Sermão sobre beijo na filha termina em condenação de Pastor Lucinho e Lagoinha
Decisão judicial fixa indenização de R$ 150 mil e retratação em novo sermão; entenda todos os detalhes e os próximos passos do processo nos tribunais
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O pastor Lúcio Barreto Júnior, conhecido como Lucinho, e a Igreja Batista da Lagoinha foram condenados ao pagamento conjunto de R$ 150 mil por danos morais coletivos. A condenação na esfera cível decorre de uma declaração feita pelo religioso durante um culto, ocasião em que relatou ter beijado a própria filha na boca.
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A sentença assinada pela juíza Miriam Vaz Chagas determina também a realização de um sermão de retratação pública por parte do pastor após o trânsito em julgado da decisão, com foco no combate à violência contra mulheres e crianças. A instituição religiosa terá de gravar e divulgar o pronunciamento em suas redes e plataformas digitais. O valor da indenização será destinado ao Fundo Especial do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (Funemp). Como cabe recurso contra a decisão de primeira instância, a defesa de Lucinho declarou que as falas foram retiradas de contexto e anunciou que vai recorrer.
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Argumentos da acusação e decisão judicial
O processo foi motivado por uma ação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Os promotores apontaram que a pregação continha conteúdo discriminatório de gênero e representava incitação à violência sexual contra meninas e mulheres. Segundo a acusação, o relato feito no altar objetifica o corpo feminino, naturaliza a violação do consentimento e reforça noções de posse e submissão.
Na avaliação da magistrada, as garantias constitucionais de liberdade religiosa e de livre manifestação do pensamento possuem limites claros diante da proteção conferida aos direitos de meninas e mulheres. A sentença frisou que o pronunciamento não pode se sobrepor à dignidade humana nem desrespeitar normas de resguardo à infância e juventude.
Responsabilidade atribuída à igreja
Em sua manifestação à Justiça, a Igreja Batista da Lagoinha sustentou que não tem responsabilidade pelo teor das mensagens transmitidas por pregadores em suas cerimônias. A tese, contudo, não foi acolhida pelo Judiciário.
A magistrada entendeu que a organização religiosa colaborou de maneira direta para ampliar a repercussão da pregação. A igreja colocou o próprio templo à disposição da fala e publicou a gravação na íntegra no canal oficial do YouTube, sem apresentar ressalvas, resguardos ou alertas críticos. Para o tribunal, essa conduta conferiu respaldo institucional pleno ao discurso condenado.
Contexto do culto e trajetória
O culto que originou o processo ocorreu em 2024 perante um público de mais de mil homens, centrado na temática sobre "educação de filhos". Durante a fala, o líder declarou ter beijado a filha quando ela tinha 11 anos e estava distraída. Perante o Judiciário, o pregador sustentou que a situação relatada teria acontecido anos antes, em um contexto de brincadeira em família.
Lúcio Barreto Júnior nasceu em Belo Horizonte, tem 54 anos e mais de 2,5 milhões de seguidores nos canais digitais. Atualmente, o religioso atua como pastor na unidade Lagoinha Alphaville, situada no estado de São Paulo. Com formação de bacharel em Teologia Ministerial e título de mestre em Teologia, ele dedicou a carreira à área de evangelização de jovens.
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* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie.