Em cenário diferente de rodovias federais mineiras que tiveram redução da violência no trânsito em julho do ano passado, a BR-040 apresentou aumento de desastres (4%) e de mortes (18%) no mesmo mês em 2025, na comparação com a média de período equivalente entre 2022 e 2024. É o que mostra o levantamento feito pela reportagem do Estado de Minas sobre o período que inclui as férias escolares, com base em dados de ocorrências registradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

No sentido Rio de Janeiro, de Nova Lima a Simão Pereira, a 040 começa como uma rodovia metropolitana expressa, eleva-se em uma serra de pista simples com curvas fortes em sequência de subidas e descidas, transforma-se em uma avenida urbana caótica e termina em um trecho rural sinuoso, complicado por obras e neblina.


Mesmo onde predominam as pistas duplas (sem acostamentos ou separação física entre sentidos opostos), os riscos estão presentes e resultam em acidentes e mortes, como entre os Kms 546 e 555, em Nova Lima, e entre os Kms 627 e 636, em Conselheiro Lafaiete.


Em Nova Lima, na Grande BH, predominaram as colisões traseiras e os engavetamentos provocados pelo fluxo intenso e por frenagens bruscas. Em Lafaiete, o traçado reto esconde o perigo das conversões proibidas, feitas especialmente por moradores locais, e de pedestres cruzando a via.


A pista simples, com descidas longas e curvas fechadas, aumenta os riscos em trechos como o compreendido entre os Kms 585 e 604, entre Itabirito, Ouro Preto e Congonhas. As 20 ocorrências do período analisado descrevem, sobretudo, abuso de velocidade e ultrapassagens forçadas, causando colisões frontais, com um total de nove mortos e 141 feridos em acidentes diversos. Para veículos pesados, o superaquecimento dos freios resultou em perda de controle e tombamento nas curvas.


Cuidado: “arranca e para”


No sentido Brasília da BR-040, entre Belo Horizonte e Paracatu, mais uma vez os maiores riscos estão no tráfego intenso da Grande BH e nas retas distantes das áreas rurais. O complexo urbano saturado dos Kms 509 ao 532, entre Contagem e Ribeirão das Neves, é um dos mais críticos da Grande BH, caracterizado por alta densidade de veículos, mudanças de faixa, disputa por espaço e relevo irregular.


O risco predominante é o “efeito sanfona”, de arrancadas e frenagens, em que a distração e a proximidade excessiva geram colisões traseiras e engavetamentos, além do risco iminente de atropelamentos. O tráfego intenso de motocicletas pelos corredores, combinado com a troca repentina de faixas, cria zonas com pontos cegos sujeitas a colisões laterais.


Em segmentos rurais de pistas simples e longas retas, o relaxamento da atenção pode transformar cruzamentos rurais aparentemente simples em cenários de colisões transversais fatais, mesmo em condições climáticas perfeitas. Exemplo disso é o segmento entre os Kms 118 e 127, entre Lagoa Grande e João Pinheiro, no Noroeste de Minas. Foram seis sinistros, três mortos e 13 feridos no período avaliado. Os riscos são ampliados por acessos a fazendas e estradas vicinais sem faixas de desaceleração adequadas ou rotatórias.


As armadilhas da BR-262


Mesmo com redução de 31,5% nas mortes de julho, no comparativo entre 2025 e a média do mesmo mês de 2022 a 2024, a rodovia BR-262 também tem pontos concentradores de acidentes e vítimas que recomendam cuidados aos viajantes. Nesta época do ano, o fluxo para o Triângulo é bem superior ao que segue para o litoral, em razão da baixa temporada de praias.


Entre Betim, na Grande BH, e Comendador Gomes, no Triângulo, o cenário é de um corredor rodoviário impactado pelo conflito entre o tráfego pesado de longa distância e a movimentação urbana local.


Em apenas dois recortes, entre os Kms 353 e 362 (Betim/Juatuba) e entre os Kms 438 e 447 (Nova Serrana), o histórico é de 41 desastres, sete mortes e 52 feridos no período avaliado. Nos dois casos, o tráfego costuma fluir rapidamente até parar repentinamente devido ao fluxo intenso das áreas urbanas.


A distração do condutor em retas sob céu claro se mostra como o principal gatilho para colisões traseiras em série. Além disso, há risco de capotamentos e tombamentos nas transições para declives e curvas.


Desviando de buracos


No sentido litoral, a BR-262, entre João Monlevade e Martins Soares, não é tão violenta em julho quanto em outras épocas do ano. Mas o pavimento e as margens da pista variam severamente de qualidade. No trecho de Manhuaçu (Kms 44 ao 53), ondulações, afundamentos e buracos comprometem a estabilidade do veículo.


O trecho entre os Kms 34 e 43 é o campeão absoluto em volume de desastres: 24 sinistros e 33 feridos. Lá, a rodovia funciona como uma avenida, com motoristas cruzando a pista em rotatórias e saídas de bairros, muitas vezes sem respeitar a preferência da rodovia, o que causa colisões transversais violentas em pleno dia.


Já em Rio Casca (Kms 114 ao 121 e 136 ao 143), o perigo migra para as bordas: há defeitos críticos e degraus severos entre a pista e o acostamento. Além disso, o acúmulo de areia e detritos nas descidas sinuosas de Martins Soares compromete a aderência dos pneus.


Como se precaver?


A Polícia Rodoviária Federal (PRF) alerta para a importância de revisão mecânica, antes de pegar a estrada, com atenção especial aos sistemas de freios, suspensão, limpadores de para-brisa e estado dos pneus. “A manutenção preventiva não é um gasto, é o fator determinante que separa uma viagem segura de um sinistro grave”, destaca a PRF.


A postura do condutor diante do tráfego pesado exige paciência e o dobro de atenção à distância para o veículo à frente. O respeito aos limites de velocidade e a leitura constante do ambiente são essenciais.


A PRF também alerta sobre as armadilhas climáticas e geográficas de Minas Gerais, como a neblina matutina nas serras e a escuridão em trechos rurais sinuosos. “A velocidade máxima permitida nas placas é para condições perfeitas; sob neblina, chuva ou em trechos com obras e desvios, o motorista deve reduzir voluntariamente a velocidade para manter o controle”, destaca.

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O uso do celular ao volante e as ultrapassagens proibidas são apontados como os erros mais fatais nas estradas federais. “A viagem de férias não pode ser encarada como uma corrida. Programar paradas a cada duas horas para descanso e eliminar totalmente o uso do celular são posturas básicas que salvam vidas”, conclui a PRF.

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