Lembro como se fosse hoje: o estádio do Mineirão lotado, com cerca de 70 mil pessoas, para celebrar a beatificação de Padre Eustáquio (1890-1943), o religioso holandês que viveu 18 anos no Brasil, a partir de 1925, e está sepultado em Belo Horizonte. Na próxima segunda-feira (15/6), quando se completam 20 anos da cerimônia que elevou o sacerdote a beato, será celebrada missa, às 19h, no Santuário Arquidiocesano da Saúde e da Paz, mais conhecido por Igreja Padre Eustáquio, na Região Noroeste da capital.

Era uma quinta-feira de tarde muito fria, Dia de Corpus Christi e da realização da 12ª Torcida de Deus, tendo à frente o arcebispo metropolitano de BH, dom Walmor Oliveira de Azevedo. Do Vaticano, para presidir o rito da beatificação, veio o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, o cardeal português dom José Saraiva Martins, representante do papa Bento XVI. Os portões foram abertos às 13h30, e o rito da beatificação começou três horas depois, durando 15 minutos – rápido, porém solene, intenso e em meio a silêncio absoluto.

De início, dom Walmor fez o pedido ao Sumo Pontífice para inscrever o nome do Servo de Deus, Eustáquio (batizado Hubbertus van Lieshout), no livro dos bem-aventurados. Em seguida, o padre Lúcio Dumont, da Congregação dos Sagrados Corações, a mesma do Beato Padre Eustáquio, leu a biografia dele – do nascimento em Aarle-Rixtel, no Sul dos Países Baixos, à morte em BH causada por tifo, doença transmitida por picada de carrapato. Lembrou também a passagem do missionário pela cidade de Romaria (antiga Água Suja), no Alto Paranaíba, onde viveu por uma década, em outros municípios da região e do Triângulo, e ainda Rio Claro e Poá (SP).

Diante do altar em forma de cruz grega, símbolo de que todos são iguais, o cardeal Saraiva leu a carta apostólica de Bento XVI. O reconhecimento do Vaticano fez a multidão – nesse momento, de pé – explodir de entusiasmo, ainda mais quando surgiram painéis de 8 metros de altura, em vermelho e preto, com a foto de Padre Eustáquio sobre cada uma das traves do campo. As duas cores significam “paz e saúde”, temas fundamentais na vida e obra do beato. Estavam presentes o cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo, o então secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Scherer, 500 padres e 100 bispos de todo o país.

Outra presença especial foi a do padre Gonçalo Belém Rocha, então com 82 anos, morador de BH, curado de um câncer na garganta, em 1962, por intercessão de Padre Eustáquio. O milagre investigado durante meio século, pela Santa Fé, levou o religioso à beatificação. “Sou muito sentimental; este momento é motivo de muita alegria”, limitou-se a dizer o padre Belém, que entrou no gramado seguindo a procissão formada pelo clero. Parentes de Padre Eustáquio, vindos da Holanda, depositaram flores perto dos painéis. No encerramento, às 20h, o estádio teve as luzes apagadas e as pessoas acenderam velas.

NOVO MILAGRE

Para o Beato Padre Eustáquio ser canonizado, o que significa se tornar santo, será necessária a comprovação de mais um milagre, o que ainda não existe, embora haja uma lista extensa de relatos de graças alcançadas por sua intercessão. Chamado de “Pai dos pobres”, ele teve como grande inspiração o belga São Damião de Molokai (1840-1889), que cuidou de leprosos desprovidos de assistência material e espiritual, na ilha Molokai, no Havaí.

Em 1942, Padre Eustáquio chegou a BH, onde ficou por pouco mais de um ano e quatro meses. Morreu em 30 de agosto de 1943, no Sanatório Minas Gerais (atual Hospital Alberto Cavalcanti), na capital.

CAMINHO DO COMÉRCIO A DOIS PASSOS...

