A mineira Priscila Álvares Pereira dos Santos, de 33 anos, morreu afogada após entrar no Rio Delaware, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, para tentar salvar uma menina de 9 anos que estava se afogando. Priscila conseguiu empurrar a criança em direção à margem, onde ela foi retirada da água em segurança, mas não conseguiu retornar. 

O acidente aconteceu na tarde de segunda-feira (24/8). Priscila estava no local com os filhos e outras pessoas quando percebeu que a menina de 9 anos estava em perigo na água.

A mineira entrou no rio para tentar salvá-la. Segundo familiares, Priscila conseguiu chegar até a criança e empurrá-la em direção à margem. Outras pessoas conseguiram retirar a menina da água em segurança, mas Priscila não conseguiu voltar.

As buscas começaram por volta das 16h e foram interrompidas às 21h45. Os trabalhos foram retomados na manhã seguinte, por volta das 6h30. O corpo da mineira foi localizado aproximadamente às 8h15, a cerca de seis metros da praia, na região do Parque da Ilha Amico, no dia em que completaria 34 anos.

A mineira havia se mudado para os Estados Unidos há quase cinco anos. Natural de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ela foi para o país com o marido, Alex Cândido do Nascimento, que também é mineiro. O casal viajou acompanhado do filho mais velho de 9 anos. O filho mais novo, de 3 anos, nasceu nos Estados Unidos.

Segundo Pablo Álvares, irmão de Priscila, ela viveu durante todo o período em Nova Jersey. A mudança, de acordo com ele, ocorreu principalmente por motivos profissionais e pela busca por melhores condições de vida para a família.

“Ela foi mais para trabalho, para buscar uma melhora”, contou.

Segundo o irmão, não havia outros familiares próximos nos Estados Unidos além dela. Ao lado do marido, ela construiu a vida da família no país.

Vaquinha 

Após a tragédia, familiares e amigos iniciaram uma campanha de arrecadação para ajudar Alex e os dois filhos do casal, de 9 e 3 anos.

A vaquinha tem meta de US$ 55 mil. Até esta sexta-feira (28), mais de US$ 35 mil haviam sido arrecadados, o equivalente a aproximadamente 65% do objetivo.

Os recursos devem ser utilizados para custear despesas relacionadas ao funeral e ao traslado do corpo para o Brasil. A campanha também prevê auxílio para aluguel, alimentação, perda de renda, cuidados com as crianças, acompanhamento do desenvolvimento do filho mais novo e futuras despesas educacionais.

Segundo Pablo, a família não esperava uma mobilização tão grande. “A gente não esperava. Nessas horas a gente vê tanto pela atitude dela quanto porque a gente também tem muitos amigos. Ela era muito querida, era uma pessoa muito boa”, afirmou.

Pablo acredita que o dinheiro já arrecadado deverá ser suficiente para viabilizar o traslado do corpo. Ainda assim, segundo ele, existem questões burocráticas que precisam ser resolvidas antes do retorno ao Brasil.

“Eu acredito que já pode trazer. Só que tem essa parte burocrática mesmo, investigação e essas coisas”.

O filho mais novo é autista não verbal. Priscila tinha papel importante nos cuidados diários e na rotina do menino, além de auxiliar na comunicação e nas necessidades dele. Com a morte da esposa, Alex passou a lidar com a responsabilidade de cuidar dos dois filhos enquanto enfrenta o luto pela perda de Priscila.

A campanha prevê também recursos para cuidados infantis, acompanhamento do desenvolvimento do filho mais novo e outras necessidades das crianças.

Mineira havia sido batizada no mesmo rio

O Rio Delaware, onde ocorreu o acidente, também tinha um significado especial para Priscila e era frequentado pela comunidade em momentos de lazer. Segundo o irmão, cerca de dois meses antes da morte, ela havia sido batizada pela igreja que passou a frequentar justamente naquele local. 

“Esse rio era utilizado também por toda a comunidade. Inclusive, a minha irmã acabou se tornando uma pessoa frequente numa igreja e há dois meses ela tinha sido batizada justamente nesse mesmo local”, relatou Pablo.

Há dois meses a mineira tinha sido batizada no mesmo rio

Reprodução/Arquivo pessoal

No Brasil, a família também tenta lidar com a perda. A mãe de Priscila, Rita Álvares, que mora em Betim, está passando alguns dias na casa de outro filho, em Viçosa, na Zona da Mata, para receber apoio dos familiares neste momento de luto.

Segundo Pablo, a preocupação com a mãe é ainda maior porque ela tem problemas cardíacos. Ele e o irmão foram até ela após a morte de Priscila.

“Minha mãe já tem uns probleminhas de coração. Acho que é o pior mesmo da nossa preocupação também, é ela. Foi por isso que eu fui lá para dar um conforto para ela. Meu irmão também foi. Ele levou minha mãe para a casa dele para ela poder ficar lá com ele”, contou.

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A reportagem entrou em contato com o Itamaraty em busca de informações sobre o caso e sobre o traslado do corpo de Priscila para o Brasil, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem.

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