Ribanceiras e curvas: o perigoso zigue-zague até a charmosa Casa Branca
Caminhos que levam a destinos procurados em Brumadinho, como o povoado de Casa Branca, são marcados por caminhos estreitos e sinuosos à beira de abismos
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Brumadinho – Os finais de semana em sítios, ranchos de pesca e condomínios rurais nos arredores de Belo Horizonte, em um raio de cerca de 100 quilômetros da capital, têm a praticidade da pouca distância, mas pelo mesmo motivo atraem grande fluxo de visitantes e veículos, muitas vezes em vias despreparadas para recebê-lo. Entre os 10 destinos com essas características selecionados pela equipe de reportagem do EM, além de Altamira, em Nova União, outros cinco ficam na Grande BH e têm traçados com trechos perigosos, geografia desafiadora e histórico de sinistros com pessoas feridas e óbitos. Dois deles são em Brumadinho e são frequentemente procurados em feriados e fins de semana.
Casa Branca é um deles, podendo também servir de caminho, “com aventura”, para a vizinha Ibirité – o acesso mais comum seria passando pela Região do Barreiro, em Belo Horizonte, ou mesmo pela rodovia MG-040. Povoado marcado por condomínios, casas de campo e uma comunidade pacata em um vale profundo aos pés da Serra do Rola-Moça, os acessos a Casa Branca podem ser feitos pelo Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, a partir de onde se segue pelo interior do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça.
São 33 quilômetros de BH até a Praça São Sebastião e 35,6 quilômetros até chácaras e áreas rurais do Bairro Jardim Montanhês, em Ibirité, nas encostas do lado oposto da serra. De 2022 a 2025, foram registrados 183 sinistros com 27 pessoas feridas nesses caminhos.
As áreas mais urbanizadas foram as mais violentas, o que pode ser explicado pelo fluxo intenso de veículos locais e um comércio pujante, com registros de tráfego congestionado em horários de pico. Só na Avenida Montreal, no Bairro Jardim Canadá, foram 80 sinistros e 17 feridos. Na Avenida Casa Branca, que vem da estrada que desce a serra e chega ao centro do povoado, ocorreram 58 sinistros, com seis feridos.
Rola-Moça
Mesmo que a área urbanizada registre mais acidentes, a travessia da Serra do Rola-Moça rumo a Casa Branca inspira medo e exige precaução devido ao traçado estreito, sem separação de fluxos opostos e sem acostamentos em vários trechos. Nas subidas fortes em que não se avista quem vem no sentido contrário ou nas descidas que mergulham em curvas fechadas beirando despenhadeiros, a atenção e o controle devem ser constantes, sobretudo sob chuva ou neblina.
Se no caminho asfaltado para Casa Branca a profundidade de até 240 metros do vale intimida, para Ibirité, com precipícios de até 70 metros depois de curvas fechadas, o desafio não é muito diferente, por se tratar de tráfego em estradas de terra, onde carros podem deslizar sob chuva.
Mesmo compactado e encascalhado, o caminho em leito natural é instável e exige mais perícia dos motoristas. O barro causa perda de aderência nas chuvas e quando o sol forte seca a lama, essa se transforma em pó fino que sobe como nuvens quando veículos velozes passam, bloqueando muitas vezes a visão de outros motoristas e a a capacidade de enxergar o tráfego e a via.
Serra da Moeda
Se o destino em Brumadinho for Piedade do Paraopeba, Retiro do Chalé ou Aranha, a estrada começa 12 quilômetros adiante, na BR-040, em Piedade do Paraopeba, ou dois quilômetros à frente, aos pés do mirante do Topo do Mundo, para o Retiro do Chalé, totalizando 67,5 quilômetros de Belo Horizonte até Aranha. As duas estradas também são marcadas por fortes curvas, contornando a Serra da Moeda, ao lado de abismos com até 122 metros de profundidade.
Nos últimos quatro anos, esse caminho registrou um total de 48 sinistros, com uma pessoa morta e oito terminando feridas. A vítima que perdeu a vida trafegava pela Estrada Nair Martins Drumond (Piedade do Paraopeba), onde outras três pessoas se feriram em 19 sinistros.
Entre os trechos avaliados, o mais violento foi no circuito a partir da rodovia MG-050, entre Vianópolis (Betim), no Bairro Santo Afonso, a 50 quilômetros de BH, e Esmeraldas, no Bairro São José, a 86 quilômetros da capital. Todo percurso é feito pela MG-060, Rodovia Frei Orlando.]
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De 2022 a 2025, o trecho teve registrado um total de 285 sinistros, com nove pessoas mortas e 126 vítimas de ferimentos. O trecho de 66 quilômetros em Esmeraldas é o mais violento, com 150 sinistros, seis óbitos e 85 feridos. Entre as mortes, quatro ocorreram na passagem pelo Centro de Esmeraldas, outra no caminho para a região do Grotão e outra antes da ponte sobre o Ribeirão das Abóboras, nas extrações de areia.
Recomendações de segurança da CNT
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) alerta que a geometria das curvas, o excesso de velocidade e as ultrapassagens indevidas são fatores associados aos desastres fatais em cenários de pistas simples de fluxos opostos, como nas vias rurais e secundárias percorridas pelo Estado de Minas.
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Nesses casos, a CNT recomenda que o motorista reduza a velocidade, aumente a distância em relação ao veículo da frente e jamais use os precários acostamentos (quando existirem) para forçar ultrapassagens. Em vias simples e rurais, sob mudanças climáticas é recomendado o uso de farol baixo e cuidado extra em áreas alagadas ou com presença de animais.