Uma das mais importantes vias históricas do Sudeste brasileiro, unindo Minas e Rio de Janeiro, deverá se tornar Rota Turística Caminho do Comércio. O projeto do deputado federal Pedro Aihara está na Comissão de Cultura da Câmara e, segundo o parlamentar mineiro, já tem parecer favorável da deputada relatora, Duda Salabert. Na sequência, passará pelas comissões de Turismo e Constituição e Justiça. Aprovado, o projeto não precisará ir a plenário, pois tramita em modelo de apreciação conclusiva. “Queremos transformar este patrimônio histórico em oportunidade para o presente e o futuro, fortalecendo o turismo cultural e regional”, observa Pedro Aihara. A bicentenária história do caminho começa no início do século 19. A chegada de Dom João VI e família real portuguesa ao Brasil, em 1808, fez aumentar consideravelmente a população do Rio de Janeiro. Assim, em 14 de novembro de 1811, a “Real Junta do Commercio, Agricultura, Fabricas e Navegação do Estado do Brazil e seus Domínios Ultramarinos”, órgão integrante da administração joanina, determinou a abertura dessa nova rota.


...DO RECONHECIMENTO NACIONAL

O Caminho do Comércio passa por São João del-Rei e Madre de Deus de Minas, na Região do Campo das Vertentes, e ainda Andrelândia, Arantina, Bom Jardim de Minas e Rio Preto, no Sul de Minas. Do lado fluminense, Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Miguel Pereira, Rio das Flores, Vassouras e Valença. Além de comerciantes, muitos cientistas estrangeiros, conforme pesquisas, percorreram o trajeto durante o século 19, entre eles o francês Auguste de Saint-Hilaire (1819), os ingleses Robert Walsh (1829) e Charles James Fox Bunbury (1835) e o alemão Ernst Hasenclever (1839). Ao longo dos anos, recebeu melhorias, inclusive no trecho fluminense, e ficou conhecida também como Estrada do Comércio. Há um ano, o governo de Minas reconheceu o Caminho do Comércio como de “relevante interesse cultural”.

PAREDE DA MEMÓRIA

Viva São Pedro, Santo Antônio e São João! No próximo sábado (13), teremos a primeira das grandes festas juninas, o Dia de Santo Antônio. Na capital e no interior, haverá fogueira, quadrilha, quentão e muita alegria para saudar o frade franciscano nascido em Lisboa no final do século 12. Mas é também tempo de esperança para os moradores de Itatiaia, em Ouro Branco. Nesta data dedicada ao padroeiro do histórico distrito, a comunidade lembra o roubo da imagem do santo (do fim do século 18), em 1994. Na época, os ladrões levaram 20 peças sacras, das quais apenas três foram localizadas e retornaram ao templo. À frente da campanha para resgate do acervo está a Associação Sociocultural Os Bem-te-vis, presidida por Wilton Fernandes.

TEMPLO REABERTO 1

Fechada durante 11 meses para restauração, a histórica Capela Santo Antônio, em São João del-Rei, já recebe novamente os fiéis. Na reabertura, com missa, procissão com a imagem do padroeiro e toque de sinos, estiveram presentes o bispo diocesano, dom José Eudes Campos do Nascimento, o titular da Paróquia da Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar, monsenhor Geraldo Magela da Silva, e o diácono Jeferson Coimbra. A obra recebeu investimento de R$ 426,1 mil da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, por meio do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, e emenda parlamentar. O projeto contemplou restauro integral do altar, com a recuperação do douramento original e dos detalhes em ouro, e modernização de toda a parte elétrica da capela, incluindo a substituição da iluminação interna.


TEMPLO REABERTO 2

Típica do século 18, a Capela Santo Antônio é marcada pela bela fachada, com porta frontal única, duas janelas e balcões de ferro. Em seu interior, se destacam a balaustrada em jacarandá, além das pinturas e entalhes dourados de inspiração rococó, que revelam a riqueza artística presente nos antigos templos da região. Conforme a Diocese de São João del-Rei, não se sabe ao certo a data da construção. Estudiosos acreditam que o singelo templo já existia antes de 1765, pois há referências a ela no Livro de Títulos e Atos de Posses do Senado da Câmara, entre os anos de 1764 e 1782.

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ARCEBURGO

Estão abertas até 24 de julho as inscrições para o 38º Salão de Artes Plásticas de Arceburgo/Salão de Artes Engenheiro Julio Capobianco. O evento começará em 29 de agosto, com exposições e outras atividades no Instituto Histórico e Cultural desta cidade do Sul de Minas. Serão aceitos trabalhos nas áreas acadêmica, contemporânea, aquarela, naif, desenho/pastel/gravura, fotografia/arte digital e escultura/objeto. Na inscrição, o artista pode apresentar até duas obras por modalidade, desde que anteriores a 2021. Mais informações: @institutohistoricoecultural de Arceburgo

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