MILITARIZAÇÃO DO ENSINO

Alvo de polêmicas, escolas cívico-militares serão ampliadas no interior

Novas unidades do Colégio Tiradentes serão instaladas no Sul de Minas em meio a questionamentos jurídicos e divergências políticas sobre o modelo educacional

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Duas novas unidades do Colégio Tiradentes da Polícia Militar (CTPM) serão instaladas no Sul de Minas, nas cidades de Itajubá e Extrema. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (6/4) durante agenda do governo estadual em Pouso Alegre.

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A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG) e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), e tem como objetivo ampliar a oferta de ensino público na região, com foco no modelo cívico-militar adotado pela rede Tiradentes.

Segundo o governo, a chegada das novas unidades deve contribuir para a qualidade do ensino e atender, principalmente, às famílias de policiais militares que atuam na região. O Colégio Tiradentes é conhecido pelo modelo disciplinar e por índices educacionais considerados acima da média da rede pública.

A expansão para Itajubá e Extrema, ainda de acordo com o Executivo estadual, acompanha o crescimento populacional e econômico dessas cidades, que vêm ganhando relevância regional nos últimos anos.

A instalação das unidades ocorre em meio a uma agenda mais ampla no Sul de Minas, que inclui ações do programa Governo Presente e a transferência simbólica da capital para Pouso Alegre por dois dias. Ainda não foram divulgados detalhes sobre prazos de funcionamento, número de vagas ou estrutura das novas escolas. 

 

Modelo enfrenta questionamentos

Apesar da expansão, o modelo cívico-militar tem sido alvo de críticas e disputas recentes em Minas Gerais. Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, em decisão liminar, a suspensão da implementação de escolas desse tipo no estado.

A decisão seguiu entendimento semelhante do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), que apontou possíveis irregularidades, como a ausência de uma lei específica que regulamente o modelo e a falta de previsão orçamentária para sua execução.

Outro ponto levantado pelos órgãos de controle diz respeito ao uso de recursos da educação para pagamento de militares. Segundo o TCE-MG, a legislação não permite que verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) sejam utilizadas para esse fim.

Diante das controvérsias, o tribunal anunciou a realização de uma auditoria nas escolas cívico-militares já existentes no estado para verificar a origem dos recursos e a legalidade das despesas.

Debate político e educacional

O tema também tem gerado embates no campo político. Integrantes do governo estadual criticaram as decisões judiciais e defenderam a continuidade do modelo, argumentando que ele não deve ser barrado por questões ideológicas.

Por outro lado, representantes de órgãos de fiscalização sustentam que o debate não é ideológico, mas jurídico e orçamentário, e que a implementação de políticas públicas na área da educação precisa seguir regras legais claras.

Especialistas em educação também divergem sobre o formato. Enquanto defensores apontam melhora na disciplina e no desempenho escolar, críticos questionam a militarização do ambiente educacional e a prioridade dada a esse tipo de investimento em detrimento de outras demandas da rede pública.

Nesse cenário, a ampliação das unidades do Colégio Tiradentes no interior evidencia que, além de uma política de expansão educacional, o modelo cívico-militar segue como um dos temas mais sensíveis e controversos da educação pública em Minas Gerais.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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