosário
18 de Novembro – 2º Dia do Tríduo
18h - Repique festivo de sinos e apresentação do Grupo Tambores da Piedade no adro da Igreja Matriz
18h30 - Entrada da imagem de Nossa Senhora do Rosário (velada), juntamente com o grupo Tambores da Piedade. Momento de apresentação da imagem, com representantes do Ministério Público de Minas Gerais.
19 de Novembro – 3º Dia do Tríduo
18h - Oração do terço na Igreja Matriz – Grupo Terço com Maria e Terço dos Homens
18h30 - Procissão com a imagem de Nossa Senhora do Rosário, saindo da Igreja Matriz Nossa Senhora do Bonsucesso até a Igreja do Rosário, com a presença do Congado de Santo Antônio do Deschamps
19h - Missa
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20 de novembro – Dia da Consciência Negra (Feriado Nacional)
8h30 - Oração do Terço
9h - Santa Missa, com a presença dos Tambores da Piedade
15h30 - Terço da Misericórdia
16h - Santa Missa
