Delegada presa por deixar marido usar viatura soma três meses de atestado
Depois de ser presa com o marido e receber liberdade provisória, Wanessa Santana foi transferida e acumula três atestados médicos que, juntos, somam 95 dias
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A delegada de 38 anos, Wanessa Santana Martins Vieira, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), presa por emprestar uma viatura descaracterizada da corporação para uso pessoal do marido, Renan Rachid, recebeu mais um atestado médico garantindo 25 dias de afastamento a partir da última quinta-feira (25/6).
Depois da prisão em flagrante do cônjuge, também de 38 anos, que foi parado durante uma operação da PCMG na Avenida Presidente Antônio Carlos, região da Pampulha, em Belo Horizonte, no dia 10 de março, Wanessa foi transferida de delegacia. Ela já estava afastada por dois atestados que somam mais de 70 dias.
A renovação do afastamento foi divulgada no Diário Oficial do estado e confirmada pela Polícia Civil. Questionada, a corporação lembrou que "a renovação de licença para tratamento de saúde de servidores ocorre regularmente e mediante avaliação médica competente". Nenhuma outra informação sobre o caso foi concedida.
Prisões
A abordagem que resultou na prisão do advogado Renan Rachid foi feita em uma blitz na Avenida Antônio Carlos enquanto ele trafegava em uma faixa exclusiva para ônibus e veículos oficiais.
Segundo a Polícia Civil, a fiscalização foi planejada em decorrência de denúncias anônimas feitas à Corregedoria e à Ouvidoria do Estado em fevereiro deste ano. As informações indicavam que o homem estava utilizando o carro da instituição para ir ao trabalho.
Durante a operação, os policiais identificaram um veículo com as características descritas e deram ordem de parada. Durante a abordagem, o motorista se apresentou como advogado e mostrou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mas ao confirmarem que o motorista não era servidor público, ele foi levado para a Corregedoria.
O veículo foi apreendido e encaminhado para perícia. Enquanto isso, outra equipe do órgão foi até a casa da delegada responsável pela viatura. Ela foi levada para prestar esclarecimentos e também teve a prisão em flagrante confirmada.
Liberdade provisória
O casal passou por audiência de custódia e teve liberdade provisória concedida pela Justiça. A juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto entendeu que, apesar de haver indícios de autoria e materialidade, ambos são primários e não houve violência ou grave ameaça.
Durante as diligências, os policiais identificaram que o advogado utilizava a viatura com frequência para se deslocar de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de BH, até a capital, retornando no fim da tarde. Também foi constatado que ele sempre utilizava a faixa exclusiva do Move.
Em depoimento, o advogado admitiu a acusação. Inicialmente, afirmou que levaria o veículo para manutenção, mas depois declarou que vinha utilizando a viatura nas últimas semanas, com alegações de que o carro particular apresentava problemas mecânicos.
Ao conceder a liberdade provisória, a magistrada determinou o pagamento de fiança de três salários mínimos e meio para cada um dos investigados, além de medidas cautelares, como proibição de se ausentar das comarcas de Belo Horizonte e Lagoa Santa por mais de 30 dias sem autorização judicial. Eles também deverão manter os endereços atualizados e comparecer aos atos do inquérito e de eventual ação penal.
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Transferência
A viatura era de responsabilidade da delegada que, naquele momento, liderava uma delegacia em São José da Lapa, na Grande BH.
Segundo a polícia, um dia depois de ser presa, como punição, ela foi transferida para a 1ª Central Estadual do Plantão Digital, em BH. Essa decisão partiu do Órgão Especial do Conselho Superior da Polícia Civil, que aprovou a medida por unanimidade em reunião feita em 12 de março.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice