A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) prepara a restauração e busca devolver a estátua do escritor mineiro Roberto Drummond à Praça da Savassi, na Região Centro-Sul da capital mineira, neste segundo semestre. O município removeu o monumento no final de 2025, após a obra do autor de "Hilda Furacão" ser alvo de vandalismos em 22 de dezembro. Um ato foi feito no último 22 de maio para homenagear o escritor e pedir o retorno da obra de bronze ao local.  

Agentes da Guarda Civil Municipal informaram ao Estado de Minas que identificaram a queda da imagem no decorrer de uma patrulha que estava sendo feita de madrugada daquele dia. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ficou como responsável por encontrar os envolvidos.

Em contato com a reportagem, a corporação informou que as investigações continuam e que as apurações ainda estão sendo feitas para localizar os vândalos.  

 

A peça danificada foi entregue à fundição, em Contagem, na região metropolitana, onde o criador da escultura, Leonardo Santana, trabalha. Ele avalia os danos causados e vai ser o responsável por restaurá-la. 

Nos últimos anos, Santana tem sido acionado pela PBH para criar estátuas de diversos nomes representativos da história da cidade e do estado, que estão espalhados pela cidade – são 20, além da estátua de Roberto Drummond, que estava há mais de duas décadas em seu lugar cativo na Savassi. 

Depois da reforma, a obra vai ser reinstalada no mesmo local. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, foram assegurados pouco mais de R$ 11 mil para a execução dos serviços de manutenção corretiva. 

Associação de moradores

A associação de bairro AmoSavassi se reuniu em 22 de maio para homenagear e pedir o retorno da estátua. O encontro teve a participação de pessoas ligadas à cultura, jornalismo e moradores da região. Um banner do tamanho da escultura foi posto provisoriamente no local para simbolizar o “vazio” deixado com a ausência da obra. 

Os transeuntes que estavam na mobilização entoaram gritos de “Volte, Drummond”, seguidos de palmas em homenagem ao escritor. Eles esperam que o próximo encontro seja de festa para a reinauguração da estátua. 

Estatua de bronze do escritor Roberto Drummond ainda não tem data para ser recolocada pela PBH, na Praça da Savassi

Edesio Ferreira/EM/D.A

Recorrência

O vandalismo sofrido pela estátua levantou o debate sobre a preservação do patrimônio cultural na capital mineira. O conjunto de esculturas da Savassi estava sendo alvo de depredações. Em 2022, a imagem de Drummond foi pichada por um homem com spray, no mesmo ano em que a figura de Henriqueta Lisboa teve os braços arrancados e os olhos pintados de vermelho. 

Depois de passar por um rigoroso processo de restauração, as peças foram devolvidas para exposição em 2023.

O combate ao vandalismo e ao dano ao patrimônio em Belo Horizonte se sustenta em uma união de leis federais e normas municipais. No âmbito federal, o Código Penal (Art. 163) classifica a destruição de bens públicos como dano qualificado, enquanto a Lei de Crimes Ambientais prevê detenção de até um ano para quem pichar monumentos urbanos.

Na esfera municipal, o rigor é complementado pela Lei nº 11.318/2021, que diferencia juridicamente o grafite – tratado como arte urbana – da pichação, considerada ato ilícito. Além das sanções penais, o Código de Posturas da capital (Lei nº 8.616/2003) impõe multas administrativas pesadas para infrações que causem degradação ou poluição visual no espaço público. O infrator pode responder tanto a processos criminais quanto a multas municipais acumulativas.

O escultor

"Os monumentos são um registro de nossos valores, de nossa cultura, evidenciam a riqueza que somos, a riqueza cultural, das pessoas que formataram a cidade, também nos aspectos político e social. São pessoas significativas para a cidade, que mostram aos que virão a razão de estarem ali, representando nossas potencialidades", diz Santana, responsável por esculpir as obras espalhadas pela capital mineira.

Leonardo é responsável pelas estátuas dos escritores Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, no Centro, Fernando Sabino e seus amigos Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, ícones da literatura brasileira, na porta da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, perto de onde também está, nos jardins, o escritor Murilo Rubião.

Ele é o criador das estátuas da antropóloga e filósofa Lélia Gonzalez, e da escritora Carolina Maria de Jesus, no Parque Municipal, além de outras obras na Praça da Assembleia e no Minas Tênis Clube I, por exemplo. Todos os trabalhos sempre em tamanho real.

No final do ano passado, ele esculpiu uma em homenagem ao ex-prefeito Fuad Noman, instalada na praça que recebeu o nome do ex-chefe do Executivo municipal, na Avenida Afonso Pena. A peça em bronze mede 1,75m x 0,60m e pesa 150 quilos. Instalada sem base, no mesmo nível da calçada, fica mais próxima e em interação com o público.

Roberto Drummond

Roberto Drummond foi uma das figuras literárias mais importantes de Minas Gerais e a estátua, que o homenageia, havia sido instalada na Praça Alfredo de Vasconcelos , na Savassi, um dos pontos mais movimentados da capital mineira. 

Celebrado na literatura brasileira, ele permanece vivo no imaginário popular por meio de suas obras. Natural de Ferros, Região Central de Minas, o escritor alcançou o auge da popularidade com o romance "Hilda Furacão" (1991), que se tornou fenômeno nacional após a adaptação para minissérie em 1998. 

O reconhecimento da crítica, porém, veio muito antes. Em 1975, Roberto Drummond conquistou o Prêmio Jabuti como autor revelação por "A morte de DJ em Paris". O escritor, nascido em 21 de dezembro de 1933, faleceu em Belo Horizonte, em 21 de junho de 2002, aos 68 anos. (Com informações de Joana Gontijo)

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*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck 

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