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Meu Bolinho: investidores reclamam de prejuízos de ‘airbnb’ de festas em BH

Em entrevista ao Estado de Minas, empresário responsável pela plataforma alega problemas de saúde, os quais, segundo ele, o afastaram das atividades da empresa

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Investidores da Meu Bolinho, uma startup de Belo Horizonte que prometia conectar clientes e empresas fornecedoras de artigos para festas, reclamam de prejuízos que chegam a mais de R$ 100 mil. A empresa era vendida como um “airbnb” de festas, uma plataforma e aplicativo onde clientes poderiam encontrar e contratar fornecedores de alimentos, decoração, além de outros itens para festas e eventos.  

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Segundo alguns investidores ouvidos pelo Estado de Minas, Alexandre Abreu, conhecido promoter e empresário, usava sua experiência, rede de contatos e credibilidade no mercado de eventos da capital para apresentar o projeto e conseguir captar os recursos. Eles acreditam que o empresário tenha conseguido quase R$ 1 milhão. Porém, o negócio nunca deslanchou.   

Os advogados Rubens Oliveira do Nascimento, de 37 anos, e Daniel Souza Carvalho, de 30, estão entre os cerca de 35 investidores da startup. Os dois investiram R$ 50 mil na empresa, cada um aportou R$ 25 mil. Nascimento conta que conhecia Abreu há cerca de 12 anos e tinha uma relação de confiança com ele. Por isso, decidiu participar do negócio. Além disso, indicou amigos para também investirem. Segundo o advogado, há investidores que aportaram mais de R$ 100 mil. 

Segundo ele, os contratos foram assinados em meados de 2025. O empresário fazia reuniões periódicas em que apresentava uma suposta evolução do negócio. Houve evento de lançamento da marca e a divulgação contou até com a participação do ator Cauã Reymond. Porém, com o passar do tempo, os investidores começaram a perceber que as rodadas de captação de recursos continuavam, sem que houvesse a concretização da plataforma ou do aplicativo. 

O perfil da empresa no Instagram continua ativo com quase 82 mil seguidores.

Empréstimo e sumiço 

Os advogados viram a situação se agravar quando, em fevereiro deste ano, Abreu os procurou dizendo atravessar dificuldades momentâneas de caixa e pedindo um empréstimo para pagar os funcionários da empresa. Em razão da confiança que tinham nele, decidiram emprestar R$ 25 mil, que seriam pagos em duas parcelas. A primeira teria sido paga, com atraso. Porém, próximo ao vencimento da segunda parcela, Nascimento afirma que Abreu teria parado de responder mensagens, ligações ou qualquer outro contato. Além disso, as prestações periódicas de contas também não foram mais feitas. 

Em junho, eles decidiram registrar um boletim de ocorrência. Segundo Nascimento, o empresário também pediu empréstimo a outros investidores.  

Diante da falta de comunicação do empresário, o advogado diz que procurou o endereço residencial de Abreu, mas o porteiro alegou que não havia ninguém no local. “Mandei mensagem para os irmãos dele. A irmã respondeu que o irmão estava internado com pneumonia, incomunicável por um tempo e, em breve, daria retorno”, pontua. 

Nascimento conta ainda que procurou outros investidores para saber se alguém sabia de alguma coisa. “Todos estavam preocupadíssimos, ninguém sabia de nada.” Então, foi até a empresa do irmão de Abreu, Henrique, em busca de informações e ficou sabendo de um problema de saúde. 

Segundo o advogado, Abreu já esteve envolvido em outras ações judiciais por falta de pagamento.

Muito dinheiro sem renda

O empresário Manir Donato, de 34, a noiva, a irmã e o cunhado dele também investiram na empresa. Os quatros estão entre os maiores investidores do negócio. 

Donato conta que eram feitos encontros mensais com a apresentação da prestação de contas. “Mas chegou um momento que começamos a perceber que estava gastando muito dinheiro e sem renda. O portal nunca saiu, falava que o aplicativo estava para sair, que estava conversando com o desenvolvedor. Mas não sabemos no que o dinheiro estava sendo gasto”, ressalta. Além disso, Abreu teria pegado vários empréstimos sem comunicar os investidores. 

Donato afirma ainda que um dos investidores, também empresário, estaria disposto a comprar a empresa, assumindo as dívidas. “Nos prontificamos a ajudá-lo a vender a empresa. Mas como ele sumiu, o investidor acabou desistindo”, lamenta. 

Ele conta que depois de um tempo sumido, Abreu comunicou aos investidores sobre questões de saúde que o obrigaram a se afastar das atividades. Ainda se reuniu com alguns deles há cerca de dois meses, prometendo resolver os problemas e desapareceu novamente. 

