ASTROS DA UFMG

Astrônomo da UFMG descobre novas estrelas: 'Não achamos mais sem querer'

Pesquisador diz que as primeiras descobertas dos 31 aglomerados de estrelas foram feitas por "acaso" e abriram portas para que novos astros fossem achados

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“Agora, não achamos mais estrelas ‘sem querer’, buscamos por elas.” A frase é do astrônomo do Espaço do Conhecimento e doutor em Física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Filipe Andrade Ferreira, de 34 anos, responsável pela descoberta de 31 novos aglomerados de estrelas na Via Láctea. "Os resultados científicos que tive vieram através de dados da missão Gaia, iniciada em 2013. Em 2018, enquanto analisava as informações de um objeto, ao ‘acaso’, encontrei outras três aglomerações de estrelas com velocidades parecidas. Descobri que ninguém conhecia esses conjuntos", afirmou em conversa com  a reportagem do Estado de Minas

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A descoberta foi divulgada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O  artigo teve ajuda dos pesquisadores Mateus de Souza Ângelo (Cefet Nepomuceno), João Francisco Coelho dos Santos Jr. (UFMG), Wagner José Corradi Barbosa (Laboratório Nacional de Astrofísica e UFMG) e Francisco Ferreira de Souza Maia (UFRJ).

Descoberta

Os dados coletados vieram por intermédio da Agência Espacial Europeia (AEE), responsável pela Missão Espacial Gaia. O telescópio foi lançado a uma distância de 1,5 milhão de quilômetros da Terra em 2013 e foi desconectado em 2025. 

Durante pouco mais de dez anos, a ferramenta foi responsável por criar um catálogo com mais de 1,8 bilhão de estrelas. O primeiro conjunto do material foi divulgado em 2016 e foi responsável por fazer uma revolução no campo da astrofísica, principalmente para quem estuda aglomerados de astros. É esperado que o último apanhado de dados feito por Gaia seja finalizado em 2030. 

“O diferencial dessa missão é que, antes dela, não tínhamos muitas informações individuais de estrelas, principalmente sobre movimento e ângulo de paralaxe, que é uma medida que relaciona a nossa distância para a estrela. A missão entregou exatamente essas propriedades e com muita precisão”, afirma Ferreira. 

Segundo o astrônomo, o aglomerado estudado por ele no início era chamado de NGC 5999. Ele pegava dados da região e estudava a velocidade das estrelas. “Quando pegamos informações sobre um aglomerado, se espera ver um gráfico com muitas estrelas com velocidades aleatórias e espalhadas, mas um conjunto tem a forma de uma bolinha com um muitos astros com velocidades parecidas numa mesma região do gráfico”, explica. 

As explorações feitas por Ferreira possibilitaram o desenvolvimento das pesquisas e de artigos. A primeira ocorreu em 2018, seguida de outros estudos lançados em 2020 e 2021, até o recente trabalho lançado neste ano.

Mas de que modo essas pesquisas são feitas? “Quando tiramos imagens de uma região com estrelas, os locais que têm os astros vão receber uma intensidade alta de pixels, enquanto nos locais que não tiverem esses corpos, recebem uma intensidade menor de brilho”, diz. “Pegamos as fotos, vamos no computador e registramos as estrelas que aparecem. A partir disso, usamos algoritmos para detectar e transformá-las em dados”, explica o astrônomo.    

O professor destaca que as informações coletadas são postas em uma tabela e que cada estrela recebe uma coordenada, similar ao X e Y de uma unidade gráfica. Essas informações são passadas pela Agência Espacial e analisadas pelos especialistas.      

“O brilho das estrelas emite angulações, cores diferentes e velocidades de paralaxes distintas. Recebemos uma tabela grandona e, a partir dela, elaboramos gráficos das velocidades das estrelas dispostas no céu”, afirma. 

UFMG

Filipe Ferreira explica que que as estrelas são costumeiramente batizadas com nomes “carinhosos”: Caixinha de Joias, Poço dos Desejos, entre outras. “É muito interessante que esses aglomerados de estrelas são muito bonitos de se observar através de telescópios. Na hora que apontamos a lente, observamos conjuntos de estrelas brilhantes, que permitem que identifiquemos o nome delas” , destaca o astrônomo, que é graduado, mestre e doutor pela UFMG  

Em homenagem à UFMG, alguns corpos estelares receberam o nome da universidade e estão postas em um catálogo com dados dos objetos. O banco de informações, denominado de New General Catalogue (NGC), tem galáxias, nebulosas e aglomerados de estrelas. Em uma das tabelas, podemos encontrar o UFMG 1, UFMG 2, UFMG 3, por exemplo. 

Embora não seja uma descoberta exclusiva da faculdade, o achado ampliou o catálogo de aglomerados UFMG para um total de 128 objetos e demonstra a importância da pesquisa na federal mineira, diz o pesquisador. 

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“Localizamos coisas que a Inteligência Artificial ainda não encontra! Esses achados são interessantes porque movimentam bastante as linhas de pesquisa em astrofísica da UFMG. Agora, os outros estudantes podem pesquisar os aglomerados com mais profundidade e temos uma linha de pesquisa ali de busca por novos aglomerados”, finaliza Ferreira.  

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