BAIRRO CIDADE JARDIM

Mãe denuncia expulsão de filho agredido em colégio católico de BH

Aluno de 7 anos foi agredido dentro do Colégio São Paulo, no Bairro Cidade Jardim, na Região Centro-Sul da capital. Instituição contesta a mãe

Publicidade
Carregando...

Um aluno de 7 anos do Colégio São Paulo, no Bairro Cidade Jardim, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi expulso da instituição. Segundo a mãe, que prefere não ter o nome publicado, a intimação chegou nesta terça-feira (15/9). A criança havia sido agredida por outros estudantes em 17 de agosto. “A mensalidade é R$ 3 mil. É um dinheiro considerável. A gente paga achando que o nosso filho está seguro lá dentro e acontece isso? Não me deram nenhuma assistência”, declarou em entrevista ao Estado de Minas.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

No documento enviado à família, a instituição católica de ensino alega que a expulsão decorre de uma violação do regimento interno, mas não especifica qual regra exatamente, aponta a família, que, agora, tem prazo de 48 horas para retirar o menino do colégio. Procurada pelo EM, a assessoria da instituição não havia se posicionado sobre a expulsão até o fechamento desta publicação. O texto será atualizado caso ocorra resposta. A instituição de ensino, porém, já havia emitido comunicado à imprensa no mês passado. Saiba mais no fim da reportagem.

Segundo relato da mãe, o filho foi deixado na recepção do colégio, quando teria sido abordado por outros alunos. “Eles (referindo-se aos funcionários) me falaram que três ou quatro meninos do terceiro e quarto ano abordaram meu filho querendo o brinquedo dele. Ele não quis dar, colocou o brinquedo na mochila e levou a mochila para um cantinho. Foi quando esses meninos o agrediram”, relatou a mãe.

O garoto é aluno do primeiro ano. Os estudantes apontados como autores da agressão seriam de séries mais avançadas. A mãe afirma que a escola não informou a identidade ou a idade deles.

Contraturno

O menino teria chegado mais cedo à escola no dia da agressão porque a mãe trabalha e estava tentando contratar o serviço de contraturno oferecido pela instituição. Segundo ela, o horário regular de entrada seria às 12h50, mas a criança vinha sendo deixada por volta do meio-dia enquanto a contratação era discutida.

Ela afirma que havia comunicado previamente à escola que precisaria deixar o filho mais cedo e que acreditava que ele permaneceria em segurança na recepção.

A mãe também contesta a forma como a escola conduziu a negociação do contraturno. Segundo ela, após ser informada sobre a agressão, a instituição teria oferecido o serviço desde que ela também pagasse pelo almoço da criança.

“Eu não estava pedindo favor. Eu estava tentando contratar um serviço. E, depois do que aconteceu, me disseram que eu poderia contratar o contraturno, mas teria que pagar também pelo almoço”, afirmou.

Ela calcula que o custo adicional faria com que o valor pago à escola aumentasse significativamente. A mãe afirma ainda que o filho almoça em casa antes de ir para a instituição.

Mãe diz que só foi avisada horas depois

De acordo com a mãe, ela recebeu uma mensagem da recepcionista por volta das 15h, pedindo que participasse de uma reunião presencial com a direção. Ela chegou à escola por volta das 18h20 e afirma que, inicialmente, não encontrou o filho.

Na reunião, estavam a diretora, uma psicóloga e uma coordenadora. Foi nesse momento, segundo ela, que recebeu a informação de que o menino havia sido agredido.

“Quando falaram que ele tinha sido agredido, eu gelei. Eu pensei que meu filho poderia até estar no hospital. Já eram 18h20 e a agressão tinha acontecido por volta de 12h30”, afirmou.

A mãe diz que questionou por que não havia sido comunicada imediatamente. Segundo ela, o filho permaneceu na escola durante o restante do período e teria sido encaminhado para a sala de aula depois de procurar ajuda na recepção.

