Professores de escolas particulares de Belo Horizonte e região vão cruzar os braços na próxima quarta-feira (16/9) em uma paralisação que pode afetar cerca de 25 mil estudantes na capital. A categoria está em campanha salarial desde março e decidiu interromper as atividades diante do impasse nas negociações com os representantes das instituições de ensino.
A estimativa de estudantes afetados é da presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), Valéria Morato. No mesmo dia da paralisação, às 9h, os professores fazem uma nova assembleia no auditório da entidade, na Rua Jaime Gomes, 198, no Bairro Floresta, para decidir os rumos do movimento e se a paralisação continuará por tempo indeterminado.
A decisão de cruzar os braços foi tomada em assembleia realizada na quinta-feira (10). Os professores também aprovaram o estado de greve e um indicativo de continuidade do movimento. A definição sobre a manutenção da paralisação ficará para a assembleia da próxima quarta-feira.
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“Ontem (quinta-feira) os professores ficaram muito indignados. É um acúmulo de indignação porque estamos em campanha desde março”, afirmou Valéria. Segundo ela, a expectativa é de uma boa adesão à paralisação.
Até a próxima quarta-feira, o sindicato pretende ampliar a mobilização com visitas às escolas, grupos e conversas com os docentes. A entidade também pretende envolver estudantes e familiares nas atividades.
“Vamos convocar também para estarem conosco as famílias, os estudantes. Ontem nós tivemos estudantes também na assembleia. Então vamos fazer um ato bem representativo”, disse a presidente do Sinpro Minas.
Impasse nas negociações
A categoria voltou a rejeitar a proposta patronal de dividir a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), atualmente válida para professores da educação básica e do ensino superior, em dois documentos. Os docentes defendem a manutenção da convenção unificada, sem alterações, além de reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
A principal divergência entre as partes está na divisão da convenção. Para o Sinpro Minas, a separação entre educação básica e ensino superior pode enfraquecer a negociação coletiva e colocar em risco direitos previstos atualmente no documento.
Entre os direitos citados pelo sindicato estão bolsas de estudos, isonomia salarial, adicional por tempo de serviço, adicional por atividade extraclasse e férias coletivas.
“Todos os direitos estão em risco com a divisão da convenção”, afirmou Valéria. Segundo ela, a discussão envolve não apenas as bolsas de estudos e a isonomia salarial, mas também outros direitos previstos na atual convenção.
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O Sinpro Minas representa professores da rede particular em mais de 400 cidades de Minas Gerais.
