O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ampliou a restrição de tráfego na ponte da BR 365 sobre o Rio das Velhas, no distrito de Barra do Guaicuí (município de Várzea da Palma), entre Pirapora e Montes Claros. Veículos de carga e ônibus acima de 10 toneladas estão proibidos de passar sobre a estrutura.

A ampliação da restrição, motivada por problemas estruturais na ponte, foi determinada pelo Dnit a partir de quinta-feira (11/6). Pela mesma motivação, desde 10 de janeiro de 2025, a travessia na ponte estava limitada a veículos de até 25 toneladas. Por meio de nota, o órgão federal informou que as restrições vão continuar até a “estabilização da estrutura da ponte”.

Dnit admite risco de interdição total

Por outro lado, o Dnit também admitiu que “a ponte “poderá ser totalmente interditada” ao tráfego, “caso as condições operacionais de controle não possam ser garantidas.

O órgão proibiu ainda a permanência de pedestres e a aglomeração de pessoas sobre o tabuleiro da ponte, que tem 180 metros de comprimento e 100 metros de vão livre.

Também na quinta-feira passada, empresários, produtores rurais e caminhoneiros da região realizaram uma manifestação na ponte sobre o Rio das Velhas, cobrando solução definitiva por parte do Dnit devido aos impactos negativos da interdição parcial da ponte para o transporte de cargas e de passageiros.

Desvio aumenta viagem em 183 quilômetros

Com a interdição em Barra do Guaicuí, os ônibus, caminhões e carretas acima de 10 toneladas que se deslocam pela BR 365 entre Montes Claros e Pirapora, ou entre o Norte de Minas e o Triângulo Mineiro, precisam fazer um desvio, com um aumento de 183 quilômetros na viagem.

O desvio é feito pela MCG 496, de Pirapora até Corinto (140 quilômetros), passando por Várzea da Palma. Em Corinto, os motoristas entram pela MCG, rodando mais 213 quilômetros até Montes Claros – no mesmo trecho, a viagem é onerada com as cobranças em três praças de pedágio. São totalizados 353 quilômetros nos dois trechos de desvio, sendo que a distância entre Pirapora e Montes Claros, passando pela BR 365, é de 170 quilômetros.

Monitoramento aponta avanço dos danos estruturais

Por meio de “nota de alerta” publicada em seu site oficial, o Dnit justificou que a ampliação da restrição para a passagem de veículos na ponte da BR 365 sobre o Rio das Velhas deve-se “aos resultados mais recentes do monitoramento estrutural contínuo realizado na travessia”.

“A ponte, que já operava em regime especial de trânsito, é monitorada 24 horas por dia por sensores instalados na estrutura. As análises mais recentes, consolidadas em Nota Técnica emitida nesta quarta-feira (10) pela empresa especializada responsável pelo monitoramento, indicam redução progressiva da rigidez da estrutura e processo acelerado de acúmulo de danos, confirmado por inspeção realizada no local”, diz o comunicado.

O Departamento informou que as “as restrições permanecerão em vigor até que os parâmetros de monitoramento indiquem estabilização da estrutura, por período mínimo de 30 dias, podendo ser revistas a qualquer momento”. Porém, “caso as condições operacionais de controle não possam ser garantidas, a ponte poderá ser totalmente interditada ao tráfego.

O órgão federal destaca que segue “acompanhando a situação em tempo real, em articulação com a Superintendência Regional do DNIT em Minas Gerais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as autoridades locais, e divulgará novas informações sempre que houver atualização do quadro”.

BR-365 é ligação estratégica para o transporte de cargas

A BR-365 é a principal ligação entre o Alto Paranaíba/Triângulo Mineiro e o Norte de Minas. A rodovia é muito usada por veículos de carga que seguem do interior de São Paulo ao Nordeste. Nesse caso, os motoristas vão até Montes Claros, onde pegam a BR-251 em direção à Rio-Bahia (BR-116).

Caminhoneiros relatam prejuízos e atrasos

Enquanto permanece a proibição para a travessia de veículos acima de 10 toneladas na ponte da BR 365 sobre o Rio das Velhas, em Barra do Guaicuí, os transportadores de carga da região continuam sofrendo com transtornos, prejuízos financeiros e atrasos nas viagens por conta da interdição parcial. O caminhoneiro Rony Alexandre da Paz reclama que teve um atraso de quase quatro horas na estrada ao se deslocar entre Montes Claros e Pirapora nesta segunda-feira (15/06).

Ele disse que saiu de Montes Claros (onde mora) e foi até Pirapora para carregar sua carreta de defensivos, devendo, em seguida, pegar a estrada novamente para levar a carga até Araras (SP). Como a sua carreta, mesmo vazia, pesa 11 toneladas, ele se viu obrigado a desviar pela MCG/Corinto e pela MCG 496/Várzea da Palma, para chegar a Pirapora. Além de rodar 183 quilômetros a mais, teve o custo do deslocamento com o veículo vazio aumentado em R$ 635,00, com as despesas de combustível (R$ 476,00) e do pagamento do pedágio em três praças de cobrança da taxação na MCG 135, entre Montes Claros e Corinto.

Transportadores cobram solução definitiva

O caminhoneiro Romildo Almeida Rodrigues, também morador de Montes Claros, lembra que a BR 365 tem grande fluxo de caminhões e carretas. “A proibição da passagem desses veículos sobre a ponte de Barra do Guaicuí traz um prejuízo enorme para todos os transportadores de cargas da região, entre os quais me incluo”, afirma.

Romildo reclama ainda que transportadores autônomos já estão sofrendo grandes perdas com a escassez de ofertas de cargas, “e função da economia em baixa” e da ‘esdrúxula tabela de piso (preço) mínimo do frete, aliada à tabela de peso, na qual somente os grandes (transportadores) se sobressaem”.

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Na mesma linha, o carreteiro Antonio Milton Librelon reclama que a interdição parcial da ponte sobre o Rio das Velhas está acarretando prejuízos, principalmente, para os motoristas de caminhões e carretas que fazem o transporte de soja e milho da região de Buritizeiro e Pirapora para Montes Claros e em direção ao Nordeste/Norte do país. Ele disse que existem caminhoneiros que estão rodando até quilômetros a mais por causa da interdição parcial da ponte. “O problema dessa ponte é uma falta de responsabilidade dos governos e falta de compromisso dos deputados da nossa região. A gente não tem representatividade”, protesta Antônio Librelon, mais conhecido como “Toninho Cabrobó”.

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