Criança contou que não conseguia se levantar

Após a reunião, a mãe procurou o filho e o encontrou assustado. Segundo ela, o filho começou a chorar e a levou até o local onde teria ocorrido a agressão.

“Ele pegou na minha mão e me levou para o cantinho. Disse: ‘Mamãe, foi aqui’. Eu perguntei por que ele não correu ou pediu ajuda. Ele respondeu que eles chutavam tanto que chegaram a chutar a boca dele e que ele não conseguia levantar”, contou.

Ainda conforme o relato da mãe, o menino disse que os agressores só deixaram o local depois que ele começou a chorar muito.

Ela afirma que, posteriormente, colegas de sala teriam contado à professora que o menino havia sido agredido. A mãe diz que a criança recebeu algum acolhimento da professora, mas permaneceu na escola até o fim do período.

Hematomas apareceram nos dias seguintes

No mesmo dia, a mãe levou o filho à polícia para registrar um boletim de ocorrência. Segundo ela, inicialmente foi orientada a procurar o Instituto Médico-Legal (IML) posteriormente, já que as marcas da agressão poderiam ficar mais visíveis nos dias seguintes.

Na quarta-feira (19/8), dois dias depois do episódio, a mãe afirma que o menino começou a reclamar de dores na barriga e na perna e teve dificuldade para se alimentar. Segundo ela, foi quando os hematomas ficaram mais aparentes.

"Quando fui reparar na perninha dele, estavam começando a aparecer os roxos das pancadas. A perna, as costas e os braços estavam roxos. Ele também reclamava de dor na barriga”, disse.

A criança foi levada ao IML, onde, conforme a mãe, passou por exame de corpo de delito. Ela também afirma ter feito uma representação na Polícia Civil.

Mãe questiona estrutura da escola

Professora, a mãe afirma que já trabalhou na instituição e, por isso, conhece parte da estrutura interna. Segundo ela, a quantidade de funcionários seria insuficiente para o número de alunos. “Eu sei, com propriedade, como funciona a estrutura. Não tem funcionários suficientes para dar conta do número de alunos”, completou.

O que diz o Colégio São Paulo?

No início de um extenso comunicado, o colégio pontua que a agressão aconteceu no “corredor da área externa da instituição”. Leia na íntegra:

O Colégio São Paulo BH, dirigido pelas Irmãs Angélicas de São Paulo, lamenta profundamente qualquer situação de conflito envolvendo seus alunos e reafirma que a segurança, o acolhimento e o desenvolvimento integral das crianças são compromissos permanentes da instituição.

Em relação ao episódio ocorrido no dia 17 de agosto de 2026, o Colégio esclarece que a situação aconteceu antes do horário regular de entrada dos alunos do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, que ocorre às 12h40, em um corredor da área externa da instituição.

Assim que o aluno relatou o ocorrido à colaboradora da recepção, a equipe realizou imediatamente o acolhimento da criança, buscou compreender o que havia acontecido e verificou suas condições físicas. Naquele momento, não foram identificadas lesões ou escoriações aparentes.

Na sequência, o aluno foi encaminhado à professora e à coordenação, que iniciaram imediatamente a apuração dos fatos, ouvindo os alunos envolvidos e verificando as condições de cada um. A instituição adotou, desde então, os procedimentos internos de apuração e acompanhamento da ocorrência.

Como medida disciplinar, os alunos envolvidos foram retirados das atividades escolares ainda naquele dia. Seus responsáveis foram chamados ao Colégio e receberam as devidas orientações, sendo também realizados os registros da ocorrência.

A equipe do Colégio São Paulo entrou em contato com a responsável pelo aluno que informou ter sido agredido, comunicando que havia ocorrido uma situação envolvendo ele e outros estudantes e solicitando o comparecimento ao Colégio para os esclarecimentos necessários.

