RACISMO

Torcedor é condenado por injúria racial durante partida de futebol amador

Homem teria cuspido em atleta e o chamado de "macaco" em um jogo do Nacional Esporte Clube, da cidade de Piranga, na Zona da Mata mineira

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Um homem que desferiu xingamentos racistas contra um jogador de um time amador da cidade de Piranga, na Zona da Mata mineira, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais a dois anos, sete meses e três dias de reclusão, em regime inicialmente semiaberto. Ele também terá que pagar uma indenização de R$ 2 mil à vítima, por danos morais.

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O homem, identificado como José Rodrigo Zacarias Júnior, ainda foi proibido de frequentar locais destinados a práticas esportivas durante um período de três anos. A sentença foi assinada pela juíza Luisa Filardi Siqueira, da Vara Única da comarca de Piranga.

O ato de racismo foi praticado durante um jogo do Nacional Esporte Clube. No segundo tempo da partida, José Rodrigo teria cuspido no rosto do atleta, que estava próximo ao alambrado. Além disso, de acordo com os autos judiciais, o homem ainda teria ofendido a vítima, dizendo: "seu macaco, só não jogo latinha porque não pode".

Com o ocorrido, a vítima ficou bastante abalada e chegou a chorar em campo, isolando-se dos companheiros. O jogador ainda comunicou o ataque ao árbitro e aos seus familiares, que questionaram o agressor logo após a partida. Ele, por sua vez, teria respondido: "xinguei mesmo, e daí?".

A defesa alegou insuficiência de provas e afirmou que o réu teria utilizado apenas o termo "pipoqueiro". Os advogados também argumentaram que José Rodrigo é negro e conviveria com pessoas negras, o que demonstraria não haver motivos para a prática de racismo.

A juíza, porém, baseou a condenação na consistência dos depoimentos prestados contra o torcedor. Ela também ponderou que o racismo no Brasil tem raízes antigas e que a opressão acumulada por gerações causou, nos dias atuais, o chamado racismo internalizado.

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Na prática, segundo a magistrada, a própria pessoa negra, vivendo em uma sociedade que valoriza padrões brancos, pode acabar absorvendo a estrutura do preconceito e repetir ações racistas com outras pessoas negras.

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