As mortes de cães com suspeita de envenenamento têm causado revolta entre moradores e protetores de animais na cidade de Passa Tempo (MG), na Região Centro-Oeste do estado. Entre os dias 24 e 27 de maio, diversos animais foram encontrados agonizando ou mortos nas imediações da Igreja do Campo Fita Azul, na Avenida Donato Andrade.
Segundo moradores da região, os animais apresentavam sintomas compatíveis com intoxicação. A suspeita é de que os casos estejam ligados a envenenamentos criminosos recorrentes no local. A situação reacende o alerta para casos semelhantes registrados recentemente em Salinas, no Norte de Minas, onde dezenas de cães e gatos morreram com suspeita de envenenamento nas últimas semanas.
De acordo com a protetora independente Érika Machado, os animais viviam na praça da região e eram alimentados diariamente por moradores. “Eu alimentava esses animais todos os dias. Na pracinha, havia cerca de 10 animais e nós fornecíamos comida e água diariamente. Os animais que foram envenenados moravam na praça”, relatou.
Ela afirma que, no dia 27 de maio, foi registrado um boletim de ocorrência na Polícia Civil denunciando as mortes de dois cães conhecidos como Pepeto e Negão. Depois disso, outros casos envolvendo um gato e mais três cachorros também foram relatados.
“Pepeto e Negão moravam na praça. Eu fiquei meses cuidando deles. O Pepeto era muito conhecido na região, assim como o Branquinho e o Negão”, disse.
Segundo os protetores, toda a situação foi formalizada junto ao Ministério Público. A denúncia inclui fotos dos animais, relatos de moradores e materiais retirados de grupos de WhatsApp que conteriam discursos de ódio contra animais em situação de rua e ataques a pessoas ligadas à causa animal.
Leia Mais
A preocupação, segundo os denunciantes, vai além da crueldade contra os animais. “Existe também risco à saúde pública, já que substâncias tóxicas podem atingir crianças e outros animais que circulam pela região”, alertou Érica.
Os protetores também cobram respostas do poder público municipal. Segundo eles, uma reunião realizada na Câmara Municipal em março discutiu políticas públicas voltadas à causa animal, mas, até o momento, nenhuma medida efetiva teria sido implementada.
“A prefeitura ainda não se manifestou sobre o caso. A cidade trabalha com um número muito pequeno de castrações e isso acaba agravando ainda mais a situação dos animais abandonados”, afirmou a protetora.
Ela também defendeu investigação por parte das autoridades.“O Ministério Público e a Polícia Civil precisam acompanhar esse caso”, disse. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a causa das mortes dos animais.
A reportagem procurou a Polícia Civil e a Prefeitura de Passa Tempo para questionar sobre as mortes e as providências tomadas. Até a publicação desta reportagem, ambos ainda não haviam respondido. A matéria será atualizada caso os órgãos respondam.
Minas registra aumento de maus-tratos
Os casos em Passa Tempo e Salinas ocorrem em meio ao aumento de registros de maus-tratos contra animais em Minas Gerais. Até março deste ano, o estado contabilizou 1.917 ocorrências, cerca de 30% a mais do que no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 1.467 casos.
No mesmo intervalo, 124 pessoas foram conduzidas pela prática no estado, contra 108 nos três primeiros meses do ano anterior.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O que diz a lei
Maus-tratos a animais são crime no Brasil, previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998), com pena de detenção de três meses a um ano e multa. Desde 2020, a Lei nº 14.064 aumentou a punição para crimes contra cães e gatos, prevendo reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. A pena pode ser aumentada em até um terço se o animal morrer em decorrência dos maus-tratos.
