Morte após cesariana é investigada por suspeita de negligência médica
Keyla Ferreira Batista foi submetida a uma cesariana no Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, no último dia 28/7, e veio a óbito neste domingo (2/8)
compartilhe
SIGA
A morte de uma mulher poucos dias após um parto por meio de cesariana virou alvo de investigação policial. Keyla Ferreira Batista, de 32 anos, deu à luz no Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, no último dia 28/7, uma terça-feira, e morreu neste domingo (2/8) em decorrência de uma septicemia, termo técnico para designar uma infecção generalizada. Parentes da puérpera suspeitam de falhas durante o procedimento cirúrgico e de negligência médica nos dias seguintes.
- Saiba quem é o ex-comandante de batalhão da PM suspeito de assédio sexual
- Itaú é alvo de ação milionária por falhas em agência no interior de Minas
Mauro Donizetti Mendes, de 51 anos, marido de Keyla, explica que ela começou a sentir dores e a apresentar inchaço abdominal logo após a cesariana, mas só recebeu analgésicos e, posteriormente, medicamentos para gases enquanto esteve hospitalizada. "Os remédios estavam mascarando a dor e, na sexta de manhã, ela acordou com a sensação de uma pequena melhora", lembra o cônjuge. Diante disso, naquele dia, 31/7, a mulher recebeu alta.
Porém, de acordo com Mauro, as dores voltaram a aumentar ainda no carro, quando o casal retornava de Varginha para Cordislândia, também no Sul de Minas, onde residiam. "Umas quatro horas depois que a gente chegou em casa, ela travou no sofá: a dor voltou dobrada", afirma. Diante disso, ele levou a esposa de volta a um hospital, dessa vez em Monsenhor Paulo, na mesma região. Lá, a equipe médica constatou que Keyla tinha uma obstrução intestinal e precisaria passar por uma cirurgia de urgência.
Ainda segundo Mauro, a puérpera chegou a sofrer uma parada cardíaca, mas a equipe médica conseguiu reverter o quadro. No sábado (1/8), Keyla foi sedada e levada de volta ao Hospital Regional do Sul de Minas, em Varginha, por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Lá, ela passou por uma cirurgia de aproximadamente três horas, porém morreu após o procedimento.
Leia Mais
Diante disso, Mauro registrou um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que realizou uma necropsia na puérpera e abriu uma investigação. "Equipes da delegacia do município realizam diligências, como a oitiva de testemunhas e envolvidos, visando elucidar o caso. A PCMG aguarda a conclusão de laudos, indispensáveis para a conclusão dos procedimentos investigativos", informou a corporação, por meio de nota.
Em luto pela morte da esposa, Mauro pondera que não quer apontar responsabilidades de maneira precipitada, mas que acredita que a equipe médica do Hospital Regional do Sul de Minas não foi cuidadosa ao diagnosticar Keyla após a cesariana. "A gente está aguardando a investigação; esperamos por justiça", desabafa.
O que diz o hospital
Após o caso ganhar repercussão, o Hospital Regional do Sul de Minas publicou uma nota de esclarecimento nas redes sociais. "Em relação ao ocorrido envolvendo a paciente Keyla Ferreira Batista, o Hospital manifesta profundo pesar pelo episódio e solidariza-se com seus familiares neste momento delicado", diz o texto.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A nota pontua ainda que a instituição de saúde, "em razão da denúncia formalizada, prestará integral colaboração às autoridades competentes, fornecendo todos os esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários para a completa elucidação dos fatos. Paralelamente, será instaurado procedimento interno para apuração rigorosa das circunstâncias relacionadas ao caso, observados os princípios do devido processo, da imparcialidade e da transparência".