Neste mês, as meninas vestidas de anjo mantêm o costume que atravessa gerações em Minas e jamais perde o encantamento - (crédito: FOTOS: GUSTAVO WERNECK/EM/D.A PRESS)
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Em 2025, o menino Alfonso Luís Vargas Mantini, autista e surdo, participou da coroação inclusiva em Santa Luzia, na Grande BH
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Maio traz a floração das margaridas ao longo das estradas, temperaturas mais amenas indicando nova estação e, nas igrejas e capelas de BH e do interior mineiro, uma singela tradição que vem do século 13 e não se perde com o tempo: a coroação de Nossa Senhora. Vestidas de anjos, com túnicas brancas ou em cores suaves, crianças se dirigem ao altar para homenagear Maria, a mãe de Jesus.
Em cortejo pelo interior da igreja, as meninas – e muitas vezes também os meninos – levam nas mãos a coroa, o véu, a palma, o manto, o coração e os versinhos na ponta da língua. Vejam esse: “Esta coroa que te ofertamos/Com muito amor e com devoção/Oh, mãe querida, nós te amamos/Com todo o amor do coração”. Se a memória falhar na hora do canto, não há problema, pois a coordenadora encarregada de ensaiar a garotada está atenta com o roteiro ali bem pertinho.
Os pais ficam maravilhados quando os filhos e filhas se aproximam do altar, e há um “congestionamento” de celulares para registrar a cena a ser postada nas redes sociais, mostrada aos parentes e armazenada por muitos e muitos anos. Sempre ao final da missa, a coroação deixa cenas inesquecíveis e guardadas com carinho na memória: enquanto algumas crianças soltam a voz, há outras que começam a chorar, ficam mudas de nervoso. Mas, no término, todas recebem muitos aplausos, abraços dos familiares, agradecimentos do celebrante e um presentinho dado pelos pais de quem coroou a imagem. Pode ser um cartucho de amêndoas, um cartão com um bombom, um santinho colorido.
Na quarta-feira (13), dia dedicado a Nossa Senhora de Fátima, muitas igrejas terão momentos bem especiais. Em BH, no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima, localizado na Praça Carlos Chagas (Praça da Assembleia), no Bairro Santo Agostinho, haverá coroação da imagem, após a missa das 19h. Segundo o reitor e pároco, padre Fernando Lopes Gomes, a homenagem será prestada pela comunidade Luso Brasileira.
CORES E PERFUMES
Maio é dedicado às mamães, e a Igreja Católica consagra o mês a Maria, mãe de Jesus. A tradição nascida no século 13 vem da Europa, onde o mês é primavera, quando são colhidos os frutos da terra e as flores do campo estão plenas de cores e perfumes. Assim, o cenário envolve Maria, “considerada a flor mais bela”, conforme os estudos. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e, desde então, os devotos realizam coroações da imagem de Nossa Senhora neste mês.
O costume se solidificou no século 14, na França, quando a figura de Maria ganhou destaque. A mãe de Jesus era simbolizada por uma flor adornada de joias, dando origem às coroações. Foi São Felipe Neri quem começou a dedicar o mês de maio a Maria, fazendo a ela homenagens com flores. Cada elemento que as crianças oferecem a Nossa Senhora tem um significado. A palma representa a pureza de Maria; o véu, sua virgindade; a coroa, a realeza; e as flores remetem à homenagem feita por São Felipe Neri.
ALTAR DE EMOÇÃO
A coroação de Nossa Senhora – e do Sagrado Coração de Jesus, em junho – se torna momento também de inclusão. Em 2025, conforme noticiou o Estado de Minas, o menino Alfonso Luís Vargas Mantini, autista e surdo, então com 9 anos, esteve no altar, no Santuário Arquidiocesano Santa Luzia, em Santa Luzia, na Grande BH, participando da coroação. Foi muita emoção para os presentes: enquanto apresentava os versos em libras (Língua Brasileira de Sinais), a mãe da menina que coroou Nossa Senhora cantava a música.
PARÓQUIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO/DIVULGAÇÃO – 11/1/25
TEMPLO DO SÉCULO 19 AGUARDA RECURSOS...
