Morte de Beatriz: juiz mantém prisão de casal e aponta "materialidade"
Samuel Castro Melo e Carla Luiza da Silva são investigados pela morte da jovem em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte
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A Justiça converteu em prisão preventiva as prisões em flagrante de Samuel Castro Melo e Carla Luiza da Silva, suspeitos de envolvimento na morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (22/10), durante audiência de custódia realizada na Vara Única da Comarca do município.
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A medida foi determinada pelo juiz Rodrigo Fernando Di Gioia Colosimo. Com a conversão, os dois permanecem presos preventivamente enquanto as investigações prosseguem.
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A audiência ocorreu no mesmo dia em que a defesa de Carla divulgou uma nota pública na qual a investigada declara inocência e pede o aprofundamento das apurações. A advogada Tatiany Barbosa questiona aspectos da investigação, como o veículo supostamente utilizado no crime e o número de pessoas envolvidas.
Beatriz, de 27 anos, estava desaparecida desde 9 de outubro. O corpo foi encontrado na quarta-feira (21), em uma área de mata de Jaboticatubas.
Investigação aponta premeditação
As informações já colhidas pela PCMG apontam o planejamento e a frieza dos executores. A vítima foi vista pela última vez em um bar, em Jaboticatubas, no dia 9 de outubro, e teve o corpo encontrado nessa quarta-feira (21/10), em uma área de mata no município.
O ex-namorado de Beatriz, Samuel, e a atual namorada dele, Carla, foram presos em flagrante, suspeitos de terem matado e ocultado o corpo dela. A principal prova da preparação prévia foi a constatação de que a cova onde o corpo foi enterrado já havia sido escavada antes mesmo de a vítima ser atraída e colocada dentro do veículo dos suspeitos.
A delegada titular de Jaboticatubas, Anala Leles, explicou como a jovem foi atraiçoada ao sair do bar onde estava com amigos na noite do desaparecimento. "A Beatriz se encontrava em um bar na cidade com alguns amigos quando recebe uma ligação. As testemunhas indicam que ela afirma ter recebido uma ligação de número desconhecido fazendo alguns questionamentos e ela decide retornar à estrada de terra onde se encontrava o veículo. Nesse momento, a Beatriz faz uma advertência aos amigos: de que se não retornasse em 5 a 10 minutos, era para ir atrás dela. E ela, de fato, infelizmente, não retorna", afirmou ela.
O corpo foi localizado em um loteamento em construção conhecido como "loteamento de portugueses", em Jaboticatubas, após o depoimento de uma adolescente de 15 anos que ocupava o veículo com o casal de suspeitos.
"Quanto a Samuel Castro Melo, o próprio investigado, em seu interrogatório na delegacia, admitiu que estava na direção do automóvel Volkswagen UP branco, que utilizou o telefone de seu pai para ligar para a vítima nas proximidades do "Bar do Eduardo" e que a transportou até o loteamento ermo onde o corpo foi enterrado. Embora tenha atribuido todos os atos materiais de amarração, agressão e soterramento à adolescente de 15 anos, sua versão é colidente com a lógica fática e com a existência de uma cova previamente aberta, além de ter confirmado que esteve no local e participou do arrebatamento e transporte da ofendida", relatou na sentença o juiz Rodrigo Fernando Di Gioia Colosimo.
Em relação à Carla, os indícios de coautoria e participação mostram-se igualmente robustos, na avaliação do magistrado. "A adolescente narrou pormenorizadamente que Carla articulou a ida ao encontro de Beatriz, compareceu no banco de passageiro do automóvel e acompanhou Samuel e a vítima até o descampado, permanecendo fora do alcance visual por período prolongado, retornando ao carro sem Beatriz e guardando silêncio suspeito", completou.
Perícia investiga substâncias químicas
A PCMG aguarda a conclusão dos exames necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML) e da perícia criminal para determinar com precisão a causa da morte e verificar se houve a prática de outros delitos associados, como tortura ou o uso de substâncias químicas no corpo da vítima antes da ocultação.
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A delegada Anala Leles enfatizou que a apuração sobre o uso de elementos como soda cáustica ou sobre a suspeita de gravidez mencionada por familiares depende estritamente dos laudos técnicos. "A gente precisa aprofundar a investigação neste sentido e precisamos aguardar o resultado dos laudos periciais, principalmente os laudos da perícia criminal, do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal, para verificar quanto ao aspecto de ter elementos de soda cáustica no corpo", explicou.