NOSSA HISTÓRIA/NOSSO PATRIMÔNIO

Dia do Patrimônio Cultural e o pioneiro na preservação

Neste dia, todas as homenagens ao mineiro de BH que apontou os caminhos para defesa e proteção dos bens históricos no Brasil

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Nós, brasileiros, celebramos hoje o Dia do Patrimônio Cultural e reverenciamos a memória de um belo-horizontino pioneiro na preservação dos bens históricos do país, a exemplo de conjuntos arquitetônicos, acervo sacro e obras de arte. Em 17 de agosto de 1898, quando a capital mineira tinha apenas oito meses de inaugurada, nascia Rodrigo Melo Franco de Andrade. Com raízes familiares em Paracatu e Ouro Preto, o advogado, jornalista e escritor foi o primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), à frente do qual ficou por três décadas.

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Nunca é demais bater na tecla de que “todo dia é dia do patrimônio”, mas datas são importantes para conscientizar sobre nossos tesouros dos períodos colonial, imperial e republicano. Na lista, há igrejas, capelas, mosteiros, prédios públicos, monumentos e todo o casario que enriquece capitais e cidades do interior. Foi tudo isso e muito mais que o mineiro viu e buscou proteger.


Especialmente para esta coluna, a filha de Rodrigo M.F. de Andrade, a professora Clara Alvim, de 90 anos, cedeu duas fotos pertencentes ao álbum de família. Na primeira, datada possivelmente de 1918, o belo-horizontino está com o uniforme do Tiro de Guerra (possivelmente em 1918), ao lado da mãe, Dália Mello Franco de Andrade. Na outra, Rodrigo e a esposa, Graciema, posam, em 1933, no Rio de Janeiro, com os filhos Rodrigo Luiz e Joaquim Pedro de Andrade (cineasta e diretor dos filmes “Macunaíma”, o “O padre e a moça” e outros).


Orgulhosa da trajetória do pai, Clara Alvim traz no sangue e nas ideias a defesa incondicional do patrimônio cultural. “A preservação precisa ser ensinada, desde a infância, nas escolas de todo o país. Junto a isso, necessitamos de campanhas permanentes para conscientização da população, a exemplo do que fazem com muitos temas de relevância”, afirma.


HOMEM DE AÇÃO

Expoente na cultura brasileira no século 20, Rodrigo começou sua trajetória no Iphan em 1936, quando o então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (1900-1985), por indicação do escritor Mário de Andrade (1893-1945) e do poeta Manuel Bandeira (1886-1968), o convidou para organizar e dirigir o antigo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan). A partir daí, a proteção dos bens patrimoniais do país passou a ser sua atividade principal, ficando em segundo plano a advocacia, a literatura, o jornalismo e a política.


A implantação do serviço exigiu o cumprimento de diferentes tarefas, como a redação de uma legislação específica priorizando a introdução do instrumento do tombamento, preparação de técnicos e trabalhos na área, disputas judiciais e busca de uma consciência de preservação em nível nacional.


PRIMEIROS TEMPOS

Em BH, Rodrigo fez o estudo das primeiras letras no Ginásio Mineiro. Aos 12 anos, foi matriculado no Lycée Janson de Sailly, em Paris, na França, onde continuou o curso secundário. Morando com seu tio, o jornalista, escritor e jurista Afonso Arinos (1868-1916), conviveu com inúmeras personalidades que se destacavam na vida intelectual brasileira, entre eles o escritor e diplomata Graça Aranha, o jornalista e político Tobias Monteiro e o escritor Alceu Amoroso Lima.


Na volta ao Brasil, iniciou o curso de Direito na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Devido à transferência de moradia, fez parte do curso em Belo Horizonte e em São Paulo, o que permitiu seu contato com vários intelectuais. Em 1919, já formado, o jovem Rodrigo trabalhou como oficial de gabinete do diretor da Inspetoria de Obras Contra as Secas, no Rio. Dois anos depois, no jornal “O Dia”, começou atividade jornalística em coluna que discutia os fatos, os livros e personalidades que marcavam a literatura de então.


Na sequência, exerceu as funções de redator-chefe da Revista do Brasil, inserindo-a nas ideias defendidas pelo movimento modernista de 1922, e trabalhou em O Jornal, de Assis Chateaubriand, no qual foi o diretor-presidente. A atuação jornalística se estendeu a vários jornais e revistas como Estado de Minas, A Manhã, O Estado de São Paulo e O Cruzeiro”.


Na década de 1930, Rodrigo foi convidado para a chefia de gabinete do ministro da Educação e Saúde, Francisco Campos. Na ocasião, fez a indicação do arquiteto Lúcio Costa para a direção da Escola Nacional de Belas Artes. Já em 1936, veio a decisão que marcaria definitivamente a preservação do patrimônio histórico do país: foi convidado para organizar e dirigir o Sphan, atual Iphan.


Fruto do trabalho do Dr. Rodrigo, como era chamado, a política de preservação do patrimônio histórico e artístico nacional ganhou força e começou a ser desenvolvido com o amparo legal do Decreto-Lei 25, de 30 de novembro de 1937, que, dentre outras medidas, apresentou ao país a figura do Tombamento.


