A insegurança na BR-251, no Norte de Minas, é um tormento para quem precisa se expor constantemente ao perigo na estrada para ir ao trabalho. É a rotina enfrentada pelo professor Marcos Vitor de Abreu Ferreira, que mora em Francisco Sá e, quatro vezes por semana, percorre 80 quilômetros entre ida e volta pela rodovia, para lecionar no município de Grão Mogol. Na viagem, encara a perigosa Serra de Francisco Sá.
“A BR-251 é uma estrada cheia de surpresas e riscos constantes para quem depende dela diariamente. É muito perigosa, sem acostamento em vários trechos e marcada pela imprudência de muitos motoristas. Muitas vezes preciso pedir carona ou retornar de carro, enfrentando situações difíceis e inseguras”, detalha o professor.
Victor Ferreira relata que já presenciou cenas de desastres fatais no perigoso trecho. “Também vivi momentos complicados, ficando horas parado em filas por causa de acidentes, muitas vezes com fome e sede, esperando a liberação do trânsito”, testemunha. “Grande parte dos acidentes que presenciei poderia ser evitada com mais conscientização e, principalmente, com melhorias na infraestrutura da rodovia”, acrescenta.
“Quando recebemos a notícia da concessão da BR-251 para a iniciativa privada, ficamos muito felizes e esperançosos. A terceira faixa e a tão sonhada duplicação representam mais segurança, mais agilidade e melhores condições para todos que usam essa estrada no dia a dia, especialmente para quem trabalha e depende dela constantemente”, conclui Victor Ferreira.
O motorista de táxi Alexsandro Ramires, de Salinas, viaja pela BR-251 de segunda-feira a sábado, no trecho de 220 quilômetros entre a cidade, conhecida como “Capital da Cachaça”, e Montes Claros. Ele espera a concessão da rodovia para a iniciativa privada e se diz a favor da cobrança do pedágio. Mas é outro a acreditar que as intervenções nos pontos críticos vão apenas amenizar os riscos para quem percorre o trecho, e também pensa que a duplicação de somente 42,3 quilômetros não vai eliminar os acidentes. “A minha esperança é que venham a duplicar tudo. Sem isso, vai acontecer acidente da mesma forma”, opina o taxista.
Por que “Estrada do Medo”?
A tragédia envolvendo um ônibus de viagem e uma carreta, que no último dia 24 de maio matou nove pessoas carbonizadas e deixou 10 feridas no município de Santa Cruz de Salinas, é a mais recente em uma longa lista de desastres fatais na rodovia, o que levou a BR-251 a merecer a fama de Estrada do Medo.
Uma das ocorrências mais graves foi registrada pouco mais de um mês antes, em 21 de abril, resultando na morte de seis pessoas da mesma família. O desastre aconteceu no Km 164, entre o trevo de Curral de Dentro e o distrito de Planalto, em uma região predominantemente rural da rodovia. Os seis integrantes da família viajavam em um carro com placa de São Paulo, destruído ao bater de frente com uma carreta.
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Apenas três dias antes, em 18 de abril, outra colisão frontal em Grão Mogol, na mesma rodovia, deixou dois mortos e oito feridos. Um mês antes, em 21 de março de 2026, dois motoristas morreram em uma colisão entre caminhões no Km 273, também em Salinas, reforçando o longo histórico de tragédias e a periculosidade da via no período recente
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Conforme mostrou o Estado de Minas, em 2025 a BR-251 foi a quinta com mais mortes no estado, somando 51 óbitos em 271 sinistros, com 374 feridos. As quatro primeiras foram as rodovias federais BR-381, BR-040, BR-116 e BR-262.
