"O tempo é o recurso mais precioso" é a expressão máxima usada dentro do Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte (COP-BH). Fundada em 2014, a rede de inteligência conecta órgãos municipais, estaduais e concessionárias de serviços, com o objetivo de otimizar o tempo de resposta aos mais variados eventos que possam, de alguma maneira, afetar a população em uma cidade de 2,3 milhões de habitantes. Herança da Copa do Mundo no Brasil, a estrutura entra em nova fase neste ano, ao agregar a inteligência artificial a seus mecanismos.
O COP-BH é vinculado à Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção e reúne 19 instituições, sendo 16 públicas e quatro da iniciativa privada, para atuar em grandes eventos, catástrofes e crises. Também faz parte de suas atribuições a gestão integrada de problemas públicos de segurança, fiscalização, mobilidade, serviços urbanos, defesa civil e emergências em saúde.
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"O resultado é melhor quando se trabalha junto, e o nosso trabalho é fazer a interlocução e facilitar essa integração. O tempo é definidor no sucesso ou não da resposta a alguma ocorrência", avalia o diretor do COP-BH, Cláudio Lima. A estrutura foi criada em 2014 como parte das preparações para a Copa do Mundo da Fifa com o objetivo de coordenar a operação da cidade durante os jogos do mundial.
Inicialmente, o projeto contava com apenas 400 câmeras de monitoramento e tinha como principal atribuição o acompanhamento e coordenação do trânsito. Durante a Copa do Mundo de 2014, Belo Horizonte recebeu seis partidas, todas realizadas no estádio do Mineirão, na Pampulha, na região de mesmo nome. As partidas incluíram quatro confrontos da fase de grupos, um das oitavas de final e a semifinal com a fatídica goleada por 7 × 1 da Alemanha sobre o Brasil. Na época, a Secretaria de Estado de Turismo e Esportes (Setes) divulgou que a capital mineira recebeu 355 mil turistas, sendo 200 mil estrangeiros e 155 mil brasileiros.
Sempre presente
Desde então, o COP-BH acompanhou diversos eventos nacionais e internacionais na capital mineira, como a Copa América de 2019 e partidas dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Atualmente, se prepara para receber jogos da Copa do Mundo Feminina da Fifa, que será sediada pelo Brasil em 2027.
"O COP-BH está em um terreno que pertencia à BHTrans, não por acaso. Ele veio para ser o centro de coordenação operacional da BHTrans. De lá para cá, os governos entenderam que a estrutura era muito grande e tinha uma ótima possibilidade de incorporar outras políticas públicas. Partimos de mobilidade urbana para atuar hoje em vários eixos, como na segurança, na saúde, proteção social, fiscalização, entre outros", explica Lima.
Hoje, o Centro de Operações está presente em eventos tradicionais como o Arraial de Belo Horizonte, a Virada Cultural e a Parada LGBTQIA+ e acompanhou o crescimento e a consolidação do Carnaval de Belo Horizonte, considerado um dos maiores do país. Segundo a PBH, a folia deste ano bateu recorde de público e de blocos: os 457 desfiles de blocos de rua atraíram 6,6 milhões de foliões, sendo 349 mil turistas.
Além dos eventos, o COP-BH agiu para coibir aglomerações na pandemia da COVID-19 e atendeu as ocorrências de chuva intensa na cidade em 2020 e em 2022, quando vidas foram salvas pela ação integrada de equipes da Defesa Civil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Urbel, Samu e demais instituições ligadas ao tema.
Trânsito, ações criminosas, áreas de alagamento, tudo pode ser monitorado no COP-BH para facilar a resposta das autoridades
COMO FUNCIONA
Todas as informações disponíveis em eventos como esses são direcionadas para a sede do COP-BH, localizada no Bairro Buritis, Região Oeste da capital, uma estrutura que se compara aos centros de comando vistos em grandes metrópoles internacionais. São aproximadamente 500 colaboradores, que monitoram 5 mil câmeras espalhadas pela cidade 24 horas por dia, nos sete dias da semana.
