Unidos pelo destino: a paternidade que renasce em novas famílias
Em tempo de celebrar o amor paterno, homens que reencontraram amores antigos contam como ganharam mais filhos, recebidos com laços indistintos de afeto
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Foi num tempo em que os romances eram alimentados pelas cartas escritas à mão, bem distantes dos dias atuais dominados pelos computadores, redes sociais e informações quase na velocidade da luz, que Claudemir Jorge e Marta Geovanna viveram os primeiros capítulos de uma história que, anos mais tarde, os colocaria à frente de uma grande família e o transformaria em um dos “pais de todos”, com motivos de sobra para comemorar o Dia dos Pais. Na década de 1980, ele tinha 19 anos; ela, 17. Então funcionário da Cemig, o jovem residente em BH foi transferido para Nanuque, no Vale do Mucuri, onde a conheceu. Lá, os dois namoraram por aproximadamente três anos.
Mas veio a separação com a transferência, desta vez, de Marta para BH. O amor parecia estar na contramão da vida dos dois, mas, sem dúvida, encontrou uma saída. “Era 1985, não havia celular, o correio se tornava o caminho mais curto entre nós. Mas os meses foram passando e o relacionamento esfriou. Não posso dizer que terminamos, apenas deixamos de nos comunicar”, diz Claudemir Jorge, de 61 anos, morador do Bairro Araguaia, na Região do Barreiro, em BH.
Mais tarde, Claudemir, chamado em família de “Kal”, foi trabalhar em Teófilo Otoni, também no Vale do Mucuri. Teve dois filhos em uma união que durou 14 anos. Marta Geovanna, por sua vez, regressou a Nanuque e teve também dois filhos, em um casamento que durou duas décadas. “Depois de 24 anos, nós nos encontramos – vejam só! –, em BH, para onde fui transferido. Depois de separada, ela se mudou para a capital onde seus pais e irmãos moram. Nossa vida parece coisa de novela, sempre com um novo capítulo”, brinca o belo-horizontino.
Hoje, com 17 anos de casado com Marta Geovanna, de 59, Claudemir fala da alegria de ver criados os filhos do primeiro casamento, Thiago, de 37, e Thaís, de 29, e os enteados Caroline, de 35, e Jonhson, de 23. “Para mim, não há diferença: são todos filhos, pois o amor e as preocupações são os mesmos. Minha felicidade é ter uma família e estar sempre junto dela. Considero realmente que tenho quatro filhos.”
AMOR QUE AMADURECEU E FLORESCEU NO TEMPO CERTO
Os caminhos dos belo-horizontinos Raphael Mungo e Luciana Megale Mungo correram paralelos na infância, seguiram rotas opostas por quase duas décadas até que, nas voltas que o mundo dá, se reencontraram para construir o presente e planejar o futuro. A vida dos dois não tem nada ficcional, mas muita realidade, com boas doses de emoção.
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Há cinco anos, após um de namoro, Raphael, consultor de vendas, e Luciana, maquiadora, se casaram e tiveram a menina Aurora, hoje com 2 anos e meio. Na residência do Bairro Marajó, na Região Oeste da capital, moram o casal com a garotinha e os filhos de Luciana, Benício, de 9, e Joaquim, de 7. Raphael tem ainda a filha Clara, de 7, fruto de um relacionamento anterior.
São 19h de quarta-feira e Raphael chega em casa depois do trabalho no Centro de BH. Só quer mesmo ver a esposa, os meninos e a pequena Aurora, que começou a ir para a escolinha na véspera. Após os beijos e abraços habituais, ele conta que, no domingo, após o culto na igreja, vai almoçar com seu pai, Paulo César Baptista. “Vou levar a Clara comigo. À tarde, quero ver meu time, o Cruzeiro, jogar.”
E como começou toda essa história? Raphael sorri e explica: “A Luciana e eu fomos colegas de escola, lá pelos 7 anos de idade, então somos amigos de infância. Mais tarde, tivemos um ‘rolinho’, um namorico de adolescência. Mas depois, mesmo morando na mesma cidade, não nos encontramos por muitos anos”.
O tempo passou e Raphael e Luciana se encontraram numa rede social, em 2020, primeiro ano da pandemia. “Os antigos colegas da escola formaram um grupo de WhatsApp, e eu soube, então, que ela não estava mais casada e tinha dois filhos. Foi assim que nos reaproximamos”, recorda-se o marido. “Foram 18 anos sem contato, mas agora temos uma linda família.”
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Para o “pai de todos” Raphael, não existe distinção entre as crianças. “O amor pelos quatro é o mesmo. Quero cuidar deles e delas com a mesma atenção ao longo da vida. Entre mim e a Luciana existe grande sintonia, então, tudo fica mais fácil e leve”, observa o papai.