Cursinho popular de BH tem aula inaugural com escritor e ativista baiano
Hamilton Borges participa da aula inaugural que acontece nesta quarta-feira (29/7) junto com o lançamento de seu livro "Escrevo para Ser Esquecido"
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A Casa Bantu, na região Nordeste de Belo Horizonte, recebe nesta quarta-feira (29/7) o escritor e ativista Hamilton Borges para o início da programação do cursinho popular "Abantu: Ensino para Todos". A aula inaugural também marca o lançamento do livro "Escrevo para Ser Esquecido".
O evento ocorre às 19h30, no Bairro Concórdia, e tem o objetivo de ampliar o acesso de uma educação igualitária e inclusiva à população jovem e adulta, pessoas negras de baixa renda e integrantes das comunidades tradicionais.
O projeto “Abantu: Ensino para Todos” é uma iniciativa realizada pela comunidade Nzo Jindanji Kuna Nkossi, tradicional em Belo Horizonte e no Candomblé Kongo-Angola em Minas Gerais. Seu nome vem do kimbundu, língua do povo Bantu, e significa "todos".
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A aula inaugural tem foco na preparação para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio, uma das competências mais importantes na prova. O cursinho também oferece aulas on-line de técnicas de escrita.
Para participar do processo seletivo é necessário preencher o formulário disponibilizado pela organização em seu Instagram.
A coordenação do curso é feita por Makota Gavulê, historiadora e educadora. Ela tem grande atuação no Morro do Papagaio, na região Centro-Sul da capital, e atuou em outros projetos populares. Ela destaca como a junção da religião e da educação deu origem ao Abantu.
“A comunidade da Nzo Jindanji Kuna Nkossi entende que a educação é um dos caminhos para potencializar aquilo que as pessoas têm. E, se a gente puder ajudá-las a acessar esses caminhos, é isso que vamos fazer", afirma Makota.
Momento especial
A união dos dois eventos não é por acaso. Hamilton Borges é escritor e ativista da população negra há mais de 20 anos e o livro é uma coletânea de crônicas, ensaios, cartas públicas e intervenções escritas durante todo esse tempo. A obra permite que sejam discutidos temas como o racismo, o genocídio da população negra e a memória e resistência dessa população.
Este é o momento de o autor também unir sua escrita à sua trajetória na educação. "A formação é o que nos falta hoje. Foi ela que nos deu régua e compasso para atuar nos anos 1980 e 1990, para mudar a leitura do país em relação às nossas situações. Então vou ficar muito à vontade, muito feliz e muito humilde também, porque vou lançar um livro, conversar e fazer aquilo que Guimarães Rosa, um mineiro, falava: me colocar como um mestre, mas sabendo que mestre é quem, de repente, aprende", disse o autor.
Sua formação e conhecimento têm relação direta com a redação do Enem, espaço onde é necessário aplicar conhecimentos sobre a sociedade brasileira e seus problemas estruturais. As reflexões presentes no seu livro permitem a construção de repertório social dos alunos sobre questões sociais, história e culturais que sempre atravessam os temas da prova.
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Serviço
- Data: 29 de julho
- Horário: 19h30
- Local: Casa Bantu - Rua Jequiriçá, 106 - Concórdia, Belo Horizonte
*Estagiário sob supervisão do subeditor Gabriel Felice