As imagens passam pelas telas da Sala de Controle Integrado (SCI). Quando uma situação que exija intervenção é identificada, o trabalho integrado possibilita uma tomada de decisão mais acertada. Isso facilita a resposta a situações de crise e o gerenciamento de múltiplas situações complexas simultaneamente. Assim, é possível ter uma resposta rápida e eficaz, sem sobreposição de esforços. Cada situação demanda diferentes órgãos e frentes de atuação.
"Tivemos uma situação em que uma van escolar bateu em uma árvore que caiu em cima da rede elétrica. Uma situação caótica. Em uma situação dessa, a gente precisa da Guarda Municipal para fazer o isolamento da área, de um acesso à Cemig privilegiado para conseguir prioridade no desligamento da rede elétrica, de uma unidade avançada de saúde do Samu e do corpo de bombeiros para fazer o desencarceramento. O trabalho do COP é fazer com que todo mundo se comunique e que não tenha bateção de cabeça", explica o diretor.
PREVENÇÃO
Além disso, cabe à direção do Centro de Operações avaliar e definir as ocasiões que demandam a montagem de postos de comando para a gestão de grandes eventos ou em situações de calamidade pública, como o carnaval e o período de chuvas intensas, por exemplo. Os postos de comando, por sua vez, são definidos na Sala de Gestão de Eventos (SGE), que reúne o grupo tático ou estratégico com equipes atuando em três linhas: operações, eventos e situações críticas.
"A ação é sempre coordenada pela liderança situacional. Se for um problema de chuva, por exemplo, é a Defesa Civil de Belo Horizonte. Se a gente está fazendo uma grande operação de trânsito, é a BHTrans. O que o COP faz é oferecer uma infraestrutura e protocolos de atuação integrada necessários para cada uma dessas lideranças situacionais", diz Lima.
Um exemplo de ação recente ocorreu em maio, no fim de semana entre os dias 15 e 17, quando o COP-BH ativou um posto de comando para ampliar a capacidade de resposta das instituições públicas diante do aumento da circulação de pessoas em diferentes regiões da cidade. Aquele fim de semana concentrou shows, eventos culturais e a 1ª Maratona de Belo Horizonte.
Coube ao posto de comando identificar e agir diante de eventuais ocorrências para garantir a segurança de moradores e turistas, assim como garantir a mobilidade da população e o fluxo de veículos emergenciais, como ambulâncias e viaturas.
Em teste desde abril, câmeras inteligentes conectadas ao Centro de Operações ajudam a controlar o tráfego no Bairro Santa Efigênia
TECNOLOGIA
O trabalho realizado pelo COP-BH vai além de prevenir e reagir a situações que envolvem as forças de segurança. Ali também são gerenciadas as reações a alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores, incêndios, acidentes de trânsito, grandes manifestações e eventos culturais.
Também são realizadas ações de enfrentamento ao furto de cabos e fios, que frequentemente compromete a iluminação pública, as telecomunicações e o fornecimento de energia. Segundo a PBH, a integração entre Guarda Municipal, forças de segurança, concessionárias e órgãos de fiscalização contribuiu para a redução significativa desse tipo de ocorrência.
Além disso, todas as unidades de saúde de Belo Horizonte são monitoradas pelo COP-BH 24 horas por dia a partir de câmeras tanto para questões de segurança quanto para acompanhamento do termômetro da câmara fria onde ficam as vacinas.
Para realizar o trabalho de monitoramento constante da cidade, o COP-BH utiliza câmeras equipadas com tecnologia capaz de fazer reconhecimento facial e de placas veiculares, e de localizar, entre inúmeras imagens captadas, registros de crimes, como furtos, assaltos e violência contra as mulheres, contribuindo na identificação dos autores. Os equipamentos ainda permitem acompanhar em tempo real o comportamento do trânsito, aglomerações, incidentes urbanos e ocorrências de interesse da segurança pública, ou fazer cercamento virtual e a contagem de público na entrada de áreas como o Parque Municipal e os cemitérios da Paz e do Bonfim.
