A folia de Belo Horizonte ganha uma iniciativa de peso: a Casa do Carnaval, anunciada nesta terça-feira (15/9) e idealizada pela produtora e presidente da Liga Belorizontina de Blocos Carnavalescos, Polly Paixão. O espaço ocupará o terceiro andar do Shopping Uai, no Centro da capital mineira. 

“Este lançamento é a realização de um sonho que tenho há mais ou menos quatro anos. Eu percebi que os blocos de carnaval não tinham um espaço para ensaiar, que isso era uma dificuldade muito grande. Os blocos crescendo, a cidade pipocando de blocos novos e maravilhosos, e existe essa falta de espaço”, diz Polly.  

Segundo a produtora, atualmente muitos blocos recorrem a espaços que cobram uma taxa a cada ensaio ou que estabelece um valor de consumação durante o evento. Entretanto, muitos blocos não dispõe de verba para esse tipo de iniciativa.  Nesse primeiro momento, a Casa do Carnaval vai funcionar como um projeto piloto entre outubro deste ano e janeiro de 2027.

O andar de 2mil m² está passando por reformas para receber toda a estrutura necessária para oferecer som e iluminação para os ensaios. O espaço também vai contar com palco, auditório que poderá ser utilizado para a realização de palestras e workshops e uma sala destinada a aulas de dança. 

“A ideia é que esta casa seja um espaço para que o carnaval aconteça o ano inteiro. Quando você vai ao Rio de Janeiro, tenho certeza que as pessoas querem ir ao ensaio da Mangueira. Aqui em Belo Horizonte nós estamos em frente à rodoviária para o turista descer e vir direto conhecer a Casa do Carnaval. É um projeto feito para ser turístico e representar nossa cidade no país”, explica Polly.

Geo Cardoso, fundador do Baianas Ozadas, um dos maiores de Belo Horizonte, vê a iniciativa como fundamental para apoiar os blocos. Ele acredita que, para que a folia continue seguindo um modelo saudável e seguro, o diálogo entre produtores, organizadores, e poder público é imprescindível. 

“É nesse espaço físico que o encontro acontece de pessoas, de sinergia, das artes, da cultura, da alegria acontece primeiro no ensaio e depois na avenida. É importante ter essa integração entre sociedade e o ente público”, afirma Geo.

Para Luci de Nanã, vice-presidente da Associação de Blocos Afro de Minas Gerais e coordenadora do Bloco Oficina Tambolelê, a criação da casa demonstra a importância do carnaval para a cultura belorizontina. 

“A gente entende que a engrenagem do carnaval é tão grande que precisa de uma estrutura bem maior para se organizar. O Bloco Oficina Tambolelê, por exemplo, que é na periferia, entende que essa proposta de formação e organização é muito importante. A gente precisa se capacitar e a gente entende que isso deve ser feito em conjunto”, disse Luci. 

Mais que um espaço de ensaio

Para Polly, a Casa será um espaço de troca e profissionalização das pessoas que fazem o carnaval. Por isso, um projeto voltado para a realização de cursos e oficinas já está aprovado via Lei de Incentivo à Cultura e está em fase de captação de recursos. Serão 15 cursos em cinco eixos de trabalho, entre eles: customização de abadás, confecção de estandarte, criação de portfólio, divulgação em redes sociais, assim como orientar os blocos a captar recursos.  

Futuramente, também há a possibilidade de apresentações regulares e a abertura para lojistas venderem itens e adereços voltados para o carnaval.

“O carnaval de BH se transformou em uma máquina econômica, o comércio cresce, os hotéis lotam, mas a gente vê os blocos sem recursos. Então, mais do que justo esse dinheiro que a festa gera ser usado para fomentar o próprio carnaval”, declarou Elias Tergilene, CEO do Grupo Doimo, responsável pela gestão do Shopping UAI. “O carnaval é o meio espetáculo do mundo e sem preconceito. Espero que esse projeto cresça e se torne do tamanho do carnaval de BH”, completa. 

O projeto é uma realização do estado de Minas Gerais por meio da Lei de Incentivo à Cultura e patrocinado pela Cemig. Serão destinados R$ 400 mil para seis meses de projeto, sendo quatro com a casa aberta, para custear gastos com funcionários, redes sociais e estruturas como luz, som e palco. 

“O carnaval traz a inspiração que mistura todas as raças e todas as classes. Que a gente transforme esse espaço da Casa do Carnaval em um espaço democrático e de acesso a todos”, disse a subsecretária de Cultura de Minas Gerais, Maristela Rangel.  

Como participar

Polly Paixão explicou que a reserva do espaço é gratuita e será feita por ordem de chegada por meio de um formulário. Questões como tamanho do bloco e necessidade de ensaiar a ala de dança serão levados em consideração.

Cada bloco poderá usar o espaço duas vezes por mês. A Casa do Carnaval funcionará com um ensaio por dia nos dias úteis à noite e cinco ensaios por dia nos fins de semana. A expectativa é de atender, considerando a rotatividade, cerca de 30 blocos por mês. 

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O link para inscrição dos blocos, segundo a organização, ainda será divulgado.

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