Engenheiro que construiu Praça do Papa volta 44 anos depois para reabertura
Antônio Carlos Cabral, responsável pela execução da obra original em 1982, acompanhou a reabertura do espaço e relembrou os desafios do projeto
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Mais de quatro décadas depois de ajudar a transformar um projeto no cartão-postal que se tornou a Praça do Papa, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, o engenheiro civil Antônio Carlos Cabral Aguiar, de 79 anos, voltou ao local nesta sexta-feira (7/8) para acompanhar a reabertura do espaço após a revitalização. Conhecido como Cabral, ele foi o responsável pela construção da praça em 1982 e agora reencontrou a obra que ajudou a erguer.
Mineiro de Belo Horizonte e formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1971, Cabral trabalhou como engenheiro da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) antes de se tornar construtor e abrir a própria empresa. Foi nesse período que recebeu do município a “missão”, como ele mesmo define, de executar a obra da Praça Israel Pinheiro, nome oficial do espaço que ficou conhecido como Praça do Papa após a visita de João Paulo II à capital mineira, em julho de 1980.
Para ele, retornar ao local anos depois foi uma oportunidade de reencontrar uma parte importante de sua trajetória profissional.
Cabral conta que a construção original foi muito mais complexa do que a aparência do espaço pode sugerir. O projeto básico já existia, mas precisou ser adaptado às características do terreno, marcado por uma topografia acidentada. A solução passou pela criação das plataformas e pelo equilíbrio entre cortes e aterros, de forma a acomodar a praça no relevo.
"Foi um trabalho de escultor, um trabalho quase mágico de obra de engenharia que foi feita aqui", afirmou.
A complexidade, porém, não ficava evidente para quem observava o resultado final. Para Cabral, justamente aí estava parte do mérito da obra: fazer com que uma intervenção tecnicamente difícil parecesse simples depois de concluída.
"Aparente e simples, mas com muita complexidade", resumiu o engenheiro, ao lembrar da construção que atravessou décadas e se incorporou à paisagem de BH.
Agora, o reencontro também permitiu a ele observar o resultado da nova intervenção. E, na avaliação de quem participou da construção original, a revitalização alterou pouco a concepção da praça – justamente porque a estrutura criada nos anos 1980 ainda preservava suas principais qualidades.
"O que aconteceu aqui é que o piso se deteriorou, como toda parte que é material, sofre os rigores do tempo", explicou. De acordo com ele, a principal necessidade era recuperar elementos que haviam sido desgastados ao longo dos anos, especialmente o piso, além de preservar os gramados e os espaços de convivência.
"Não houve muitas modificações, porque já era boa demais, mas ficou melhor ainda", disse.
Para Cabral, no entanto, o tempo não apagou a importância da obra. Pelo contrário: voltar ao espaço construído por ele em 1982 permitiu observar como uma intervenção de engenharia se transformou em parte da memória coletiva da capital.
"Estou voltando aqui para desfrutar desse momento extraordinário, dessa linda obra de grande importância para a cidade e para quem nos visita, um marco importante da cidade", afirmou.
O que mudou?
A revitalização entregue nesta sexta-feira recebeu investimento de R$ 11,9 milhões. Segundo a administração municipal, 80% dos recursos vieram do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), enquanto os outros 20% foram provenientes do Tesouro Municipal. Os trabalhos foram supervisionados pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).
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As intervenções incluíram a recuperação dos passeios, a requalificação dos espaços de convivência, a implantação de um novo sistema de irrigação, a recomposição das áreas verdes, a renovação do paisagismo e a restauração do característico piso cerâmico da praça. A antiga via de circulação também foi incorporada à área destinada aos pedestres, abrindo espaço para novas possibilidades de lazer e atividades ao ar livre.
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Por ser tombada pelo Patrimônio Cultural, a obra exigiu cuidados específicos. A escolha e a produção das peças cerâmicas utilizadas no revestimento precisaram passar por estudos, testes de cor e textura e aprovação técnica, de modo a preservar a identidade visual e a ambiência histórica do espaço.