A professora Glaura Vasques de Miranda faleceu na manhã desta quinta-feira (23/7). A informação foi confirmada pelo perfil do Instagram do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do qual ela foi uma das fundadoras. 

O projeto foi fundado em 1994 quando a professora Glaura era pró-reitora de pesquisa da universidade. Ela foi doutora pela Stanfort University e atuou na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 1993 e 1996.

Glaura também foi vice-presidente da Câmara de Ensino Fundamental do Conselho Estadual de Educação de Minas.

Segundo o Nepem, a professora foi figura pioneira na pesquisa feminista. "Suas investigações destacam o descompasso social vivido pelas mulheres, sendo uma referência contínua na história do movimento feminista brasileiro", publicou o grupo de pesquisa.

Glaura era professora emérita e pesquisadora da Faculdade de Educação da UFMG (FaE/UFMG), onde também ocupou a direção. 

Ao Estado de Minas, a professora Mirian Chrystus, coordenadora do grupo "Quem ama não mata", histórico movimento feminista mineiro, comenta como Glaura foi importante para a formação do grupo.

Mirian lembra que a professora Glaura participou do evento "Mulher em debate", organizado pelo DCE-UFMG, no final de 1975, apoiando o discurso de apoio às mulheres em um período em que não era debatido.

Na época, segundo Mirian, Glaura discursou sobre o tema "Mulher e trabalho". “Uma voz muito importante naquele momento em que não existia divulgação ampliada. Foi ali o começo do ´Quem ama não mata´”, explicou Mirian.

Anos na educação

Em 2021, Glaura Vasques deu um depoimento para o Centro de Pesquisa, Memória e Documentação da Faculdade de Educação (FaE) contando sua atuação como professora visitante. Seu ingresso ocorreu em 1974 quando o programa passava por dificuldades. Ela participou da implementação de duas áreas na faculdade: Ciências Sociais Aplicadas à Educação e Ensino Superior, com manutenção dos estudos de Metodologia de Ensino.

“Conseguimos um bom financiamento da Fundação Ford, que considero ter sido muito importante para o desenvolvimento do curso, nos anos que se seguiram. A mudança de paradigma do programa, com a introdução de questões sociais, de desigualdade social, de gênero e de raça, principalmente nas pesquisas desenvolvidas por professores e alunos, foi fundamental”, comentou a professora na ocasião.

Depois ela participou da II Conferência Brasileira de Educação (II CBE), que aconteceu em Belo Horizonte em 1982, tendo sido presidente dela. Na época, se discutiam os efeitos do autoritarismo nas escolas, a necessidade de universalizar o acesso à educação, a construção de uma escola democrática e as reformas educacionais.

No evento, eles receberam Paulo Freire, que estava voltando do exílio. Reuniram quase dois mil estudantes no local e a UFMG não tinha grandes auditórios na época para suportar. “De última hora foi necessário improvisar um espaço ao ar livre para receber um número maior de participantes. O debate foi realizado embaixo das árvores da Reitoria. Apesar do nosso receio de que houvesse algum tumulto (eram tempos de ditadura), a reunião foi um sucesso”, relatou a professora.

Sua aposentadoria veio em 1993 quando assumiu o cargo de Secretária Municipal de Educação para implementar um novo Projeto Pedagógico para a rede municipal. “Ali tivemos oportunidade de alcançar a universalização do acesso das crianças à primeira série do ensino fundamental. Além disso, promovemos a implantação do Projeto Escola Plural, que contou com a participação de todos os professores da rede”, comentou a professora sobre o momento de sua carreira. 

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*Estagiário sob a supervisão do subeditor Humberto Santos

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