A responsável informou que poderia comparecer somente às 18h. Respeitando essa disponibilidade e considerando que a situação estava controlada, a reunião foi realizada nesse horário, com a participação da equipe responsável pelo acompanhamento do caso. O Colégio manteve, naquele momento, postura profissional, buscando acolher a família e prestar todos os esclarecimentos disponíveis.

O Colégio ressalta, ainda, que já vinha orientando a família quanto à necessidade de que o aluno não permanecesse nas dependências da instituição antes do horário regular de entrada, uma vez que, antes desse horário, não está iniciada a rotina regular de atendimento e acompanhamento dos alunos dos Anos Iniciais.

Essa não era, portanto, uma situação desconhecida pela família. A responsável já havia sido anteriormente orientada pelo Colégio a não deixar a criança no portão antes do horário de entrada, justamente por questões relacionadas à segurança e à responsabilidade pela supervisão dos alunos antes do início das atividades escolares.

O Colégio São Paulo compreende as necessidades das famílias e, justamente por isso, busca oferecer alternativas adequadas de permanência e acompanhamento aos alunos antes do início das atividades regulares.

É importante destacar que a reportagem apresenta uma narrativa sob a perspectiva de uma das partes. O Colégio respeita o direito de manifestação de todos, mas não pode concordar que uma versão unilateral seja tomada como retrato integral dos fatos, especialmente quando existem circunstâncias anteriores e posteriores ao episódio que precisam ser consideradas.

É relevante observar que, apesar da denúncia e manifestações dirigidas contra o Colégio São Paulo, a mãe não demonstrou qualquer intenção de retirar a criança da escola, permanecendo interessada na continuidade da prestação dos serviços educacionais oferecidos pelo CSP, que vem sendo alvo de suas acusações.

Toda ocorrência envolvendo crianças merece ser tratada com seriedade. Da mesma forma, merece uma apuração responsável, que considere o contexto, as circunstâncias e as diferentes versões envolvidas, evitando conclusões precipitadas.

Desde o primeiro momento, o Colégio São Paulo BH vem prestando assistência e acompanhamento às famílias envolvidas, mantendo-se disponível para os esclarecimentos necessários e colaborando com os órgãos competentes.

O CSP também informa que está encaminhando todos os esclarecimentos e documentos solicitados pelas autoridades competentes, contribuindo para que os fatos sejam devidamente apurados.

O Colégio São Paulo BH é uma instituição de ensino comprometida com uma educação que passa pelo coração, pautada no respeito, na formação integral, no diálogo, na responsabilidade e na segurança de seus alunos. Situações de conflito são tratadas com seriedade, seguindo os protocolos institucionais e as medidas pedagógicas e disciplinares cabíveis.

Nesse sentido, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais – Sinepe/MG manifestou formalmente, nesta data, sua confiança e reconhecimento à trajetória institucional do Colégio São Paulo, destacando sua idoneidade, responsabilidade e compromisso educacional.

O Sinepe/MG também ressaltou a trajetória do Colégio, presente em Belo Horizonte desde 1939, reforçando a importância de que situações envolvendo a instituição sejam analisadas com responsabilidade, proporcionalidade e respeito à verdade.

O Colégio São Paulo não se exime de suas responsabilidades e tampouco minimizará qualquer situação que envolva seus alunos. Ao contrário, continuará adotando todas as providências necessárias para que os fatos sejam devidamente esclarecidos.

Reafirmamos que a segurança dos nossos alunos é prioridade absoluta e que todos os colaboradores são orientados a agir prontamente diante de qualquer intercorrência.

O Colégio São Paulo BH não compactua com qualquer forma de violência ou desrespeito no ambiente escolar e continuará adotando as providências necessárias para preservar seus alunos, suas famílias e seus colaboradores, sempre respeitando o direito de todas as partes à apuração responsável dos fatos.

Por envolver crianças, nossa instituição preservará a identidade e a privacidade dos alunos e não fará comentários individualizados sobre os envolvidos, limitando-se aos esclarecimentos institucionais necessários.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Direção Colégio São Paulo

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay