DIARISTA SE TORNA RÉ

Justiça torna diarista ré por morte de casal de idosos em BH

Justiça acolhe denúncia do MPMG. Caso envolveu uso de sedativos, violência extrema e ocultação de provas

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A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, se tornou ré pela acusação de duplo latrocínio de um casal de idosos na Região Centro-Sul de Belo Horizonte e crimes patrimoniais.

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Nessa sexta-feira (31/7), a 2ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, por meio de decisão proferida pelo juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, acatou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais

Com o acolhimento formalizado, ela e um empresário do ramo de alimentação passam oficialmente à condição de réus na ação penal.

O magistrado concedeu o prazo de 10 dias para que os citados apresentem suas defesas preliminares, mantendo a custódia preventiva da ex-prestadora de serviços enquanto o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) analisa o pedido de revogação de prisão submetido pelos seus advogados.

O processo trata dos assassinatos consumadosde Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e de sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos.

Os crimes ocorreram em 29 de junho de 2026, no apartamento do casal situado na Rua Padre Severino, Bairro São Pedro.

Os idosos foram encontrados mortos no dia seguinte por seu filho, que estranhou a ausência do pai no ambiente de trabalho.

Conforme a acusação assinada pelo promotor Mauro da Fonseca Ellovitch, a investigada chegou ao imóvel por volta das 7h30 portando uma cartela com 12 comprimidos de clonazepam e misturou disfarçadamente o sedativo a um suco preparado pela vítima, desacordando o casal para viabilizar a subtração de bens.

Com os proprietários adormecidos pela ingestão dos benzodiazepínicos, a acusada apanhou uma faca na cozinha para arrombar gavetas, mas acabou surpreendida pelo retorno da consciência do idoso.

Conforme atestado pelos laudos necroscópicos, Cláudio foi atacado com extrema violência, sofrendo 43 perfurações no rosto, tórax e abdômen, atingindo inclusive o coração.

Na sequência, Paola investiu contra Maria Clotilde, tentando inicialmente sufocá-la com uma almofada embebida em solvente (thinner) — o que provocou severas queimaduras — e, diante da resistência, desferiu 15 golpes de faca na idosa.

Do imóvel, a mulher roubou mais de R$ 19 mil em espécie, joias, telefones, cartões bancários com senhas, perfumes importados, óculos escuros e relógios de marcas como Cartier, Montblanc e Omega.

Visando adulterar a cena do crime e enganar a perícia técnica, a ré higienizou a arma branca com detergente e papel toalha, recolocando-a na gaveta, aplicou água sanitária e desinfetante no piso, cobriu os cadáveres e vestiu trajes pertencentes à própria vítima antes de deixar o prédio.

Apesar da tentativa de ocultação, os investigadores localizaram sob o corpo de Cláudio uma unha postiça em gel perdida durante as agressões, além de imagens de monitoramento que registraram a suspeita transportando sacolas com os itens furtados e roupas trocadas.

Após descartar sua camiseta ensanguentada em uma caçamba de entulho, a mulher utilizou um veículo de aplicativo para se deslocar até o hipercentro de Belo Horizonte.

O que a diarista fez no Centro de BH?

Na região central, a acusada comercializou parte dos objetos com receptadores e se dirigiu ao restaurante do comerciante envolvido.

Utilizando os cartões subtraídos e as máquinas de pagamento do estabelecimento, a dupla efetuou transações fraudulentas no valor de R$ 3.100. O montante foi dividido entre ambos, cabendo 40% da quantia ao empresário, que responderá em coautoria por furto qualificado mediante fraude, sem imputação de vínculo com os homicídios.

Em seguida, Paola adquiriu um novo aparelho celular, buscou seu filho no município de Ribeirão das Neves e se refugiou em uma hospedagem em Itabira, no interior do estado, onde planejava organizar a fuga para fora de Minas Gerais antes de ser capturada em flagrante pela Polícia Civil.

A determinação judicial acolheu ainda o desmembramento das investigações quanto a outros suspeitos.

Três indivíduos identificados por adquirir as joias e relógios, sem antecedentes violentos e com confissão prestada quanto à receptação, receberão propostas de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) formuladas pelo MPMG.

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Paralelamente, o primo de Maria Clotilde — um advogado que indicou a profissional ao casal e que recebeu um telefonema da acusada durante a execução do delito informando que a idosa estava "passando mal", sem adotar qualquer conduta de socorro — responderá a um inquérito policial autônomo para esclarecer se houve coparticipação ou conivência no episódio.


Como acusada teria agido?

  • Chegada com sedativos: a investigada entrou no imóvel portando comprimidos de clonazepam
  • Dopagem das vítimas: os medicamentos foram misturados disfarçadamente ao suco do casal
  • Tentativa de furto: a mulher pegou uma faca de cozinha para arrombar as gavetas
  • Ataque ao idoso: ao ter o ato percebido pelo idoso, o esfaqueou 43 vezes
  • Agressão à idosa: a mulher tentou asfixiar a vítima com solvente e depois a esfaqueou 15 vezes
  • Subtração de bens: foram roubados R$ 19 mil, joias, celulares, relógios e cartões
  • Alteração do local: a mulher limpou a faca, aplicou desinfetante no piso e vestiu roupas da vítima
  • Fuga e receptação: a suspeita vendeu os pertences no Centro de BH e fugiu para o interior

Prevenção na contratação de prestadores de serviços

  • Checagem de referências: consultar os locais onde o profissional trabalhou anteriormente
  • Acompanhamento inicial: evitar deixar chaves ou livre acesso nos primeiros atendimentos
  • Guarda de pertences: manter valores em espécie, cartões e joias em locais trancados
  • Atenção a condutas suspeitas: observar movimentações estranhas ou perguntas pessoais excessivas

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