Nos Livros do Tombo, instituídos pela legislação, deveriam ser inscritos os ‘bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico’”. Difundido, o conceito passou a ser símbolo da preservação do patrimônio cultural brasileiro.

NO MÊS DEDICADO AO PATRIMÔNIO...

Agosto está rico em atividades ligadas ao patrimônio. No próximo dia 28, serão abertos sete cadastros para Inventário dos bens culturais vinculados à tradição católica. A iniciativa do governo de Minas, via Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e Iepha, integra o programa Minas da Fé, desenvolvido em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Leste 2 (CNBB Leste 2). O objetivo é estruturar uma política permanente de identificação, documentação, valorização e salvaguarda das referências culturais associadas à religiosidade popular no nosso território. Os cadastros serão nas seguintes frentes: cruzeiros, cruzes de caminho e marcos devocionais da paisagem mineira; jubileus, romarias e celebrações devocionais; presépios, lapinhas e tradições do ciclo natalino popular; festas e devoções marianas; irmandades, confrarias e associações devocionais; ex-votos, votos e a cultura da promessa; e outras expressões de religiosidade popular católica. A partir das informações, será possível reconhecer bens imateriais relacionados a paisagens culturais, lugares de devoção, celebrações, formas de expressão, saberes tradicionais e modos comunitários de organização da fé.


...SÃO MUITAS AS AÇÕES EM MINAS

A abertura dos cadastros é uma das principais ações do Mês do Patrimônio Cultural, realizado pelo Iepha-MG em parceria com o Ponteio Lar Shopping. A programação começa hoje. Até 20 de setembro, estará no Espaço Goumet, piso L2, a exposição “A imaginação que nasce da terra: Vale do Jequitinhonha – do utilitário à expressão artística”, (foto) organizada pelo Centro de Arte Popular. Já na sexta-feira (21/8), das 10h às 12h30, será a vez do seminário “Patrimônio cultural mineiro – Tradição, arquitetura, turismo e sustentabilidade”. No sábado seguinte (22), das 9h às 16h, haverá a Feira da Mineiridade, promovida pela Emater-MG em parceria com o Ponteio, apresentando artesanato, produtos da roça, gastronomia e música.

GOSTEI DO QUE VI

O interior de Minas reserva belas surpresas aos visitantes. Na histórica Itapecerica, na Região Centro-Oeste, encontramos o Espaço João Faísca (@espaço.joãofaisca), loja da Associação Arte e Cultura (Art Ita), com artesanato regional produzido por mais de 30 expositores. Localizado no Mercado Municipal Mineirinho, no Centro da cidade, o espaço cedido pela prefeitura local apresenta peças em cestaria, cerâmica, tecelagem e crochê, além de bordados, pinturas, estandartes e outros. O mercado restaurado funciona na antiga rodoviária que, por sua vez, ocupou a primitiva estação ferroviária. Música, arte e gastronomia têm lugar garantido nesse charmoso ponto da cidade.

DIA DO PÃO DE QUEIJO

Nesta segunda-feira de homenagem ao patrimônio cultural brasileiro, temos outro bom – e delicioso – motivo para celebrar as riquezas do país. O 17 de agosto é também dedicado ao tradicional pão de queijo, alimento que vem dos tempos coloniais e, juntamente com o cafezinho, agrada a todos os paladares. Não se trata de uma data oficial, mas já caiu na boca do povo. Como me disse uma vez a saudosa Dona Lucinha, filha ilustre do Serro, “se o cafezinho for adoçado com rapadura e passado no coador de pano, adaptado ao mancebo (suporte de madeira), fica melhor ainda”. A iguaria reúne ingredientes bem típicos das Gerais: goma ou polvilho, leite e queijo meia-cura ralado grosso. Então, mão na massa e bom apetite!

MATRIARCAS NEGRAS

Também nas celebrações do mês do Patrimônio, será realizada, em BH, a segunda edição do projeto "Matriarcas Geledés", com homenagem às mulheres negras guardiãs da memória de seus territórios e da cultura popular. A iniciativa idealizada pelo artista plástico Marcial Ávila apresenta, em pinturas a óleo, três mulheres que são figuras centrais em comunidades. São elas: Tia Terezinha do Quilombo Mattias, Lídia Martins de Araújo do Quilombo Souza (in memoriam) e a Rainha Congo do estado de Minas Gerais, Belinha da Irmandade Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário. Será no sábado (22/8), das 15h às 19h, na Irmandade Treze de Maio de Nossa Senhora do Rosário. Rua Jataí, 1.309, no Bairro Concórdia. Entrada gratuita. Mais informações nas redes do projeto: @matriarcas.geledes


BANDA DE MÚSICA

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Parabéns à Banda de Música Maria Imaculada, corporação que completa 88 anos e faz a festa em Sabinópolis. No fim de semana consagrado à Assunção de Maria, a turma comandada pelo maestro Hayer de Araújo Abreu fez bonito no encerramento do tradicional Reinado de Nossa Senhora. Que venham os 90 anos com muito sucesso e programação intensa para encantar moradores e visitantes.

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