A produção de uma homenagem para o cantor, compositor e ícone musical de Minas Gerais, Milton Nascimento, iniciada em 8 de setembro, entra na reta final e deve ser entregue no próximo dia 26. O mural gigante, feito pelo artista mineiro Kaká Chazz, ocupa a empena de 1.600m2 de um edifício localizado na Avenida Álvares Cabral, 374, próximo à Rua Timbiras, na Região Central de Belo Horizonte. A obra, já bem adiantada, chama a atenção de quem passa pelo local
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Idealização do mural
De acordo com Kaká Chazz, a ideia de realizar o mural surgiu há cerca de quatro anos, quando apresentou a proposta a Roger Dee, produtor e articulador ligado à cultura hip hop, que conseguiu o prédio para a realização da obra e levou o projeto à equipe do Fábrica de Graffiti. A partir daí, a proposta passou a integrar a 20ª edição da iniciativa, em Belo Horizonte, e foi viabilizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com patrocínio da Fundação ArcelorMittal.
As duas imagens escolhidas para estampar a empena representam momentos distintos da trajetória de Milton Nascimento. Em uma delas, Milton aparece mais velho, com a sanfona, que foi seu primeiro instrumento ainda na infância. Na outra, é retratado jovem. A composição coloca essas duas fases em diálogo e representa a travessia de sua trajetória, marcada pelas lutas, pelas amizades e pelo amor à arte, explica o artista.
O mural também parte dessa ideia de travessia. As duas imagens escolhidas por Kaká representam momentos distintos da trajetória de Milton, do início de sua caminhada até sua última sessão. Entre uma imagem e outra, o artista reconhece uma travessia, palavra que também poderia definir sua própria relação com a arte.
“Eu também vejo a minha arte como uma travessia. Eu venho de um lugar e vou levando comigo tudo aquilo que vivi. O barroco mineiro, o pôr do sol do sertão, as montanhas, a cultura popular, as pessoas. Essa síntese territorial atravessa a minha arte”, afirma Kaká.
Augusto Nascimento, filho de Milton, também teve papel importante na realização do projeto ao apoiar e aprovar a homenagem.
“Sempre digo que meu pai merece todas as homenagens e honrarias deste mundo. Mas ver o rosto dele tomando as ruas de Belo Horizonte traz uma emoção muito particular. Não tem como pensar em Minas sem pensar em Milton Nascimento, Lô Borges e no Clube da Esquina. Através da música, eles acrescentaram muito à identidade e à cultura do povo mineiro”, afirmou Augusto.
O filho de Bituca enalteceu o trabalho realizado por Kaká Chazz, dizendo que todos da família admiram o trabalho dele, principalmente, a homenagem que o artista fez em Três Pontas, no Sul de Minas.
“Nossa família é profunda admiradora da arte de rua. Os cenários das duas últimas turnês que fizemos foram feitos pelos Osgemeos, gênios da arte urbana. E o Kaka Chaz, responsável pela empena em Belo Horizonte, é um artista que admiramos muito aqui em casa desde que homenageou lindamente o meu pai em Três Pontas, cidade onde ele cresceu e pela qual guarda enorme carinho. Foi uma homenagem que ele aprovou e adorou. Essa é uma das homenagens mais bonitas e simbólicas já prestadas a esse cara tão maravilhoso que é o meu pai”, diz , emocionado, o filho de Milton.
Três Pontas, uma conexão que une artistas
Três Pontas foi a grande ponte de conexão entre Kaká Chazz e Milton. O muralista mineiro nasceu no município, já o compositor se mudou de Juiz de Fora para a cidade onde cresceu quando ainda tinha 6 anos de idade..
De acordo com Kaká, ter crescido em Três Pontas, uma cidade do interior, tendo Milton como uma presença tão importante na história daquele lugar, significou perceber desde cedo que a arte podia atravessar fronteiras. "Em um contexto em que seguir uma trajetória artística pode parecer uma possibilidade distante, saber que alguém daquele mesmo território havia levado sua música e sua maneira de enxergar o mundo para além de Minas tinha um significado concreto", ressalta o artista.
“Bituca sempre teve uma grande influência sobre mim como artista, especialmente por eu também ter crescido em Três Pontas. Ele me lembra constantemente que vale acreditar na força da arte”, declara o artista.
Milton, a voz que espelha o povo mineiro
Milton Nascimento nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1942, mas se considera mineiro de coração. Com apenas 2 anos de idade ficou órfão, com isso, foi morar com sua avó em Juiz de Fora. Com 6 anos, o já pequeno artista foi morar em Três Pontas com seus pais adotivos.
Em 1963, Milton se mudou para Belo Horizonte para fazer o vestibular de economia, porém a música já fazia parte da sua vida. Na época, o até então desconhecido músico, formou um grupo com Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges e Fernando Brant, o saudoso “Clube da Esquina”.
A música “Travessia”, que é ilustrada em sua homenagem em Belo Horizonte, ficou em segundo lugar no Festival Internacional da Canção, da TV Globo, em 1967, consagrando seu nome na história da música nacional.
Em 3 de janeiro de 1972, foi lançado o álbum que seria marca registrada da música mineira e nacional anos mais tarde: “Clube da Esquina”, obra com colaboração de Lô Borges ganhou destaque internacionalmente. A coletânea contava com composições que marcaram o cenário musical do Brasil, como “Tudo O Que Você Podia Ser” e “O Trem Azul”.
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Com uma carreira longa e duradoura e 42 álbuns e vários prêmios, Milton Nascimento chega aos 83 anos como um dos maiores cantores da história do país. Carregando consigo até hoje, canções e composições que ditaram o mercado musical desde o começo de sua trajetória.