No início do ano passado, Cachoeira do Pajeú, no Vale do Jequitinhonha, sofreu um duro golpe no seu patrimônio histórico e religioso. Na noite de 10 de janeiro, durante tempestade, a Igreja Nossa Senhora da Conceição teve parte destruída – uma parede e o telhado desabaram. Por sorte, a capela-mor e o batistério não foram atingidos, sem registro, portanto, de destruição de imagens e outras peças sacras. Datada de 1863, a construção mais antiga da cidade de 9,5 mil habitantes se tornou, de imediato, alvo da preocupação de autoridades estaduais e municipais, recebendo visita de especialistas, mas o cenário continua o mesmo, com o templo interditado.
A esperança da comunidade e da paróquia, para ver a igreja em obras, está na plataforma Semente, do Ministério Público de Minas Gerais, que destina recursos originários de medidas compensatórias ambientais para projetos de defesa do meio ambiente natural, cultural e urbanístico, além de socioambientais. A prefeitura local comprou todo o material para escoramento do templo, investimento de mais de R$ 50 mil. “Continuamos na Plataforma Semente, aguardando a liberação de recursos para uma empresa fazer o trabalho”, diz o secretário Municipal de Cultura e Turismo de Cachoeira de Pajeú, Gabriel Ramos dos Santos. Vinculada à Diocese de Araçuaí, a igreja (dedicada à padroeira) não é tombada pelo município, mas foi inventariada.
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GOSTEI DO QUE VI
Quem for à Casa Fiat de Cultura, em BH, poderá ver até o dia 24 a exposição “O sorriso do Barroco”, com 64 obras, entre pinturas e porcelanas, de Iuri Sarmento. Curadoria de Marcus Lontra. Artista mineiro, Iuri Sarmento convida o público “a encontrar suas raízes e perceber como a arte permanece viva ao atravessar o tempo e se transformar”. E o que é o Barroco? Com raízes na Europa do final do século 16, o Barroco se caracteriza pelo dinamismo das formas, contraste entre luz e sombra e uso abundante de ornamentos. No Brasil, especialmente em Minas durante o período colonial, essa estética ganhou características próprias, tornando-se um dos capítulos mais marcantes da história cultural do país. Igrejas ricamente decoradas, esculturas dramáticas e pinturas que exploram emoção e teatralidade são algumas das marcas desse estilo que influenciou profundamente a produção artística brasileira. “O Sorriso do Barroco” revisita esse legado ao demonstrar como seus elementos continuam presentes no imaginário visual contemporâneo. Aberta de terça a sexta-feira, das 10h às 21h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h.
DIVULGAÇÃO
MINEIROS EM BRASÍLIA
Após um intervalo de 15 anos, será realizada em Brasília (DF), de 26 a 28 de maio, a Conferência Nacional de Arquivos com o tema Arquivos: agentes da cidadania e da democracia. De Minas, seguirá uma comissão formada por 20 delegados (oito representantes do poder público, 12 da sociedade civil) eleitos, em abril, durante a etapa estadual preparatória para a conferência, promovida pelo Conselho Estadual de Arquivos (CEA), via Arquivo Público Mineiro (APM). O evento, que teve grupos de trabalho para elaboração de propostas, reuniu gestores públicos, pesquisadores, estudantes, representantes da sociedade civil e integrantes de arquivos públicos, privados e comunitários.
COMIDA DE SENZALA
Cultura, história e ancestralidade – é o que promete a 12ª Festa Folclórica Cores do Rosário & Comida de Senzala, na Praça Melo Viana, no Centro Histórico de Sabará. Será no próximo domingo (17/5), das 12h às 22h, com os cortejos de congado e marujada, capoeira, dança afro e desfile de moda, lançamento literário, feira cultural e a tradicional comida de senzala, “símbolo de resistência e memória”, na palavra dos organizadores. Realização do Centro Cultural Cores do Rosário.
Em homenagem ao ex-presidente JK, mineiro de Diamantina, no cinquentenário de sua morte, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais vai promover entre 19 e 21 de agosto o simpósio temático Juscelino Kubitschek: 50 anos de ausência (1976-2026) – Projeto político, modernidade e construção da memória. Assim, até o próximo dia 30, o instituto vai receber propostas de comunicação para o encontro, em BH. Coordenação científica do professor Marcelo Cedro, da PUC Minas. As propostas de comunicação, na prática, são resumos a serem avaliados por uma comissão para verificar se o trabalho acadêmico tem mérito para apresentação no simpósio. Mais informações no site ihgmg.org/jk