A Prefeitura de BH também investiu em um sistema de radiocomunicação digital integrado a fim de facilitar a comunicação entre os integrantes da Guarda Municipal, da BHTrans, do Samu, da Fiscalização e da Defesa Civil.
EXEMPLO NACIONAL
Desafios como chuvas extremas, trânsito rodoviário e expansão urbana não são exclusividade de BH. Por isso, outras cidades brasileiras têm se interessado pelo sistema do COP-BH para aumentar sua resiliência.
"O COP-BH e o COR-RJ (Centro de Operações e Resiliência do Rio de Janeiro) são referência nacional em centros de operações. Em tudo que existe de mais avançado, principalmente do ponto de vista de integração, somos nós, os dois centros de operações, que somos lembrados. Então recebemos visita de pessoas do Brasil inteiro, principalmente municípios de Minas Gerais, para conhecer o modelo para tentar reproduzi-lo", afirma o diretor.
Uma dessas cidades é Uberlândia, localizada no Triângulo Mineiro, que enviou representantes para visitar a sede do Centro de Operações e desenvolver uma solução semelhante. Durante a visita, realizada em abril, a comitiva pôde acompanhar a rotina do COP-BH e teve acesso aos principais fluxos operacionais, protocolos de atendimento e tecnologias utilizadas.
MURALHA BH
Ainda este ano, o COP-BH receberá o reforço de um novo projeto da prefeitura: o Muralha BH. Anunciada pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil) em outubro de 2025, a iniciativa prevê a implantação de 10 mil novas câmeras e um sistema integrado de monitoramento inteligente desenvolvido pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Prodabel, a fim de combater a criminalidade na cidade. "O COP-BH será o 'cérebro' do Muralha BH", afirma Lima. "O ano de 2026 está marcando a grande virada de chave do Centro de Operações para esse novo mundo da inteligência artificial aplicada à segurança pública", completa.
LICITAÇÃO
O projeto está em fase de licitação, e a previsão é que todo o sistema esteja funcionando até dezembro, abrangendo praças, parques, centros de saúde, escolas municipais, vias principais e os acessos aos corredores urbanos. Os equipamentos contarão com leitura automatizada de placas, que permitirá o cerco eletrônico imediato ao detectar restrições de furto, roubo ou clonagem; biometria facial com de algoritmos de inteligência artificial para detecção de comportamentos anômalos e identificação de indivíduos com mandados em aberto e com cruzamento de dados para identificar manchas criminais e antecipar delitos contra o patrimônio público.
"Muralha BH é um projeto que une segurança, mobilidade e inovação. Estamos trazendo para Belo Horizonte o que há de mais moderno em tecnologia urbana, para que a cidade seja um lugar onde todos possam circular com tranquilidade. Nenhum veículo entra ou sai de BH sem que a placa seja identificada. Saberemos se foi usado em crimes ou se é produto de furto ou roubo", disse Damião durante o anúncio.
ESTRUTURA DO COB BH
*5 mil câmeras espalhadas pela cidade, sendo 146 de leitura de placas (LPR)
*500 colaboradores atuando 24 horas por dia, 7 dias por semana
Estão presentes na rede de inteligência representantes das seguintes instituições:
» Municipais
*Coordenadoria de Atendimento Regional Centro-Sul (Care-CS)
*Empresa de Transportes e Trânsito (BHTrans)
*Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH)
*Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), com o monitoramento por câmeras de todas
As Unidades de Saúde Municipais
*Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)
*Serviço Móvel de Atendimento a Cães e Gatos em Situações de Urgência e
Emergência (SamuVet)
*Subsecretaria de Fiscalização (Sufis)
*Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil (Supdec)
* Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb)l Superintendência de Limpeza Urbana (SLU)
* Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte (Sumob)
» Estaduais
* Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig)
* Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa)
* Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG)
* Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG)
* Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) com o Batalhão de Polícia de Trânsito
* (BPTran) e o Centro de Operações Policiais Militares da PMMG (Copom)
» Privadas
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