O suspeito de matar a companheira, de 35 anos, em Varginha, Sul de Minas, foi indiciado por feminicídio. O homem, de 45, foi preso no domingo (12/4), em Barbacena, no Campo das Vertentes, após deixar a cidade durante as investigações iniciadas em janeiro, quando o corpo da vítima foi encontrado em uma área de mata. A causa da morte foi confirmada posteriormente: asfixia. A conclusão do inquérito foi apresentada pela Polícia Civil nesta terça-feira (14/4).

O desaparecimento de Kênia Vazi Angélico, registrado em 18 de janeiro, deu início a uma busca angustiante por parte da família, que passou a agir por conta própria diante da falta de respostas. Em meio a informações incertas, o irmão de Kênia seguiu diversas pistas na tentativa de encontrá-la. Uma dessas indicações o levou até São Thomé das Letras, onde ela teria sido vista.

Após oito dias desaparecida, o corpo foi encontrado no dia 26 de janeiro pelo irmão da mulher, em uma área de mata conhecida como “buracão”, no bairro Monte Castelo. Ele relatou que avistou um cobertor ao subir em uma árvore e, ao verificar o local, encontrou o corpo escondido sob folhas de bananeira, próximo a um barranco.

Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da perícia da Polícia Civil foram até o local para os primeiros levantamentos. Naquele momento, o avançado estado de decomposição do corpo dificultou a identificação de sinais de violência, e não havia indícios claros sobre a causa da morte. A geografia do terreno, considerada íngreme, levantou inicialmente a hipótese de queda acidental. No entanto, dois fatos despertaram suspeitas. O primeiro foi que o corpo estava envolto em uma coberta que foi identificada como sendo da casa da vítima; o segundo foi que o corpo estava parcialmente coberto com folhas de bananeira.

Com o avanço das investigações, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) passou a ouvir testemunhas e pessoas próximas à vítima. Os relatos apontaram que a vítima vivia um relacionamento conturbado, marcado por episódios recorrentes de violência doméstica. Segundo os depoimentos, ela era alvo de ameaças de morte e de agressões físicas, o que reforçou a suspeita de feminicídio.

O companheiro da vítima foi ouvido, apresentou álibis contraditórios e tentou desviar o foco das investigações, acusando outras pessoas pelo crime. As inconsistências nos depoimentos e os relatos das testemunhas, contribuíram para que ele passasse a ser considerado o principal suspeito.

Pouco tempo depois de prestar esclarecimentos, o homem deixou a cidade sob a alegação de ter conseguido emprego no Campo das Vertentes. Para os investigadores, a mudança repentina foi interpretada como uma tentativa de fuga.

A conclusão dos exames periciais foi decisiva para o caso: o laudo necroscópico confirmou que a morte ocorreu por asfixia por constrição cervical, descartando definitivamente a hipótese de acidente e confirmando o assassinato. Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do suspeito, que foi localizado pela Polícia Militar em Barbacena, a cerca de 240 quilômetros do local do crime.

O inquérito policial, presidido pela delegada Geny Rodrigues Azevedo, foi concluído nesta terça-feira (14/4) e encaminhado ao Poder Judiciário. Com o indiciamento por feminicídio, o caso segue agora para análise da Justiça.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Juliana Lima

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