Seis tipos de sangue estão em nível crítico ou de alerta em Minas
O+ e O- permanecem em situação crítica; número de candidatos à doação ficou praticamente estável entre 2019 e 2025, enquanto demanda por transfusões aumentou
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Os estoques de seis dos oito tipos sanguíneos acompanhados pela Fundação Hemominas estão em níveis críticos ou de alerta em Minas Gerais. Na atualização mais recente, divulgada na terça-feira (8/9), os tipos O positivo (O+) e O negativo (O-) permaneciam em situação crítica, enquanto A positivo (A+), A negativo (A-), B positivo (B+) e B negativo (B-) estavam em alerta. Apenas o AB positivo (AB+) era classificado como estável e o AB negativo (AB-), como adequado.
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Embora os estoques tenham apresentado melhora nas últimas semanas, segundo a Hemominas, o quadro ainda exige atenção. A situação é agravada pelo descompasso entre a quantidade de pessoas que doam sangue e a demanda dos hospitais. Dados apresentados pelo secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, mostram que o número de candidatos à doação praticamente não mudou entre 2019 e 2025, enquanto a necessidade de transfusões aumentou no período.
Em 2019, foram registrados 348.158 candidatos à doação em Minas. Seis anos depois, em 2025, foram 348.112, apenas 46 a menos. Para Baccheretti, a estabilidade não acompanha o crescimento da demanda por sangue na rede de saúde.
"Hoje a gente vê uma relação de aumento de necessidade de sangue com uma estabilização do número de doadores", afirmou o secretário à reportagem.
A Fundação Hemominas coletou 281.928 bolsas de sangue em 2025, uma média de aproximadamente 24 mil bolsas por mês. A partir desse material, foram produzidos 778.822 hemocomponentes, como concentrados de hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado.
Uma única doação pode beneficiar até quatro pacientes, já que o sangue é separado em diferentes componentes.
A rede é responsável por mais de 95% da cobertura hemoterápica de Minas e atende hospitais e pacientes em praticamente todo o estado.
O positivo e O negativo seguem críticos
O tipo O negativo é considerado doador universal de hemácias e tem utilização importante em atendimentos de emergência, principalmente quando é necessário realizar uma transfusão rapidamente e não há tempo para concluir a identificação do tipo sanguíneo do paciente.
Os dois tipos O, no entanto, permanecem na faixa mais preocupante do estoque. Na atualização de 8 de setembro, O+ e O- estavam classificados como críticos.
O A+ apresentou melhora nas últimas semanas. Em 27 de agosto, o tipo estava em nível crítico e passou para a classificação de alerta na atualização mais recente. A mudança, contudo, não alterou o quadro geral: seis dos oito tipos sanguíneos ainda não estão em situação considerada segura.
A Hemominas ressalta que os estoques variam diariamente. As bolsas são utilizadas continuamente em hospitais para atender situações de urgência e emergência, cirurgias, tratamentos oncológicos, transplantes e outros procedimentos.
Por isso, uma melhora pontual não significa que o abastecimento esteja normalizado. A orientação da Fundação é que as doações continuem sendo feitas regularmente.
Mais cirurgias, mesma quantidade de doadores
O aumento da demanda por sangue é relacionado, segundo Baccheretti, principalmente à expansão dos procedimentos realizados pela rede pública e ao envelhecimento da população.
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De acordo com o secretário, Minas Gerais atualmente realiza cerca do dobro de cirurgias eletivas que realizava há alguns anos. Ele cita também o crescimento da demanda na oncologia e o aumento da presença de pacientes idosos, que podem apresentar anemias, doenças crônicas e cânceres que exigem transfusões.
O cenário cria uma pressão adicional sobre os estoques. Se a quantidade de doadores permanece estável enquanto aumenta o número de procedimentos e pacientes que podem precisar de transfusão, a margem de segurança tende a diminuir.
Segundo os dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde, Minas está próximo de 1% da população como doadores habituais. A referência citada pela Hemominas é de 3%.
O secretário defende que o estado chegue a pelo menos 2% de doadores habituais para ampliar a margem de segurança dos estoques.
Cirurgias eletivas podem ser afetadas
A situação dos estoques também pode ter impacto sobre o planejamento dos hospitais.
Segundo o secretário, não há previsão de deixar pacientes em situação de emergência sem sangue, porque a Hemominas acompanha os estoques e faz a distribuição dos hemocomponentes entre as unidades.
O cenário é diferente para procedimentos que podem ser programados. Cirurgias eletivas podem ser adiadas ou canceladas temporariamente quando a disponibilidade de sangue não é suficiente para garantir a segurança do atendimento.
"Já aconteceu em alguns hospitais da gente precisar cancelar a cirurgia por falta de hemoderivado", afirmou Baccheretti.
Férias e feriados reduzem doações
Além da diferença entre oferta e demanda, o número de doações sofre influência de períodos específicos do ano. Baccheretti cita as férias escolares e os grandes feriados como momentos em que a procura pelos postos de coleta costuma diminuir.
Julho, por exemplo, é apontado como um período de redução nas doações. Agosto e setembro também podem ser mais difíceis para os estoques, em razão do período posterior às férias escolares.
O mesmo ocorre no início do ano, após as férias de dezembro e janeiro.
A questão é especialmente relevante porque a utilização do sangue pelos hospitais não acompanha necessariamente essa sazonalidade. As transfusões continuam sendo necessárias diariamente, independentemente do período de férias ou de feriados.
Doação depende de participação regular
A manutenção dos estoques depende da entrada contínua de novas bolsas. Como o sangue não pode ser produzido artificialmente nem substituído por outro produto, períodos de baixa nas doações podem comprometer a capacidade de resposta da rede.
A Hemominas destaca que a necessidade não se limita às emergências. O sangue é utilizado diariamente em cirurgias, tratamentos contra o câncer, transplantes e diversos outros procedimentos.
De forma geral, podem doar pessoas de 16 a 69 anos que estejam em boas condições de saúde e pesem mais de 50 quilos, respeitados os critérios específicos para cada faixa etária.
Também é necessário estar alimentado e descansado e apresentar documento oficial de identificação. Todos os candidatos passam por uma triagem antes da coleta.
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