Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) contra a diarista Paola Stefany Neto Cirino, acusada de matar o casal de idosos Cláudio Atala Inácio e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, no Bairro São Pedro, em Belo Horizonte, revela o tamanho da violência no crime. De acordo com os exames de necropsia citados pela 12ª Promotoria de Justiça, uma das 43 facadas desferidas contra Cláudio atingiu o peito da vítima com tanta força que atravessou o coração.

A acusada chegou ao apartamento do casal na manhã de 29 de junho com uma cartela de clonazepam. Durante a tarde, ela misturou o medicamento sedativo em um suco consumido pelos idosos para que eles dormissem e ela pudesse furtar a residência.

Enquanto os idosos dormiam sob o efeito do remédio, Paola vasculhou os cômodos e pegou objetos valiosos. No entanto, o plano foi interrompido quando Cláudio despertou no quarto do casal. Para assegurar a execução do furto, a diarista atacou o idoso utilizando uma faca de caça encontrada na cozinha.

Ao todo, o exame pericial contabilizou 43 lesões provocadas pelas facas no corpo de Cláudio, concentradas nas regiões da cabeça, do rosto, do pescoço, do tórax e do abdômen. Entre os ferimentos, a perícia destacou o golpe profundo no tórax que perfurou o coração de lado a lado, causando uma hemorragia severa e a morte imediata.

Depois de matar Cláudio, Paola dirigiu-se à Maria Clotilde. A idosa sofreu primeiro uma tentativa de asfixia química, quando a suspeita pressionou uma almofada embebida com thinner — substância altamente corrosiva — contra o rosto dela, o que provocou graves queimaduras na face e no pescoço da vítima.

Diante da reação da idosa, a ré desferiu 15 facadas em Maria Clotilde, atingindo a cabeça, o pescoço e o tórax, matando-a.

Alteração da cena e tentativa de fuga

Depois de matar os donos da casa, a suspeita saqueou mais de R$ 19 mil em espécie, relógios de marcas de luxo como Cartier, Omega e Montblanc, joias, perfumes importados, óculos escuros, celulares e cartões de crédito com senhas anotadas. As informações foram dadas pelo MPMG.

Na tentativa de esconder as provas e induzir a perícia ao erro, Paola lavou a faca usada nos homicídios com detergente, secou com papel toalha e a guardou na gaveta. Ela também usou água sanitária e desinfetante para limpar o piso, cobriu os corpos e trocou de roupa, vestindo peças pertencentes à vítima antes de sair do prédio.

Ao sair do edifício, Paola descartou a camiseta ensanguentada em uma caçamba de entulho e contratou um carro por aplicativo para se deslocar até o Centro de BH. Na Região Central, ela vendeu parte dos objetos roubados a receptadores e se dirigiu a um restaurante.

Em conjunto com o dono do restaurante, fez transações fraudulentas nas máquinas de cartão do estabelecimento, somando R$ 3.100 furtados da conta de uma das vítimas, valor que foi dividido entre os dois — o homem embolsou 40%.

Conforme a denúncia do MPMG, na primeira tentativa os suspeitos tentaram transacionar R$ 5 mil, mas a operação foi bloqueada pelo sistema de segurança da operadora do cartão. Para burlar a fiscalização, a dupla fracionou os valores em duas operações menores consumadas com sucesso: uma de R$ 1,3 mil e outra de R$ 1,8 mil. O dono do restaurante repassou a comissão combinada em dinheiro para Paola e reteve sua parte do valor furtado.

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Na sequência, Paola comprou um novo celular, buscou o filho em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH, e se escondeu em um hotel em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, de onde pretendia fugir para outro estado. No entanto, foi localizada e presa em flagrante pela Polícia Civil (PC).

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