Entre cachoeiras e montanhas: conheça nova trilha em Minas Gerais
Inaugurada neste sábado (31/10), a cerca de 120 quilômetros da capital, a Trilha de Capanema fica entre Ouro Preto e Itabirito e pode ser feita a pé ou de bicicleta
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Cachoeiras em meio à vegetação nativa, piscinas naturais e paisagens que revelam a riqueza ambiental de Minas Gerais compõem o cenário da Trilha de Capanema. A cerca de 120 quilômetros de Belo Horizonte, localizada entre os municípios de Ouro Preto e Itabirito, a reportagem do Estado de Minas foi conhecer de perto os principais atrativos que fazem parte do percurso, inaugurado pela Vale neste sábado (31/10).
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Com 3,8 quilômetros de extensão por trecho, totalizando 7,6 quilômetros de ida e volta, o percurso tem nível intermediário de dificuldade e pode ser feito a pé ou de bicicleta. A caminhada atravessa áreas preservadas do Quadrilátero Ferrífero e passa por paisagens características dos campos rupestres e ferruginosos, formações vegetais que se desenvolvem em terrenos rochosos e ricos em minerais.
Durante o trajeto, os visitantes têm acesso às cachoeiras das Flechas, dos Arcos e do Fundo. O caminho também permite observar diferentes formações geológicas e a vegetação típica da região.
Embora o percurso exija disposição, para o guia turístico, Isaías Pereira de Souza, pessoas com diferentes níveis de experiência podem aproveitar os atrativos, desde que respeitem as condições do caminho e tomem os cuidados necessários.
Fauna e flora pelo caminho
A biodiversidade é outro aspecto que chama a atenção na região. Durante a caminhada, o visitante pode observar aves, vegetação nativa e diferentes formações naturais. Entre os animais que habitam a área estão raposas, seriemas, carcarás, lobos-guarás, veados-campeiros, jaguatiricas e onças-pardas.
Nem todos, porém, são facilmente avistados. De acordo com Isaías, é mais comum encontrar vestígios da presença de alguns desses animais, como pegadas e fezes. A observação da fauna depende de fatores como horário e condições do ambiente.
Na flora, destacam-se espécies de orquídeas, bromélias, canela-de-ema, arnica, pau-de-tucano, macela, sempre-vivas e candeias.
Além do lazer, a diversidade natural transforma o percurso em um espaço de aprendizado. As formações rochosas, a vegetação e as nascentes permitem atividades de educação ambiental e observação da biodiversidade.
Estrutura e cuidados
Para receber os visitantes, a trilha passou por intervenções voltadas à segurança e à acessibilidade. Foram instalados corrimãos, pontes e passarelas com piso antiderrapante em pontos do trajeto.
A trilha atravessa áreas protegidas pela Vale e trechos do Parque Nacional da Serra do Gandarela. A estrutura foi planejada para organizar a circulação dos visitantes e reduzir os impactos da visitação sobre o ambiente natural.
Apesar das melhorias, alguns cuidados são importantes durante a caminhada, principalmente durante o período chuvoso. O guia alerta que as pedras podem ficar escorregadias devido ao acúmulo de lodo, aumentando o risco de quedas. "Observe sempre onde for pisar."
A recomendação é caminhar devagar, prestar atenção onde pisa e, caso tenha, utilizar bastões de caminhada para melhorar o equilíbrio. Também é importante ter cuidado ao apoiar as mãos na vegetação e ao deixar mochilas, roupas e calçados próximos às cachoeiras, para evitar o contato acidental com animais peçonhentos.
Outro cuidado é verificar os calçados antes de colocá-los novamente, especialmente depois de deixá-los no chão durante uma parada. Em caso de mudança nas condições climáticas, o visitante deve deixar as áreas próximas às cachoeiras e procurar um local seguro.
Mais aventura pela frente
O percurso da Trilha de Capanema termina no mirante da serra, mas quem deseja explorar outros pontos da região pode continuar a aventura. Uma das opções é conhecer o Pico Capanema, que oferece uma experiência diferente para quem completa a subida. No alto, há um livro de registros no qual os visitantes podem escrever sobre a caminhada, contar como foi chegar ao cume e deixar uma lembrança da passagem pelo local.
Outro trecho que merece atenção fica no Rio Piracicaba, conhecido popularmente como “Senhor dos Anéis”. O local reúne uma sequência de cursos d'água, pequenas cachoeiras e piscinas naturais que lembram banheiras e jacuzzis.
Segundo o guia, a formação de uma dessas piscinas naturais chama a atenção pelo tamanho e pela profundidade, que chega a aproximadamente dois metros.
Turismo e preservação
A Trilha de Capanema faz parte do Circuito Vale de Trilhas, iniciativa desenvolvida pela mineradora em parceria com o Projeto Trilhas. A proposta é criar, sinalizar e cuidar de caminhos que aproximem visitantes de áreas naturais, pontos turísticos e comunidades da região.
“A inauguração da Trilha de Capanema representa mais uma oportunidade para que moradores e visitantes conheçam e valorizem as riquezas naturais do nosso território. Ao ampliar o acesso a áreas preservadas, contribuímos para fortalecer a conexão das pessoas com o meio ambiente e incentivar o desenvolvimento sustentável da região”, afirma Jorge Falrene, gerente da Gestão Física de Imóveis Não Operacionais da Vale.
Para Isaías, a presença de visitantes movimenta diferentes atividades econômicas e abrir oportunidades de trabalho, desde a contratação de guias até a ocupação de pousadas, restaurantes e a compra de artesanato.
"Quando o turista vem e tem alguma atividade para realizar no local, isso faz com que permaneça um pouco mais, conheça a cultura, consuma na culinária e compre artesanato. Realmente faz tudo girar e o turismo acontecer", explica.
O acesso à trilha é gratuito e não precisa de agendamento: é só chegar e aproveitar! Para curtir o passeio com conforto, use roupas leves e tênis com boa aderência. Leve garrafa de água, protetor solar e repelente. Se quiser aproveitar as cachoeiras, não esqueça a roupa de banho.
Como chegar
Com trajeto de aproximadamente 1h30 para quem sai de Belo Horizonte, o acesso é feito pela BR-040, no sentido Rio de Janeiro. Na altura da Lagoa dos Ingleses, é preciso entrar na BR-356, em direção a Ouro Preto, e seguir até o Trevo do Maracujá. De lá, são mais 19 quilômetros no sentido de Capanema até o início da trilha. Nesse trecho final, a atenção deve ser redobrada: a estrada é estreita e bastante frequentada por ciclistas.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima