VAI DEIXAR SAUDADE

BH: Cura fará edição de despedida da Praça Raul Soares

Coleção Raulzona, como é chamado conjunto de obras da Praça Raul Soares, deixará legado artístico

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Depois de cinco anos na Praça Raul Soares, no Hipercentro de Belo Horizonte, o Festival de Arte Urbana Cura se despedirá do local. A edição de 2026, a última no entorno da área verde situada na interseção das avenidas Amazonas, Bias Fortes, Olegário Maciel e Augusto de Lima, terá como tema "Descansar Enquanto". As novas pinturas começarão a ser feitas no próximo dia 19 e, como sempre, poderão ser acompanhadas pelo público: elas ficarão prontas até 30 de agosto.

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A despedida da Praça Raul Soares também marcará a preparação para 2027, quando o festival completará uma década de intervenções em Belo Horizonte. Os artistas urbanos que deixarão as próprias marcas em Belo Horizonte neste ano, porém, só terão os nomes divulgados ao longo de agosto.

O tema "Descansar Enquanto" tem, entre outros sentidos, o de convidar ao festival e também uma reflexão. Para os os organizadores, na sociedade atual, marcada pelo excesso de estímulos, informações e urgências, momentos de sossego ainda não são assegurados a todos. A reflexão dialoga com o livro "Descansar é Resistir", da norte-americana Tricia Hersey, sobre as estruturas sociais que levam à exaustão.

De acordo com o Cura, neste ano, pela primeira vez, o conceito curatorial foi construído coletivamente, por uma comissão criativa, cujos integrantes são pesquisadores, produtores, agentes culturais e membros de coletivos. Os imóveis que receberão intervenções, bem como os autores das novas obras, ainda não foram revelados. Porém, já se sabe que o icônico Conjunto JK, maior construção da Praça Raul Soares, será contemplado. Como os dois edifícios que compõem o complexo residencial são tombados, a pintura não deverá ser implantada nas fachadas.

Em 2026, o Cura também implantará uma sede operacional no 23º andar do Bloco A do Edifício JK. De lá, a organização prestará apoio e fará a supervisão dos artistas. De acordo com a administração do Conjunto JK, esse espaço permaneceu fechado durante muitos anos e só agora será reaberto. Originalmente, os cômodos daquele pavimento, o mais alto do complexo, eram destinados à moradia dos profissionais que trabalhavam no residencial.

Cura implantará uma sede operacional no 23º andar do Bloco A do Conjunto JK: espaço estava fechado há anos
Cura implantará uma sede operacional no 23º andar do Bloco A do Conjunto JK: espaço estava fechado há anos Leandro Couri/EM/D.A.Press

Legado

A chegada do Cura à Praça Raul Soares ocorreu em 2021, quando as pistas centrais, que contornam a área verde, foram pintadas pelos artistas Shipibo Sadith Silvano e Ronin Koshi, da Amazônia Peruana. A intervenção, feita com padrões geométricos, foi inspirada pela cultura Ayahuasqueira. Naquele ano, o Coletivo Mahku Kassia também assinou uma obra na empena do icônico Edifício Levy, na Avenida Amazonas, famoso por ter sido o local onde os músicos Milton Nascimento e Lô Borges se conheceram, em 1963.

No ano seguinte, a empena do Edifício Savoy, na Avenida Bias Fortes, ganhou o painel “Arada, a extensão do meu olhar se faz terra”, da artista paulistana Mag Magrela, que mostra duas mulheres abraçadas. Outro prédio que passou a contar com trabalhos do Cura em 2022 foi o Roma, na Avenida Paraná, nesse caso da mineira Sueli Maxakali, que se baseou na cultura da própria etnia indígena; e o Copacabana, na Praça Raul Soares, do maranhense Pedro Neves, inspirado tanto nos povos originários quanto nos moradores de antigas vilas de Belo Horizonte, removidas pelo poder público.

Em 2024, os edifícios do entorno da Praça Raul Soares voltaram a ganhar pinturas do Cura. A mineira Liça Pataxoop pintou Hãm Kuna’ã Xeka (O Grande Tempo das Águas) no Edifício Leblon, na Avenida Amazonas, evocando as tradicionais redes de pesca do povo indígena do qual ela faz parte. A belo-horizontina Clara Valente deixou a própria marca na enorme fachada cega do Edifício Claro, na Rua Espírito Santo, onde retratou as nascentes das serras de Minas Gerais. Já a belgo-congolesa Bahati Simoens assinou “Você não pode chorar se estiver rindo”, no Edifício D’Ávila, cuja temática é a diáspora africana. A última edição, no ano passado, montou instalações e obras ao ar livre.

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Antes de materializar a "coleção Raulzona", como é chamado o conjunto de obras no entorno da Praça Raul Soares, o Cura realizou um Mirante de Arte Urbana na Rua Sapucaí. As obras dessa fase foram as primeiras do movimento em Belo Horizonte, idealizadas por Janaina Macruz, Juliana Flores e Priscila Amoni. (Com informações de Pedro Naves).

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