Divinópolis terá monumento em homenagem a Adélia Prado
Deputada Duda Salabert vai destinar R$ 500 mil para obra. Recurso faz parte de um pacote de emendas que contempla saúde, agricultura e educação na cidade
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A paisagem urbana de Divinópolis ganhará um novo marco cultural em breve. A deputada federal Duda Salabert (PSOL) anunciou o envio de uma emenda parlamentar no valor de R$ 500 mil destinada à construção de uma estátua em homenagem à poetisa Adélia Prado. O monumento será inspirado em Bagagem, obra de estreia que alçou a escritora ao cenário nacional em 1976.
Em discurso na Câmara dos Deputados, Duda Salabert destacou o peso político da trajetória de Adélia, ressaltando sua capacidade de romper uma tradição literária historicamente dominada por vozes masculinas.
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"A Adélia é mais que uma grande poeta. Se pegamos a historiografia brasileira, a poesia é liderada por homens. São poucas as mulheres consagradas que conseguiram furar essa tradição, e por isso ela tem relevância política. Temos que homenagear nossos poetas ainda vivos, porque ela é um patrimônio cultural de Minas e do Brasil", afirmou a parlamentar.
A destinação do recurso foi alinhada em diálogo com a Prefeitura de Divinópolis. Em contato com a prefeita Janete Aparecida, a deputada confirmou que o montante para a cultura integra um pacote mais amplo de investimentos para o município, que soma R$ 2,7 milhões. Além da homenagem à escritora, os recursos estão distribuídos da seguinte forma:
- R$ 1 milhão: construção de um restaurante no campus Dona Lindu da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ)
- R$ 1 milhão: aquisição de maquinário de médio porte para o desenvolvimento de comunidades rurais
- R$ 200 mil: investimentos diretos na área da saúde
A prefeita Janete Aparecida agradeceu a chegada dos recursos e garantiu transparência na aplicação. "Todos os recursos são importantes, e essa homenagem à nossa poetisa aquece o coração. É emocionante ver o nome da nossa cidade reconhecido mundialmente por meio da poesia de Adélia Prado", declarou a chefe do Executivo.
Reconhecimento e legado
A iniciativa da estátua coincide com um momento de consagração institucional da autora. Recentemente, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou uma Moção de Aplauso à Adélia, exaltando sua capacidade de fundir a mineiridade, a fé cristã e a experiência feminina.
Aos 90 anos, Adélia Prado vive um período de intensa valorização de sua obra. Em 2024, ela conquistou o Prêmio Machado de Assis (ABL) e o Prêmio Camões, o mais prestigioso da língua portuguesa.
Em setembro de 2025, quebrou um hiato de 12 anos com a publicação de O Jardim das Oliveiras. No ano passado, a relevância espiritual de sua obra foi reconhecida com uma bênção apostólica do Papa Leão XIV, solicitada pela Diocese de Divinópolis.
Nascida em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Adélia iniciou sua escrita após a perda da mãe, em 1950. Professora e filósofa por formação, ela lecionou por décadas antes de ser descoberta por nomes como Affonso Romano de Sant’Anna e Carlos Drummond de Andrade - este último o responsável por levar seus originais à Editora Imago.
Desde o lançamento de Bagagem, Adélia acumulou prêmios, como o Jabuti (1978, por O Coração Disparado), e viu sua obra ser estudada em instituições de renome internacional, como a Universidade de Princeton. Hoje, enquanto o Museu Histórico de Divinópolis mantém uma exposição dedicada à sua vida, a escritora é frequentemente citada como forte candidata ao Prêmio Nobel de Literatura.
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Atualmente, Adélia Prado permanece ativa e reside em Divinópolis com seu marido, o bancário José Assunção de Freitas, com quem é casada desde 1958, e tem cinco filhos.