Noite de fé e alegria para entronização de uma relíquia de primeiro grau. Nesta terça-feira (21/7), às 19h, a Igreja Santa Inês, no Bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte, teve missa solene com um momento muito especial: acolhida a um fragmento de osso da padroeira do templo, nascida em Roma, na Itália, no início do século 4 (ano 303). A celebração eucarística foi presidida pelo padre Carlos Roberto Cremonezi, titular da Paróquia Santa Inês.
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“Trata-se de uma relíquia autêntica, com documentação, e ficará exposta permanentemente na igreja”, informa padre Carlos Roberto, explicando que houve uma busca incessante para consegui-la. Doada pela Arquidiocese de Salerno, na Itália, a missão de localizar e trazer a relíquia a BH teve atuação do italiano Paolo Villota, postulador da Causa dos Santos, com empenho do arcebispo metropolitano de BH, dom Walmor Oliveira de Azevedo.
Padre Carlos Roberto Cremonezi destaca empenho para trazer a relíquia a Belo Horizonte
“Relíquia é uma expressão de fé e reafirma a devoção católica, especialmente em momentos de dificuldade”, ressalta o padre, que é também chanceler da Arquidiocese de BH. O fragmento de osso de Santa Inês chega à capital mineira quando são celebrados 65 anos da paróquia, cuja matriz fica na Avenida Pinheiros, 1.040.
Santa história
Conforme a Arquidiocese de BH, Santa Inês viveu no século 4, sendo filha de uma rica família romana. Aos 13 anos, foi denunciada como cristã por não aceitar se casar com o prefeito de Roma. Presa e torturada, não renegou a fé em Cristo. Manteve-se firme em suas orações a Jesus, mesmo passando por torturas.
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O prefeito mandou decapitar a jovem, que se tornou uma das mártires mais conhecidas do cristianismo. Nas gravuras, Santa Inês é comumente representada com uma ovelha e uma palma. A Igreja Católica celebra sua memória em 21 de janeiro.
Convicção cristã
Qual o significado das relíquias católicas? Vigário episcopal para Ação Pastoral da Arquidiocese de Belo Horizonte, padre Filipe Gouvêa explica que, antes de tudo, é preciso saber que as relíquias são um testemunho de fé, expressando crença e convicção cristã. “Elas nos lembram uma pessoa, mártir ou santo, que viveu entre nós e testemunhou a fé – a tal ponto de entregar a vida ao Evangelho.”
O culto às relíquias, acrescenta, não ocorre apenas em relação aos santos, mas também àqueles em fase de canonização, a exemplo de servos de Deus, veneráveis e beatos.
Fragmento de osso chegou à capital mineira durante a celebração de 65 anos da paróquia de Santa Inês
Nem todas as relíquias são iguais: há três graus diferentes. A de primeiro grau, caso da de Santa Inês, diz respeito ao corpo de uma pessoa ou fragmento. “Pode ser também um pedaço de osso (em latim, “ex ossibus”), uma mecha de cabelo. A língua de Santo Antônio, preservada na Basílica Santo Antônio de Pádua, na Itália, também é relíquia de primeiro grau.”
Já a relíquia de segundo grau se refere a uma vestimenta, objeto pessoal, uma cama, enfim, algo que tenha pertencido ao mártir ou santo. A de terceiro grau, por sua vez, trata de algum objeto que tenha tocado o corpo do beato ou santo. “Um pedaço de tecido, por exemplo. Fundamental é que testemunhem a fé de alguém que pensou sua vida junto a Deus.”
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O culto às relíquias começa por volta do ano 300, no Império Romano, quando os cristãos sofriam grande perseguição. Nessa época, buscavam visitar os lugares sagrados, onde cristãos haviam sido martirizados, locais onde derramaram o sangue, sem negar a sua fé. “Portanto, ao visitar uma relíquia na igreja ou outro local, não se deve pensar em milagre. Mas, sim, em algo que representa a fé e as pessoas que lutaram por ela”, ressalta padre Filipe.
