O delegado Felipe Freitas, de 44 anos, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), imobilizou um homem com um "mata-leão", que, segundo relato da ex-companheira à Polícia Militar, havia tomado o celular dela e saído correndo pela Rua Levindo Lopes, na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso ocorreu na manhã de 31 de agosto, mas ganhou repercussão somente nesta quarta-feira (16/9) depois que o vídeo viralizou nas redes sociais.
O delegado estava em uma academia próxima ao local quando viu o homem correndo com o aparelho nas mãos e ouviu os gritos da mulher. Ele deixou o estabelecimento, alcançou o suspeito e aplicou o golpe para contê-lo até a chegada de uma equipe da Polícia Militar.
A ocorrência foi registrada como perseguição e atendimento de denúncia de infração contra a mulher no contexto de violência doméstica. De acordo com o boletim, a mulher, de 27, contou aos policiais que havia terminado recentemente o relacionamento com o homem, com quem mantinha uma relação havia aproximadamente nove anos e era casada havia oito. Os dois têm uma filha, de 4 anos.
O delegado contou à reportagem que estava treinando em uma academia que funcionava no local quando percebeu a movimentação. Segundo ele, inicialmente, não sabia que os dois eram um casal.
"O casal passou correndo, o homem à frente com o celular e a moça atrás gritando", relatou. Segundo Freitas, dois lavadores de carros que estavam na região também perceberam a situação e cercaram o homem mais abaixo na rua.
O professor que conduzia a aula foi o primeiro a sair da academia ao perceber a movimentação. Freitas disse que, ao observar a cena, também correu para a porta do estabelecimento. Quando chegou, encontrou o homem cercado e a mulher pedindo que ele devolvesse o aparelho.
"O homem estava bem alterado e a menina estava gritando com ele: 'Me dá o celular, me dá o celular'", contou o delegado.
Freitas afirmou que, naquele momento, acreditava estar diante de um furto ou de uma situação semelhante. Ele então alcançou o homem e o imobilizou no chão. O boletim de ocorrência registra que o policial civil, que estava à paisana e se identificou como delegado, conteve o homem com um golpe descrito como "mata-leão".
Após a imobilização, segundo Freitas, a mulher conseguiu recuperar o celular. Foi então que ele percebeu que a situação envolvia um casal em processo de separação.
'Para de ficar me perseguindo'
"Ela pegou o celular e começou a gritar com ele, falou assim: 'Olha, você tem que aceitar que acabou, você tem que aceitar que acabou, para de ficar me perseguindo'", relatou.
A Polícia Militar foi acionada e chegou ao local enquanto o homem permanecia imobilizado. Como estava em uma academia, o delegado não possuía algemas. Os militares assumiram a ocorrência, algemaram o homem e conduziram os envolvidos para a Delegacia Especializada de Plantão de Atendimento à Mulher.
Segundo o registro policial, a mulher contou aos militares que havia saído de casa naquela manhã para trabalhar. Ao chegar próximo à academia localizada ao lado de seu trabalho, teria encontrado o ex-companheiro nas proximidades. Conforme seu relato, os dois conversaram sobre o fim do relacionamento.
Durante a conversa, ela teria pegado o celular para ligar para a mãe. Nesse momento, segundo o boletim, o homem tomou o aparelho de sua mão e correu pela via com a intenção de verificar mensagens e conversas em aplicativos. A mulher correu atrás dele e, na sequência, o delegado percebeu a situação.
O próprio ex-companheiro apresentou uma versão semelhante sobre a tomada do aparelho, mas afirmou que havia ido ao local para conversar pessoalmente com a mãe de sua filha e pedir explicações sobre um possível novo relacionamento. Conforme o boletim, ele declarou que observou a mulher sair de casa e posteriormente foi até seu local de trabalho. Disse ainda que pegou o celular dela com a intenção de verificar as conversas.
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Relato de perseguição
Além do episódio do celular, a mulher relatou aos policiais que vinha sendo seguida pelo ex-companheiro. No formulário de avaliação de risco preenchido durante o atendimento, informou que já havia sofrido agressão física na forma de aperto no braço e mencionou comportamentos de perseguição, vigilância e ciúme ou controle.
Ela também afirmou que o casal havia decidido terminar o relacionamento recentemente. Segundo o boletim, os dois conversaram sobre a separação no sábado anterior, na presença da mãe e do padrasto dela. Na ocasião, de acordo com o relato, a conversa teria ocorrido de forma tranquila e o homem teria dito que agradecia por tudo e seguiria a própria vida.
A vítima afirmou que decidiu terminar o relacionamento em razão de discussões constantes, inclusive na presença da filha, e disse que passou a sentir medo dentro da própria residência, principalmente para se expressar ou agir livremente diante do companheiro.
No fim de semana anterior à ocorrência, segundo o boletim, o homem esteve com a filha do casal, levou a criança à igreja e posteriormente a devolveu à mãe. Na manhã de 31 de agosto, porém, ele teria aparecido no local de trabalho da mulher, aparentemente aguardando sua chegada.
A mulher também relatou aos policiais um episódio anterior envolvendo a filha. Segundo ela, quando a criança era menor, o homem teria segurado seu braço com força. Ela afirmou que disse que acionaria a polícia, e, conforme seu relato, ele respondeu que não tinha medo da polícia.
Medida protetiva
Depois de ser conduzida à delegacia, a mulher registrou a ocorrência e fez a representação contra o ex-companheiro. Também foi solicitada medida protetiva de urgência para impedir a aproximação dele.
O caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Plantão de Atendimento à Mulher para as providências cabíveis. A ocorrência foi formalmente registrada como perseguição, com natureza secundária relacionada ao atendimento de denúncia de infração contra a mulher no contexto de violência doméstica.
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O boletim confirma que os militares encontraram o delegado com o homem imobilizado ao solo e que, após ouvirem os envolvidos, conduziram os dois à unidade especializada da Polícia Civil.
