MANIFESTAÇÃO

Famílias de alunos reafirmam apoio aos professores em BH

Com faixas espalhadas pela cidade e presença no tribunal, pais e mães apoiam a categoria contra a divisão da Convenção Coletiva e alertam para o impacto das multinacionais no ensino privado

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A disputa trabalhista entre o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) e o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) conta com manifestação organizada pelo Movimento das Famílias das Escolas Particulares, formado por pais, mães e responsáveis de alunos do ensino básico, fundamental e superior em apoio aos docentes.

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Faixas com os dizeres "Sinepe, assine a CCT. Nenhum direito a menos para quem ensina", entre outros, e assinadas por "Grupo das famílias", foram espalhadas em pontos estratégicos próximos a escolas e ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Belo Horizonte.



Embora a greve iniciada no dia 16 de setembro esteja temporariamente suspensa desde o dia 22, a categoria segue em mobilização. Caso não haja avanço nas negociações, as aulas podem ser paralisadas novamente. Para evitar o prejuízo aos estudantes, os pais de alunos da educação básica ao ensino superior decidiram intervir.

Entenda a paralisação e o impasse judicial

O impasse que motivou a intervenção dos pais se arrasta desde março, e é baseado na proposta Sinepe-MG: dividir a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em duas, separando a da Educação Básica e a do Ensino Superior.

Enquanto o sindicato patronal defende que a mudança atende às especificidades de cada uma das partes, os professores, representados pelo Sinpro Minas, denunciam que a medida fragiliza a categoria e abre margem para a perda de direitos históricos. Além da unificação do documento, os professores pedem a recomposição da inflação pelo INPC (3,77%) e a manutenção de cláusulas como bolsas de estudo, recesso e adicionais por trabalho extraclasse.

Com o impasse, a briga foi parar na Justiça do Trabalho. A expectativa é que o julgamento do Dissídio Coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG) ocorra entre o fim desse ano e o início de 2027, mantendo o alerta de novas paralisações.

O posicionamento do Sinepe-MG

Representando o Sinepe-MG, o advogado Mauro Grimaldi afirmou, em entrevista ao EM, que a assinatura do acordo depende de consenso. Segundo ele, o Sinepe-MG buscou conciliação no TRT ao manter os direitos já previstos na convenção anterior, mas com a divisão entre os níveis de ensino básico e superior.

Apesar do embate nos tribunais, a defesa do sindicato das escolas garante que a instituição continua disposta a dialogar antes da sentença final.

A voz dos pais

Representando mais de 20 colégios e faculdades de Belo Horizonte, o movimento dos pais surgiu logo no primeiro dia de paralisação dos professores. Rodrigo "Kiko" Torres, pai de dois estudantes – um de 11 e outro de 17 anos – e integrante ativo do movimento, explica que a articulação nasceu da necessidade de compreender quem estava emperrando as negociações.

"Procuramos os sindicatos para ouvir as duas partes. Ficou claro para nós que havia uma inflexibilidade por parte do sindicato patronal. Os professores não estavam pedindo aumento real, mas apenas a recomposição de perdas inflacionárias – com a qual o próprio Sinepe havia concordado –, além da manutenção da convenção unificada", afirma Kiko.

O grupo de pais concorda com a posição dos professores de que dividir a convenção coletiva apenas  fragiliza a representação dos trabalhadores.

"Essa divisão em duas CCTs não reduz custos para os colégios e não traz nenhum reflexo nas mensalidades que pagamos. O objetivo claro é desagregar o sindicato e diminuir o poder de barganha dos professores. Desde a reforma trabalhista, a balança do setor já ficou desequilibrada. Fragilizar ainda mais a categoria é inaceitável", avalia o representante.

Mudança de perfil do setor privado

Outro ponto fundamental destacado pelas famílias na análise do conflito é a transformação no perfil das escolas privadas na última década.

"Quando falamos de escola hoje, não estamos mais lidando com aquele colégio tradicional de bairro ou de uma família conhecida, onde o diretor era o proprietário. Hoje lidamos com grandes corporações, redes de ensino com capital aberto em bolsa de valores, fundos internacionais e estrutura de Sociedade Anônima (S.A.). Elas operam como instituições financeiras. A desproporcionalidade de força entre essa engrenagem milionária e os professores é brutal", enfatiza Kiko.

Ele recorda ainda do papel dos docentes durante o período crítico da pandemia de COVID-19, quando os professores migraram para o ensino remoto de forma repentina e abriram mão de reajustes e direitos.

"Na pandemia, os professores foram fundamentais. Trabalharam em um ambiente virtual hostil para o qual ninguém estava preparado, garantiram o ensino dos nossos filhos e tiveram reajuste zero. Suportaram perda de direitos que nunca foram recompostos. Não é justo que, agora, voltem a ser penalizados", pontua. 

Pressão familiar

A pressão do movimento não ficou restrita às faixas. Com autorização judicial, durante a audiência de conciliação promovida pelo TRT-MG, Rodrigo Kiko Torres pôde se manifestar em nome dos pais para alertar os desembargadores sobre os impactos do desgaste na rotina dos alunos.

"Tive a oportunidade de falar na audiência em nome das famílias. O que esperamos é que as escolas tradicionais e humanizadas pressionem a diretoria do Sinepe-MG para aceitar a proposta dos professores e assinar a CCT. Os pais não querem uma nova paralisação, mas, se essa for a única alternativa dos professores para garantir seus direitos, eles terão todo o nosso apoio", concluiu Kiko. (Com informações de Sofia Maia)

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*Estagiário sob supervisão da editora Vera Schmitz

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