“Nessa reunião, pedimos uma prestação de contas para sabermos qual o real cenário da empresa e pedimos que fizesse o aplicativo. Ele pediu 15 para uma nova reunião e, a partir desse momento, ninguém mais ouviu falar nele”, afirma. Segundo Donato, a prestação de contas não foi feita. 

Álvaro Castro, de 28, atuou como gerente de Operações da empresa, de agosto de 2025 a março deste ano. Ele conta que tinha um círculo de amigos em comum com Alexandre Abreu e foi convidado a integrar a equipe. 

“Disse que precisava de alguém com o meu perfil. Seria um braço direto para poder apoiá-lo e gerenciar todos os times”, explica. Segundo Castro, quando chegou, a empresa tinha outros três funcionários. Nos três primeiros meses, essa era a equipe. 

“A empresa cresceu muito, mas não em receita. Nós quatro ficávamos no escritório e outros terceirizados ficavam na parte da plataforma. Depois os funcionários aumentaram ainda mais. Foram contratados para atuar no comercial, marketing e produtos”, destaca. Mesmo com toda essa equipe não havia um único cliente, de acordo com Castro. “A empresa era toda mantida pelos investidores”, frisa. 

O funcionário lembra que participava das reuniões de captação de recursos e convidava as pessoas para investir. Cada rodada o valor era mais alto. Ele diz que quando saiu, em março deste ano, a empresa tinha cerca de 32 investidores. “A empresa não tinha nenhuma receita de mercado, dos produtos. Não gerava uma receita. A operação era mantida com dinheiro dos investidores”, reforça. 

Salários atrasados

Castro afirma que percebeu que algo estava errado quando os salários começaram a atrasar. “A partir do quarto mês de trabalho, meu salário atrasava. Percebi que a empresa não tinha fôlego. Mesmo sem gerar receita, ele aumentava o time. O único crescimento que a empresa teve foi o número de seguidores no Instagram, mas isso não gerava recursos significativos”. 

A plataforma não tinha empresas cadastradas e os anúncios no Instagram é que geravam lucro. “Tinha um erro. Time inflado, salários que não eram pagos, as contas eram pagas com recursos dos investidores.”

A situação se agravou quando ele descobriu os empréstimos para quitar as contas. “Foi uma bola de neve e no final das contas não pagou absolutamente ninguém. Os restaurantes onde eram feitas as captações também não recebiam. Chegou uma hora que não tinha mais nem crédito”, lembra. 

Ele diz que outros funcionários desligados da empresa também não receberam salários e acertos. A última vez que Abreu respondeu alguma de suas mensagens, segundo Castro, foi há cerca de três meses. 

“Ele não responde minhas mensagens, não atende o telefone. Simplesmente sumiu. Ele foi extremamente irresponsável com as pessoas. Sabia que não dava conta e mesmo assim contratava pessoas, além de enganar os investidores prometendo ‘mundos e fundos’ na captação e não gerar resultado nenhum”, desabafa. 

Problemas de saúde e internação     

Em entrevista ao Estado de Minas, Alexandre Abreu afirma que precisou se afastar da empresa por problemas de saúde. 

“A startup vive da captação de recursos. Chegou um momento em que não estávamos conseguindo captar e a folha de pagamento estava em aberto”, explica. 

Ele confirma que pediu empréstimo aos investidores para pagar funcionários. “Como não estava conseguindo captar mais e as coisas foram apertando porque precisei pegar dinheiro emprestado.” 

Por causa da situação, segundo o empresário, ele enfrentou problemas de saúde que o levaram a uma internação, além de enfrentar questões de saúde mental. 

Abreu alega que Nascimento teria ido ao escritório da empresa e seu irmão, Henrique, teria explicado o motivo do afastamento. Ainda de acordo com ele, em 11 junho enviou a todos os investidores um e-mail em que explica os motivos do afastamento e se comprometeu a fazer uma reunião com todos entre 30 e 45 dias. 

O empresário afirma também que houve prestação de contas para todos os investidores. 

O Estado de Minas procurou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) que informou, em nota, ter localizado, até o momento, dois registros de ocorrência relacionados ao caso. 

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“Procedimentos investigativos foram instaurados com o objetivo de apurar a materialidade dos fatos e confirmar a autoria. As vítimas serão intimadas nos próximos dias. Todas as providências legais cabíveis serão adotadas. Outras informações poderão ser divulgadas oportunamente, conforme o avanço das diligências e observados os limites legais”, informou a corporação.

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