Instituto Hahaha leva palhaçaria à rua e celebra os 36 anos do ECA em BH
Palhaçaria, teatro e música ocupam a Praça Duque de Caxias, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste da capital, neste domingo (5/7), em apresentação gratuita
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Risos, música e palhaçaria voltam a ocupar a Praça Duque de Caxias, no Bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte, neste domingo (5/7), quando o Instituto Hahaha encerra na capital a temporada do espetáculo “Tá no estatuto!”, que celebra os 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e transforma a rua em uma assembleia viva de direitos, encontros e imaginação.
Após a apresentação realizada no sábado (4/7), a programação se encerra com a sessão deste domingo, às 10h30, na praça. A entrada é gratuita.
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A proposta do espetáculo é transformar o espaço público em uma espécie de assembleia a céu aberto, onde o público participa ativamente da construção simbólica dos direitos previstos no ECA, por meio do humor, da brincadeira e da interação direta com os artistas.
Segundo o cofundador do Instituto Hahaha, Eliseu Custódio, o principal desafio da criação foi traduzir a complexidade da legislação em linguagem artística acessível. “O ECA reúne muitas diretrizes e direitos fundamentais, o que torna difícil escolher o que levar para a cena. O desafio foi transformar esse conteúdo tão ‘duro’ em algo poético e lúdico”, afirma.
Para isso, o grupo apostou em múltiplas linguagens cênicas. “Selecionamos alguns temas centrais e usamos performance, música, dança, palavra falada e palavra musicada. Tudo estruturado como uma assembleia na praça, onde o público interage e vai descobrindo os direitos ao longo da apresentação”, explica Eliseu.
Nesse formato, a praça se torna um espaço de convivência e descoberta coletiva. “A ideia é que, por meio do humor e da brincadeira, o ECA vá se revelando na convivência com o público. No final, a mensagem fica clara: crianças e adolescentes têm direitos e são prioridade”, completa.
Eliseu destaca que o espetáculo também nasce da necessidade de tirar o ECA do papel e levá-lo para a rua. “As leis que regem o Estatuto, desde 1990, ficaram muito engessadas no papel. Sentimos a necessidade de trazer isso para uma produção artística que chegasse às cidades, às praças, às pessoas”, afirma.
Ambiente virtual na pauta
A apresentação também dialoga com desafios contemporâneos na garantia desses direitos. Entre eles, Eliseu destaca o ambiente digital. “Hoje já se fala no ECA Digital, porque a proteção também precisa estar no mundo virtual, onde há riscos como exploração e abuso sexual”, afirma.
Ele lembra ainda outras questões urgentes, como o trabalho infantil, situações de abandono e a dificuldade de continuidade no atendimento a jovens que deixam instituições ao completar 18 anos. Para ele, esses problemas reforçam a necessidade de políticas públicas intersetoriais e contínuas.
Apesar disso, Eliseu avalia que o ECA representa um avanço histórico importante. “Ele é fruto de uma forte luta social e coloca a criança como centro das políticas públicas. Mas ainda há muito a avançar para que isso se concretize na prática”, diz.
O principal desafio atual, segundo ele, é cultural. “O grande desafio continua sendo fazer com que a sociedade realmente reconheça e incorpore os direitos das crianças e adolescentes no dia a dia”, afirma. Ele também destaca a importância da integração entre políticas públicas para garantir proteção integral às famílias.
Reação marcada pela emoção
A recepção do público ao longo da circulação do espetáculo tem sido marcada por emoção e identificação. “Nas escolas e apresentações, muitas pessoas dizem que passam a compreender melhor seus direitos. As crianças se reconhecem como sujeitos de direitos, isso é muito significativo”, relata Eliseu.
Ele destaca também a reação de profissionais da área social. “Um assistente social ficou emocionado ao ver como temas tão sérios puderam ser tratados de forma leve e acessível na praça”, conta.
Entre as crianças, os jogos cênicos são um dos pontos mais marcantes, especialmente quando elas participam das dinâmicas e comemoram ao reconhecer os direitos apresentados em cena. Já entre os adultos, o impacto aparece em momentos de reflexão silenciosa durante o espetáculo.
Para Eliseu, a essência do projeto está na relação direta com o público. “Só existe palhaçaria quando há conexão. É essa convivência que faz o ECA acontecer ali na praça”, resume.
A montagem não segue narrativa linear e se estrutura como uma assembleia cênica, com diferentes quadros independentes, música ao vivo, improviso e interação constante. A palhaça Dodote Bololô conduz essa assembleia simbólica, enquanto cada artista apresenta um capítulo do Estatuto a partir de sua própria linguagem.
“Cada palhaço recebeu um capítulo e precisou dar conta dele com sua experiência artística. Tem quem use desenho, outros conversa, outros humor mais delirante”, explica a cofundadora do Instituto Hahaha, Gyuliana Duarte.
A música também ocupa papel central na construção do espetáculo. O diretor musical Gladson Braga explica que as composições surgem a partir dos movimentos dos palhaços e da improvisação com a plateia. “A proposta musical vem do que reflete cada personagem. E muitos sons surgem no improviso, inclusive ruídos e timbres não convencionais”, diz.
O figurino, assinado por Marcos Hill, rompe com a estética tradicional da palhaçaria e aproxima os personagens de uma estética urbana e juvenil. Já o cenário, criado por Luiz Dias, reforça essa conexão entre o universo da infância e da cidade.
Última apresentação em BH
Com circulação por todas as regionais de Belo Horizonte e por escolas da capital, o espetáculo encerra sua temporada ampliando o debate sobre direitos da infância e adolescência em diferentes territórios.
Para a última apresentação, o público pode esperar uma manhã de domingo com música, dança, humor e participação coletiva. “Vai ser uma roda de aniversário do ECA, com muita convivência e alegria na praça”, afirma Eliseu.
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“Tá no estatuto!” transforma o espaço público em um território de encontro entre arte e cidadania, aproximando a legislação do cotidiano e celebrando os 36 anos do ECA de forma leve, acessível e coletiva.