Arte, história e, principalmente, preparação de crianças e adolescentes para manter uma bela e sonora tradição. Em Sabinópolis, na Região do Rio Doce, em Minas Gerais, a Banda Maria Imaculada completa 88 anos, em 2026, encantando moradores e visitantes e mantendo um projeto em andamento de formação de jovens músicos. No sábado (15/8), dia consagrado à Assunção de Nossa Senhora, haverá apresentação da corporação no Centro da cidade, distante 267 quilômetros de Belo Horizonte, durante o cortejo do Reinado.

“É uma data muito importante em Sabinópolis. Nesse dia, a população da cidade, que é de 15 mil habitantes, praticamente dobra”, conta Sebastião Rodrigues de Oliveira Júnior, presidente da Sociedade Corporação Musical Banda Maria Imaculada. Sob a regência do maestro Hayer de Araújo Abreu, estão 43 músicos em cena.

Sebastião explica que a comemoração dos 88 anos da banda será em 8 de dezembro, quando se celebra o Dia de Nossa Senhora da Conceição. “Então, até dezembro, teremos tempo suficiente para organizar uma festa bem bonita e contar essa história”, afirma.

Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), há registro de 601 bandas presentes em 381 municípios mineiros. As bandas de música são reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep).

Para o sábado, a paróquia, que tem à frente o padre José Geraldo e está vinculada à Diocese de Guanhães, preparou uma programação especial para todo o dia, com o cortejo do Reinado começando às 9h, e participação de vários grupos folclóricos, incluindo congado, cabocladas, marujada e outros. “Nossa banda é formada por voluntários e desenvolve programas para atender a todas as crianças, e tem sido assim ao longo de décadas”, diz o presidente da Sociedade. A missa está prevista para as 10h, ao final do cortejo, e haverá as barraquinhas com comidas e bebidas típicas da região.


NOVA GERAÇÃO


A criação da banda mirim, dentro da corporação, foi idealizada pelo maestro Hayer de Araújo Abreu, de 69 anos, nascido e criado em Sabinópolis e participante da Banda Maria Imaculada desde jovem. “Eu me formei em música em 1972, e comecei, naquele ano, a fazer parte da banda. Dos 54 anos em atuação, sou maestro há 41”, diz o regente que vê com bons olhos as novas gerações, pois tem dois filhos “multi-instrumentistas” – Danilo Coelho de Araújo Abreu e Isa Coelho Araújo Abreu –, ambos músicos da banda.

Trompetista, Hayer está satisfeito com o interesse dos jovens pela teoria e prática e por instrumentos, entre eles bombardino, clarinete, flauta, sax, trombone e outros. “Na banda mirim, temos 19 alunos, sendo 14 crianças e cinco adolescentes. Notamos que, há alguns anos, apenas 30% dos que iniciavam as aulas chegavam ao final. Hoje, felizmente, esse percentual atinge de 50% a 60%”, orgulha-se o maestro.

HISTÓRIA

A banda de Sabinópolis foi criada por monsenhor José Amantino (1893-1969). “Por quase nove décadas, ela se transformou em um dos maiores símbolos culturais e religiosos da nossa comunidade, atravessando gerações, preservando histórias e fortalecendo memórias”, diz o presidente da Sociedade Corporação Musical Banda Maria Imaculada, Sebastião Rodrigues de Oliveira Júnior.

Sebastião observa que, hoje, músicos de diferentes idades fazem parte dessa corporação, “mantendo viva a tradição que ultrapassa as fronteiras do município e alcança toda a região, levando música, cultura e emoção por onde passa”.

Na tradicional Festa de Nossa Senhora do Rosário, o maior evento religioso e cultural de Sabinópolis, que vai até domingo (16/8), a Banda Maria Imaculada está presente em todos os momentos. “A participação começa logo na abertura da festa, ao meio-dia, com o tradicional bater dos sinos.” Durante o novenário, a banda acompanha a movimentação das barraquinhas e acompanha os diversos momentos da programação.

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Quilombo protegido


O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entregou as obras de reforma e contenção de encostas na comunidade quilombola Manzo Ngunzo Kaiango, localizada no Bairro Bonanza, em Santa Luzia, na Grande BH. A intervenção recebeu investimento de R$ 1,18 milhão em recursos do acordo de reparação com a Vale, e pôs fim ao risco de deslizamento de terra no local. Além de proteger o terreno, o projeto reconstruiu os espaços comunitários e sagrados do quilombo. Segundo o MP, ao longo de dois anos de obras, cada etapa foi conversada com as lideranças do quilombo. Do material de acabamento ao modo de circulação pelo terreno, as mudanças respeitaram os rituais e os espaços considerados sagrados para a comunidade Bantu. O Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango é reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais (2018).


Veja o documentário da Banda Imaculada no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=vn5I-eCMjmM&t=269s

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