HISTÓRIA

Mostra em museu de MG comemora 200 anos da pecuária zebuína no Brasil

A exposição busca conectar a a história da chegada do gado Zebu ao Brasil com o futuro sustentável e global da produção de alimentos

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Até o fim deste ano acontece no Museu do Zebu, localizado no Parque Fernando Costa, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a mostra Zebu 200: raiz tropical, futuro global. Ela é a 41ª Mostra do Museu do Zebu Edilson Lamartine Mendes e foi inaugurada durante a 91ª ExpoZebu, que aconteceu entre os dias 25 de abril (sábado) e 4 de maio (última segunda-feira).

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A exposição celebra os 200 anos da chegada de raças zebuínas no Brasil e destaca o impacto de sua genética na sustentabilidade e na segurança alimentar mundial. A mostra destaca também o Zebu como um elo fundamental entre a sustentabilidade, produtividade e qualidade na pecuária moderna e valorização dos pioneiros.

"A mostra quer apresentar um novo olhar sobre a pecuária brasileira ao conectar a história da chegada do gado Zebu ao Brasil com o futuro sustentável e global da produção de alimentos. Há uma valorização intensa da trajetória de importadores, criadores e "mascates" que, ao longo de mais de dois séculos, impulsionaram a expansão e o melhoramento genético do rebanho", explica a presidente do Conselho Deliberativo do MuZe (Museu do Zebu), Ana Cláudia Mendes Souza.

Ainda segundo Souza, a mostra também quer valorizar a Conexão entre Gerações, ou seja, a exposição busca mostrar a transformação da pecuária através de uma experiência imersiva que conecta a história vivida pelos criadores antigos ao trabalho das novas gerações.

A exposição conta com acervo histórico, obras e conteúdos produzidos por pesquisadores e estudiosos da história do Zebu. Quem visita a mostra encontra um novo olhar sobre a história da pecuária brasileira. A mostra Zebu 200: raiz tropical, futuro global conduz o público por uma experiência imersiva que celebra os dois séculos da chegada do Zebu ao Brasil, destacando a evolução genética, a adaptação da raça ao clima tropical e sua importância para o futuro da alimentação no mundo, ressaltou Souza.

Ana Cláudia destaca que, "a mostra reforça a importância de preservar a história da pecuária zebuína e valorizar o trabalho construído ao longo de gerações. O mais importante é respeitar a trajetória da nossa pecuária e reconhecer a importância daquele Zebu que chegou ao Brasil há mais de 200 anos. Essa história está diretamente ligada à sustentabilidade e ao trabalho desenvolvido por produtores, criadores, selecionadores e pelas famílias que ajudam a preservar esse legado".

A historiadora Maria Antonieta Borges, que assina uma das obras da curadoria ao lado de Eliane Marquez, considera a mostra extremamente importante porque preserva a memória de um período fundamental para Uberaba, quando a cidade deixou de ser apenas um entreposto comercial e se tornou um dos principais polos da pecuária zebuína no Brasil.

Para a supervisora administrativa do MuZe, Maria Goretti dos Santos, a exposição desperta identificação em públicos de todas as idades. "É emocionante ver essa união entre gerações, desde as crianças até os mais idosos. Cada pessoa consegue se enxergar em alguma parte da mostra", disse.

7 salas

A mostra conta com a Sala 1: Zebu +200 anos - onde o mundo se encontra à mesa; Sala 2: + 200 anos de história - o Zebu como ponte entre nações; Sala 3: + 200 anos de Zebu no Brasil pioneirismo na pecuária; Sala 4: linha do tempo; Sala 5: 125 anos de Mascates: os amigos do povo; Sala 6: a força do Zebu no Brasil e Sala 7: sustentabilidade e geoparque uberaba.

A temática principal da Sala 6 é apresentar a importância do zebu nas diferentes regiões do Brasil, com destaque a sua adaptação, presença e contribuição para a pecuária nacional. O local busca valorizar a diversidade cultural de cada região brasileira, mostrando costumes, tradições e características que fazem parte da identidade do país.

O espaço também aborda aspectos da cultura regional e do clima predominante em cada parte do Brasil, com o objetivo de demonstrar como os fatores climáticos influenciam a distribuição, adaptação e desenvolvimento das raças zebuínas. Dessa forma, o visitante poderá compreender a ligação entre o zebu, o clima e a identidade pecuária de cada região brasileira.

Climas e raças:

Centro-oeste: Nelore, Brahman, Cangaian

Nordeste: Sindi, Indubrasil, Guzerá

Norte: Nelore, Tabapuã, Punganur

Sudeste: Gir, Guzerá, Tabapuã, Punganur

Sul: Indubrasil e Brahman

A chegada da raça zebuína no Brasil

De acordo com relatos históricos da pecuária brasileira, os primeiros registros de entrada de zebuínos puros no Brasil ocorreram em 1813, quando um casal de animais vindos da Costa do Malabar, localizada na Índia, foi deixado no Porto de Salvador, na Bahia.

O interesse não era apenas econômico - a curiosidade em meio à origem exótica dos animais acompanhava os auspícios liberais do século, quando o Ocidente "civilizado" parecia redescobrir a cultura "selvagem" dos povos afro-asiáticos. Tanto que alguns deles foram levados para os zoológicos europeus para serem exibidos, onde, na época eram uma atração que atingia recordes de visitação. O que se sabe é que, por volta da metade do século XIX, alguns exemplares de gado indiano chegaram ao Rio de Janeiro. Inicialmente, esses bois diferentes, de proeminente cupim e barbela, foram tratados como bichos de zoológico. O zebu era mais uma curiosidade do Oriente, trazida ao país por importadores de animais exóticos como elefantes, zebras e aves avestruzes, contou a historiadora Maria Antonieta Borges

Chegada dos zebuínos em Uberaba

A chegada dos zebuínos em Uberaba, no final do século XIX, conforme a historiadora, foi um processo pioneiro e desafiador, que transformou a cidade mineira no "Berço do Zebu" no Brasil e polo mundial de genética bovina. Esse processo foi marcado por importações ousadas, adaptação ao clima tropical e a visão de criadores locais.

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A chegada a Uberaba como marco histórico é atribuído à compra do touro Guzerá, chamado "Lontra", pelo criador mineiro Antônio Borges de Araújo em 1889, no Rio de Janeiro. Lontra foi levado para a Fazenda Cassu em Uberaba, inaugurando a criação na região. Lontra deu origem à base do rebanho que fez a fama e a fortuna da família Borges de Araújo. Outros criadores, começaram a importar mais animais, encantados com a resistência e vigor da raça. Em 1906, a Fazenda Cassu importou um lote de 46 animais da Índia, e fez uma das primeiras exposições particulares da região.

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