SEQUESTRO NA GRANDE BH

Envolvidos em sequestro e morte de menina de 8 anos viram réus

Justiça de Minas aceita denúncia contra pai da menina Evellyn Jasmin Machado Acácio e outros três suspeitos do crime que ocorreu em 2023

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A Justiça de Minas tornou réus as quatro pessoas indiciadas por envolvimento no sequestro e assassinato de duas mulheres e uma criança, em junho de 2023, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação foi confirmada na tarde desta quinta-feira (27/8), mesma data em que a Polícia Civil (PCMG), três anos após o crime, apresentou os detalhes do inquérito policial que confirmou a morte da menina Evellyn Jasmin Machado Acácio, de 8 anos à época.

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Em nota, a Vara Criminal da Comarca de Sabará informou que a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) foi acatada. Com o recebimento da denúncia, tornaram-se réus na ação penal Sildirley Silva Acácio Machado, pai de Evellyn e mandante do crime; Sheila Cerqueira Gonçalves, Alex Lucas de Almeida e Brayan Silva de Oliveira.

De acordo com o Tribunal de Justiça (TJMG), o processo tramitará pelo procedimento do Tribunal do Júri, competente para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida e outros delitos. Também foi determinado que os acusados apresentem resposta à acusação, por escrito, no prazo legal de 10 dias.

Conforme a decisão, permanecem mantidas as prisões preventivas de Sildirley Silva Acácio Machado, Sheila Cerqueira Gonçalves e Alex Lucas de Almeida. O quarto envolvido, Brayan Silva de Oliveira, morreu no curso das investigações, em 2024. "Em razão da natureza dos fatos e da existência de vítima menor de idade, os autos tramitam sob segredo de justiça", comunicou o TJMG. Isso significa que, depoimentos, laudos periciais e diligências investigativas não podem ser divulgados.

Relembre o caso

O mandante do crime, ocorrido em 21 de junho de 2023, é o ex-marido de Katlyn Oliveira e pai de Evellyn Jasmin, Sildirley Silva Acacio Machado. Ele teria planejado sequestrar a mãe da menina para agredi-la e deixá-la cega. Conforme o delegado, a motivação seriam as postagens feitas por Katlyn nas redes sociais, em que responsabilizava o investigado pela morte de seu companheiro, em 2022.

O pai da menina acreditava que se deixasse a mulher cega, ela pararia de denunciá-lo online, segundo as investigações. Meses antes, Sildirley já havia mandado quebrar as pernas da mulher e a estuprar. Ele então mandou sequestrar Katlyn. Vale lembrar que os crimes foram orquestrados por ele enquanto já estava preso em penitenciária de segurança máxima, no Norte de Minas.

No dia do crime, os dois homens réus foram a um salão de beleza, em Sabará, sequestrar a mulher. A cabeleireira e amiga dela, Ana Raquel Brito, tentou impedir o sequestro e acabou sendo morta com um golpe de martelo na cabeça. O corpo da profissional foi encontrado por policiais militares dois dias após a morte, em um carro abandonado na BR-040, próximo ao Bairro Morada Nova, em Contagem, na Grande BH. O veículo teria sido emprestado pela proprietária Sheila – uma das indiciadas – para a execução das mortes e para levar o corpo de Sabará para Contagem.

Mãe e filha foram levadas. No percurso, a mãe da menina pulou do veículo para tentar fugir, mas foi perseguida e executada. Durante patrulhamento no Bairro Nações Unidas, os militares encontraram o corpo de Katlyn caído no meio da via, com exposição de massa encefálica. A vítima portava maconha e o cartão do salão da outra vítima. Imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento em que a mãe de Evellyn é vista correndo no meio da rua. Ela é interceptada por um carro e, em seguida, disparos são feitos em sua direção. 

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Após isso, a criança foi levada para um sítio em Ravena, distrito de Sabará, onde foi mantida em cativeiro durante o dia todo. Ao final do mesmo dia, os dois suspeitos, sem conseguir contato com o pai dela, e por temerem serem reconhecidos caso a menina fosse libertada, resolveram matá-la. Evellyn conhecia os envolvidos. A criança foi levada para uma área de mata onde ocorreu o assassinato e o corpo, desovado. O local foi indicado por um dos suspeitos, que confessou o crime. Em julho deste ano, a PCMG fez buscas na região, mas o corpo não foi localizado.

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